Alaíde Costa, Aracy Cortes, Áurea Martins, Clementina de Jesus, Dalva de Oliveira, Dóris Monteiro, Elizeth Cardoso, Elza Soares, Odete Amaral, Zezé Gonzaga (em ordem alfabética). A ampliação dessa listagem fica por conta do leitor.

Não é novidade nenhuma que o multifacetado Hermínio Bello de Carvalho sempre teve uma forte ligação com as cantoras, no sentido de lança-las no mercado fonográfico produzindo seus discos; revelando talentos desconhecidos; resgatando/valorizando várias cantoras que, com o passar do tempo, estavam esquecidas. A inspiração para a realização deste post veio da Rádio Batuta do IMS (Instituto Moreira Salles).

Alaíde Costa surgiu em programas da Rádio Nacional. Afinação e sensibilidade foram sempre suas marcas registradas. Foi uma das primeiras a navegar nas ondas da bossa nova com sua voz sussurrada.

Cobras e lagartos” (Hermínio Bello de Carvalho/Sueli Costa) # Alaíde Costa.

Aracy Cortes (Zilda de Carvalho Espíndola, 1904/1985), durante mais de vinte anos reinou e foi cortejada como uma das maiores estrelas do Teatro de Revista, atuando nos palcos da Praça Tiradentes, que na época reunia o que havia de melhor no meio artístico. Possuidora de uma voz aguda, cheia de musicalidade, porém de extensão reduzida, sabia tirar partido da sua sensualidade e encanto pessoal para reinar a princípio no picadeiro e em sequencia no teatro.

Aracy Cortes, há duas semanas de completar 54 anos, teve a grata uma surpresa no Retiro dos Artistas onde morava. Era o Hermínio convidando-a a integrar o antológico Show Rosa de Ouro. [saiba mais sobre esse show aqui].

Linda flor [Ai, Ioiô]” (Henrique Vogeler/Luiz Peixoto/Marque Porto) # Aracy Cortes. Disco Parlophon (12926-A) / Matriz (2366), 1929.

Áurea Martins apareceu inicialmente quando participou, na Rádio Nacional, do programa "Tribunal de Melodias", de Mário Lago e Paulo Gracindo. Após a sua apresentação foi contratada pela emissora e passou a integrar os programas de Paulo Gracindo, César de Alencar e Manoel Barcelos. Ganhou o primeiro prêmio do programa "A Grande Chance", de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi. Áurea Martins criou seu prestígio como cantora profissional atuando na noite carioca, tornando-se uma das suas estrelas. Em 2010, Hermínio produziu para ela o CD “Depontacabeça. Também de voz miúda, elegante, Áurea seria escolhida por Hermínio para se juntar a Alaíde Costa, de voz próxima, num show dirigido por ele em homenagem a Elizeth Cardoso.

Era o fim” (Fernando Temporão/Herminio Bello de Carvalho) # Áurea Martins.

Foi na Taberna da Glória que Hermínio viu pela primeira vez Clementina de Jesus cantando jongos, caxambus, lundus e corimas. Como estava sem documentos e trajes de banho (vinha da praia) ficou receoso de ser preso pelo policias que adentraram a Taberna. Uma semana depois se reencontraram na inauguração do Zicartola, onde a conversa rolou solta regada a muita cerveja. Um dos infinitos méritos do Hermínio foi descobrir, lançar e produzir Clementina de Jesus.

Vai, saudade” (David da Portela/Candeia) # Clementina de Jesus.

Hermínio vinha a bastante tempo acalentando a ideia de produzir um álbum de Dalva de Oliveira, a qual atravessava uma fase de desgaste físico/psicológico e, também, presa a um repertório caracterizado de muita fossa, deixando de fazer jus a grande intérprete que era. O agravante da situação era que os donos das gravadoras a evitavam, reclamando do seu temperamento de brigas e discussões. Aí é que entra o grande Hermínio que convence um dos chefes da gravadora Odeon, Milton Miranda, a lançar o álbum “Dalva de Oliveira - É Tempo de Amar” (1968).

Tem mais samba” (Chico Buarque) # Dalva de Oliveira. “Álbum Tempo de Amar”, 1968.

Hermínio Bello de Carvalho e Maurício Tapajós compuseram um sambalanço pós-bossa nova, típico de meados dos anos 1960, trazendo de volta às paradas de sucesso a cantora Dóris Monteiro. Trata-se de “Mudando de conversa” - um samba moderno, romântico e bem carioca. Agora um detalhe: Esse samba não nasceu no Leblon (como sugere a letra da música) e sim na legendária Taberna da Glória. Segundo Jairo Severiano e Zuza Homen de Mello o samba estava destinado ao Cyro Monteiro, mas como ele era preguiçoso para decorar as letras das músicas, acabou indo parar nas mãos da excelente cantora Dóris Monteiro que arrasou na interpretação.

Mudando de conversa” (Hermínio Bello de Carvalho/MaurícioTapajós) #  Dóris Monteiro. Álbum Mudando de Conversa, 1969.

Elizeth Cardoso - A Divina. Uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Sua classe, distinção, porte de grande dama eram suas marcas registradas em qualquer ambiente; das gafieiras da Estudantina ou em qualquer recinto mais sofisticado.

Hermínio produziu muitos dos discos da grande amiga Elizeth, a exemplo de: “A Enluarada Elizeth” (1967), que contou com o auxílio luxuoso do sax de Pixinguinha em duas faixas e “Elizeth Cardoso / Zimbo Trio / Jacob do Bandolim e Época de Ouro ao Vivo” (1968) um clássico do nosso cancioneiro, com direção geral do Hermínio. Na véspera, o elenco se reuniu na casa de Elizeth para uma confraternização regada a uma deliciosa feijoada.

Barracão" (Luiz Antônio/Oldemar Magalhães) # Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e Época de Ouro, 1968.

Elza Soares com o estilo brincalhão fincou sua bandeira entre as grandes sambistas. O tempo passa, mas não para ela. O balanço, a voz rascante e o samba no pé continuam firmes e contagiantes até hoje. Hermínio conviveu com o casal Elza X Garrincha e produziu alguns discos da cantora como, “Elza, Miltinho e Samba/Vol. 2” (1968) e “Elza Soares e Roberto Ribeiro - Sangue, Suor e Raça” (1972). Em 1970, incluiu no álbum “Sambas e Mais Sambas” a composição “Pressentimento".

Pressentimento” (Elton Medeiros/Herminio Bello de Carvalho) # Elza Soares, 1970.

Odete Amaral estreou, em 1935, na Rádio Guanabara, executando música de Assis Valente, muito bem acompanhada pelo violão de Pereira Filho. A partir daí passou por quase todas as emissoras de Rádio, atuando, também, no cinema, cassinos, teatros e discos. Em 1968 estava um pouco parada quando Hermínio a convidou para integrar o disco “Fala Mangueira”, juntamente com Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho e Clementina de Jesus. Das cinco interpretações de Odete Amaral, no referido disso, destacamos “Sei lá, Mangueira”, de Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola.

Sei lá, Mangueira” (Paulinho da Viola/Hermínio Bello de Carvalho) # Odete Amaral.

Era natal de 1979 quando Zezé Gonzaga, então morando em Curitiba e afastada do meio artístico, recebeu um ligação telefônica do Hermínio: “- Zezé, venha para o Rio, você vai gravar um disco com a obra do Valzinho [Norival Carlos Teixeira]” com arranjos do Radamés Gnattali, que fazia questão de afirmar que Zezé era uma das suas intérpretes favoritas.

O que mais motivou Zezé foi o repertório todo dedicado às canções de Valzinho, outro velho amigo. O LP, que recebeu elogios da crítica, foi batizado de “Doce veneno”. Hermínio conseguiria dois grandes feitos: Resgatou Zezé Gonzaga ao universo da música e permitiu que Valzinho tivesse o merecido reconhecimento ainda em vida - o compositor morreria cerca de um ano após o lançamento do disco. Posteriormente, fariam mais dois discos juntos. A música “Sou apenas uma senhora que ainda canta” foi feita por Hermínio, sobre melodia de Radamés Gnattali, especialmente para contar a história de Zezé.

Sou apenas uma senhora que ainda canta” (Radamés Gnattali/Hermínio Bello de Carvalho) # Zezé Gonzaga.

Infinitas Palmas para Hermínio Bello de Carvalho e suas Musas!

 

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Fontes:

- A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vol 2: 1958-1985 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed.4, 1998.
- Fotomontagem - Laura Macedo.

- Na cadência do samba, de Haroldo Costa. - Rio de Janeiro: Ed. Novas Direções, 2000.

- Rádio Batuta do IMS (Instituto Moreira Salles/Joaquim Ferreira dos Santos).

- Site YouTube - Canais: “luciano hortencio”, “Biscoito Fino”, “thmon4”, “Marcelo Maldonado”, “SenhorDaVoz”, “Primeira Nota”, “BATUHILIN BRASIL”, “Thiago Perin”.

 

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Comentário de Laura Macedo em 6 setembro 2015 às 3:11

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