José de Assis Valente
19/3/1911 Bahia
10/3/1958 Rio de Janeiro (RJ
)



Assis Valente foi um dos compositores prediletos de Carmen Miranda. Vistos por alguns críticos musicais, a exemplo de Tárik de Souza como um compositor pré-tropicalista.

Emplacou vários sucessos nas vozes de Francisco Alves, Aracy Cortes, Bando da Lua, Anjos do Inferno, Silvio Caldas e Carlos Galhardo.

São de sua autoria, entre outros, os sambas “Camisa listrada”, “O mundo não se acabou”, “Fez bobagem” e a marcha natalina “Boas festas”.

Apesar de tudo, Assis Valente, viveu sempre em conflito consigo mesmo. O sucesso e o reconhecimento do público e dos colegas não preencheram sua vida.

No dia 10 de março de 1958, há exatos 52 anos, comprou uma garrafa de veneno e dirigiu-se à Praça Paris. No dia seguinte, todos os jornais da cidade registravam a terceira, bem-sucedida, tentativa de suicídio do cronista e poeta popular.

Após sua morte, suas músicas foram redescobertas. Em 1969, Nara Leão regravou "Fez bobagem" e Maria Bethânia o samba "Camisa listrada". Em 1972, o primeiro LP dos Novos Baianos trazia como faixa de abertura "Brasil Pandeiro", que alcançou grande sucesso. Em 1973, Chico Buarque, Maria Bethânia e Nara Leão cantaram "Minha embaixada chegou" no filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diégues e Maria Alcina regravou "Maria Boa". Em 1977, a tevê Globo dedicou-lhe todo um programa na série Grandes Compositores.


Vejam o clima tropicalista de “Brasil Pandeiro”, com os Novos Baianos.




Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor
Eu fui na Penha, fui pedir ao Padroeiro para me ajudar
Salve o Morro do Vintém, Pendura a saia eu quero ver
Eu quero ver o tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar
O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada
Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato
Vai entrar no cuzcuz, acarajé e abará.
Na Casa Branca já dançou a batucada de ioiô, iaiá

Brasil, esquentai vossos pandeiros
Iluminai os terreiros que nós queremos sambar

Há quem sambe diferente noutras terras, noutra gente
Num batuque de matar
Batucada, Batucada, reunir nossos valores
Pastorinhas e cantores
Expressão que não tem par, ó meu Brasil

Brasil, esquentai vossos pandeiros
Iluminai os terreiros que nós queremos sambar

Ô, ô, sambar, iêiê, sambar...
Queremos sambar, ioiô, queremos sambar, iaiá


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Fonte:
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, versão on-line.

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