Até Los Hermanos defendem Lula, menos a direita preconceituosa, que "ainda" persiste no Brasil



Quando Lula recebeu da Time o título de maior personalidade do Mundo em 2010, a direita brasileira derrotada, correu para desqualificar e confundir a população sobre o prêmio.

Agora após sua saída da presidência, Lula continua recebendo homenagens e tíitulos pelo mundo afora.  

O mais recente foi o de Doutor Honoris Causa pela Sciences Po da França. Quanto ao título, mais do que merecido, tudo em, o problema foi o vexame da Imprensa "brasileira" presente, que tomou uma aula de civilidade e respeito na entrevista de Richar Descoings, diretor da Sciences Po, que desmontou a tentativa de desqualificar o título concedido a LULA.

O preconceito era tão grande, que um jornalista argentino presente escreveu a matéria:

"Escravistas contra Lula"

 

segue.

 

Página/12  (jornal argentino)

Escravistas contra Lula

Por Martín Granovsky

 Podem pronunciar “sians po”. É, mais ou menos, a fonética de “sciences politiques”. E dizer Sciences Po basta para referir o encaixe perfeito de duas estruturas: a Fundação nacional de Ciências Políticas da França e o Instituto de Estudos Políticos de Paris. Não é difícil pronunciar “sians po”. O difícil é entender, a esta altura do século XXI, como as idéias escravocratas seguem permeando os integrantes das elites sul-americanas.

Na tarde desta terça, Richar Descoings, diretor da Sciences Po, entregará pela primeira vez o doutorado Honoris Causa a um latino-americano: o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Descoings falará e, é claro, Lula também.

Para explicar bem sua iniciativa, o diretor convocou uma reunião em seu escritório na rua Saint Guillaume, muito perto da igreja de Saint Germain des Pres. Meter-se na cozinha sempre é interessante. Se alguém passa por Paris para participar como expositor de duas atividades acadêmicas, uma sobre a situação política argentina e outra sobre as relações entre Argentina e Brasil, não está mal que se meta na cozinha de Sciences Po.

Pareceu o mesmo à historiadora Diana Quattrocchi Woisson, que dirige em Paris o Observatório sobre a Argentina Contemporânea, é diretora do Instituto das Américas e foi quem teve a ideia de organizar as duas atividades acadêmicas sobre a Argentina e o Brasil, das quais também participou o economista e historiador Mario Rapoport, um dos fundadores do Plano Fênix há dez anos.

Naturalmente, para escutar Descoings foram citados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático. Sciences Po tem uma cátedra de Mercosul, os estudantes brasileiros vão cada vez mais para a França, Lula não saiu da elite tradicional do Brasil, mas chegou ao máximo nível de responsabilidade e aplicou planos de alta eficiência social.

 Um dos meus colegas me perguntou se estava tudo bem premiar quem se gaba de nunca ter lido um livro. O professor manteve a calma e olhou espantado. Ele sabe que Lula não tem nenhum título universitário. Tanto é verdade que quando ele assumiu o cargo em 01 de janeiro de 2003, elevou o diploma de presidente do Brasil e disse: "Pena que minha mãe morreu. Ela sempre queria que eu tivesse um diploma e nunca imaginei que o primeiro seria o presidente da república. " E chorou.

"Por que premiar um presidente que tolerara a corrupção?" Foi a próxima pergunta.

O professor sorriu e disse: "Olha, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análise moral, e tira conclusões. Permite equilibrar essa questão, outros históricos importantes, eletrificação de favelas em todo Brasil e as políticas sociais. " Ele acrescentou, pegando o Le Monde: "Que país pode medir moralmente hoje outro país?” Se não queremos falar destes dias, lembremos como um alto funcionário de outro país teve que renunciar por ter plagiado uma tese de doutorado de um estudante. " Ele falava de Zu Guttenberg Karl-Theodor, ministro da Defesa alemão, até que se soube do plágio.

Além disso: "Não desculpamos nem julgamos. Simplesmente não damos lição de moral a outros países. "

Outro colega perguntou se ele estava bem premiar, quem uma vez chamou de "irmão" Moammar Khadafi.

Com as devidas desculpas, que foram expressas ao professor e aos colegas, a impaciência Argentina levou a perguntar onde Khadafi tinha comprado suas armas e que país refina seu petróleo, além de comprá-lo. O professor deve ter agradecido que a questão não cita, com nome e sobrenome, a França e a Itália.

Descoings aproveitou para destacar Lula como, "um homem de ação que mudou o curso das coisas" e disse que a concepção de Sciences Po não é o ser humano como “uns ou outros”, mas sim como “uns e outros”. Marcou muito o “e”, “y” em francês..

Diana Quattrocchi, como latino-americana que estudou e doutorou-se em Paris após sair de uma prisão na ditadura na Argentina graças à pressão da Anistia Internacional, disse que estava orgulhosa de que o Sciences Po deu Honoris Causa a um presidente da região e perguntou se foi por razões geopolíticas.

"Todo mundo se pergunta", disse Descoings. "E nós temos que ouvir todos. O mundo ainda não sabe se a Europa continuará a existir no ano que vem. "

Em Sciences Po, Descoings introduziu estímulos para o ingresso de estudantes que, supostamente, estão em desvantagem para serem aprovados no exame. O que é chamado de discriminação positiva ou ação afirmativa, e se parece, por exemplo, com a obrigação Argentina de que um terço das candidaturas legislativas devem ser ocupadas por mulheres.

Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa a Lula fazia parte da política de Ação Afirmativa na Sciences Po.

Descoings observou-o cuidadosamente antes de responder. “As elites não são só escolares ou sociais”, disse. “Os que avaliam quem são os melhores são os outros, não os que são iguais a alguém. Se não, estaríamos frente a um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas segundo entendi não ganhou uma vaga, mas foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.

Como Cristina Fernández de Kirchner e Dilma Rousseff na Assembléia Geral da ONU, Lula enfatizou que a reforma do FMI e Banco Mundial estão atrasadas. Ele diz que esses organismos, assim como estão, "não servem pra nada". O grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) ofereceu ajuda para a Europa. Só a China tem o maior nível de reservas no mundo. Em um artigo publicado no El Pais, Madrid, os ex- primeiros ministros Felipe Gonzalez e Gordon Brown pediram uma maior autonomia para o FMI. Querem que o FMI seja o auditor independente, dos países do G-20, que integram os países mais ricos e também para a América do Sul, a Argentina e  Brasil. Ou seja, eles querem o contrário do que pensam os BRIC´s.

No meio dessa discussão vai Lula para a França. Sabendo que, antes de receber um doutorado honorário em Sciences Po, deveria pedir desculpas para a elite do seu país. Um metalúrgico não pode ser presidente. Se por algum acaso chegou ao Planalto, agora você deve ficar no seu devido lugar. No Brasil, a casa grande das propriedades era reservada aos proprietários de terras e escravos. Lula, agora, por favor, calma. A casa grande está com raiva.

Tradução: Google, Bravin e contribuições do amigo Julio Turra.

 

Agora após sua saída da presidência Lula continua

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