Aterro Sanitário junto a Represa do Morro Grande (Alto Cotia)

Todos que moram na região sabem – ou deveriam saber – que estamos ao lado de um paraíso ecológico, a Reserva Florestal do Morro Grande.

Numa área de 10.870 hectares (1/3 da área total de Cotia), com predominância de Mata Atlântica mas com presença também de florestas ombrófilas densas e mistas, estacionais e até cerrado.

A Reserva possui mais de 13.000 exemplares pertencentes a 673 espécies de árvores; mamíferos, como gambá, tatu-galinha, sagui, mico-estrela, bugio, cachorro-do-mato, gato-do-mato, coati, mão-pelada, irara, veado, preá, capivara, esquilo, ouriço-caixeiro, tapiti, lebrão, dentre outros; aves (13 delas ameaçadas de extinção); répteis; anuros, aranhas orbitelas e as mais diversas espécies também vulneráveis e ameaçadas de extinção.A Reserva Florestal do Morro Grande foi criada em 1979, a partir da Lei Estadual nº 1.949, com a destinação específica de preservação da flora e da fauna e proteção aos mananciais. Está sob jurisdição da Sabesp (cujo contrato acaba de ser renovado, veja box), devido às diversas nascentes e mananciais.

O Rio Cotia nasce na Reserva, e possui três represamentos, sendo dois deles nas cabeceiras da Reserva, a Represa Pedro Beicht e das Graças. Esta área contém o Sistema Produtor do Alto-Cotia, responsável pelo fornecimento de água para cerca de 500 mil habitantes da Grande São Paulo.

Foi tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), por meio da resolução n.º 21, de 20.06.1981, pois a área representa uma das últimas massas florestais nativas da região metropolitana de São Paulo, sendo considerada importante área de refúgio da fauna das matas tropicais, ameaçada de extinção.A Reserva Florestal do Morro Grande é uma das áreas-núcleo da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo, considerada pela UNESCO como área de alta relevância ecológica e humana.Apesar de tamanha importância, a Reserva vem sofrendo nos últimos anos, invasões de caçadores e danos como incêndios esporádicos.

É de extrema urgência que a comunidade se conscientize de sua importância e esteja alerta e pronta para cobrar das autoridades medidas que a protejam.

Pólo de Ecoturismo

A Sabesp assinou um protocolo de intenções com a Prefeitura de Cotia para cooperarem na implementação de um Pólo de Ecoturismo dentro da Reserva Florestal do Morro Grande. O Termo de Cooperação entre as partes será assinado no início do próximo ano.

O principal objetivo do Pólo é proteger o entorno da Reserva e propiciar geração de emprego e melhorias para a população.

O projeto está em estudo há cerca de 20 anos e contou com o empenho do legislativo. Após a definição dos principais pontos, será formada uma comissão para detalhar e viabilizá-lo. A ideia é implantá-lo em etapas.

Com a implantação do Pólo, a Reserva terá mais policiamento, com a presença da Guarda Ambiental, e ficará protegida de pessoas que entram sem autorização. As trilhas serão feitas com monitores e será proibida a entrada na mata.

A área ao lado da Reserva onde existe um núcleo de casas que datam do início do século, será a base do Pólo. Lá deverá ser instalada uma creche, uma Unidade Básica de Saúde, além da sede do Pólo e da Guarda Civil Metropolitana. Guardas Municipais serão treinados para fazer policiamento ambiental. Sem dúvida, esse será um grande feito para proteger a Reserva pois atualmente esse policiamento é precário.

A iniciativa prevê que o Pólo seja um novo espaço de lazer para a população, com área para prática de esportes e realização de projetos de educação ambiental para alunos de escolas públicas e moradores do entorno.

O Pólo também deverá abrigar cursos de capacitação para a população, sobre artesanato, viveirismo e monitoria ambiental, dentre outros temas. Segundo Dr. Laércio Camargo, secretário de Meio Ambiente e Agropecuária, o objetivo é que os moradores do entorno sejam capacitados para trabalhar no segmento do turismo, “a entidade SELVA já capacitou jovens para serem monitores”.

O secretário acredita que a implantação do Pólo de Ecoturismo atraia empreendedores que se interessem em construir hotéis e pousadas na região do entorno do Morro Grande, valorizando-a e gerando empregos.

* Minha opinião: SOU TOTALMENTE CONTRA A PROPOSTA DO SR. SECRETÁRIO.

Aterro Sanitário

Como abordamos na edição 534, um aterro sanitário pode ser implantado na estrada do Tabuleiro Verde, na região do Morro Grande. Uma área de 278.775,45 m² foi decretada de utilidade pública para construção do aterro pelo prefeito Carlão Camargo.

Fizemos o percurso, através do Google Mapas, da Barragem da Graça até altura do número 650 da Estrada do Tabuleiro Verde e a distância é de pouco mais de quatro quilômetros.

Entidades da região que fazem parte do Grande Oeste Verde são contrárias ao aterro no local devido à proximidade com a Reserva. A comunidade do entorno iniciou um abaixo assinado contrário à implantação do aterro e recolheu mais de 12 mil assinaturas.

O esforço comunitário das ONGs resultou em uma Ação Civil Pública protocolada junto ao Ministério Público de Cotia, no último dia 27 de outubro, que solicita a instauração de Inquérito Civil Público a fim de impedir a implantação do aterro sanitário no local.

Além disso, no último dia 29, foi protocolada uma carta na Prefeitura de Cotia solicitando que o prefeito Carlão Camargo reconsidere o local para a implantação do aterro sanitário. Tanto no processo da Ação Civil pública quanto na carta ao prefeito foi anexada uma cópia do abaixo-assinado. O movimento também pretende entregar cópia da mesma carta na Câmara Municipal de Cotia. “Esperamos que possa sensibilizar as autoridades.”

O diretor presidente da Associação Ecoexistir, Wlad Farias criou o Blog “Aterro no Tabuleiro não” (http://aterronotabuleironao.blogspot.com), onde posta as informações sobre o movimento contra o aterro.

Cotia renova contrato com Sabesp

O governador de São Paulo, Alberto Goldman, acompanhado do presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, esteve em Cotia no último dia 19 de outubro, para a assinatura do convênio e o respectivo contrato de prestação de serviços públicos de distribuição de água e esgotamento sanitário na cidade entre a Sabesp e a Prefeitura. O novo contrato substitui o anterior (com início em janeiro de 1980 e término em janeiro de 2010), e tem duração de 30 anos.

A principal meta estabelecida entre Sabesp e Prefeitura é a de universalização dos serviços de saneamento em Cotia até 2018. Até o término do contrato (2039) serão investidos na cidade cerca de R$ 300 milhões.

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Comentário de Rogério Maestri em 22 fevereiro 2011 às 18:59

Salete

 

Só uma coisa não ficou clara, por que estás contra?

Comentário de Maria Salete Lemos em 22 fevereiro 2011 às 19:17

Não se deve fazer um aterro sanitário ao lado de um enorme manancial de águas límpidas, além de o lugar ser reserva florestal, protegido por lei.

Em São Paulo, as pessoas já estão bebendo xixi reciclado da Represa Bilings e não queremos o mesmo para nós.

Se o nosso município possui esse santuário, pq destruí-lo com a infiltração do chorume?

A construção desse aterro tem intere$$es escusos, que prefiro não mencionar aqui.

Comentário de Rogério Maestri em 23 fevereiro 2011 às 2:23

Maria Salete

 

Não ficava claro a tua proposta, a contrariedade era manifestada antes do assunto aterro sanitário, agora compreendo.

Comentário de Maria Salete Lemos em 23 fevereiro 2011 às 2:46

Sabe Rogério, eu pedi autorização ao jornal que publiou isso e postei aqui.

Apesar desse (erro) que eu tb percebí, resolví postar assim mesmo.

Acredite, aqui em Cotia a água é tão limpa que tomamos água da torneira. Raro isso, concorda?

Dessa represa, é enviada água para várias cidades vizinhas (Itapecerica da Serra, Embu das Artes e outras mais), por isso sou contra. Só espero que o MP dê parecer contrário a construção do aterro.

Obrigada pela visita.

Comentário de Sérgio Salazar Salvati em 22 março 2011 às 3:40

Oi, vim te visitar e vi esta mensagem do Blog. 

Te escrevo porque em 2009 orientei alunos da pós em turismo do Senac SP num projeto de ecoturismo aí na reserva de Morro Grande.

É um região extremamente importante. Ela é uma das poucas áreas verdes de grande porte e bem conservada na região metropolitana se olharmos a mancha da Reserva numa imagem de satélite.

Parabéns por lutar por esta área.

Um abraço.

Comentário de Maria Salete Lemos em 22 março 2011 às 4:20

Oi Sérgio

Realmente é uma região importante, mas não concordo qto ao ecoturismo. Isso já foi aventado pelo secretário do Meio Ambiente aqui de Cotia e fui contra. A partir do momento que o bicho racional invade uma área de irracionais, há degradação.

A reserva deve ser olhada como um santuário. Ali existe OURO LÍQUIDO, cuja  pureza deve ser preservada.

Abs.

Comentário de Sérgio Salazar Salvati em 22 março 2011 às 9:14

Oi Salete, eu entendo sua preocupação. Mas veja só, o ecoturismo prevê que as visitas sejam cobradas e controladas, com grupos pequenos de amantes da natureza ou grupos de alunos em estudos ambientais. Assim, a Reserva pode conseguir recursos para sua própria proteção.

Não sei se vc tem ido lá, mas a Sabesp pouco cuida da área. Há prédios degradados, invasões e ainda o problema grave do trânsito de materiais perigosos pela linha férrea, como combustíveis.

Alguns bairros pobres no entorno poderiam ser beneficiados com geração de renda se forem capacitados para o ecoturismo, oferecendo alimentação, artesanato e até pequenas pousadas.

O ecoturismo poderia ajudar, mas concordo com vc que tudo tem que ser bem discutido com a comunidade de entorno. E se ela for contra, fazer o que, né?

Vou ver se consigo a versão final do estudo. Talvez possa ser de seu interesse.

Beijos.

Comentário de Rogério Maestri em 22 março 2011 às 10:50

Maria Salete

 

Se a água é tão boa como falas, vocês tem um patrimônio imenso (inclusive poderiam utilizar para uma cervejaria - cuidado tem que ter tratamento de esgoto rigoroso). Este patrimônio tem que ser conservado com unhas e dentes.

 

Agora vem um comentário secundário, se este lixo fosse incinerado em equipamentos modernos (que não produzem combustão incompleta) haveria uma solução para ele, mas há uma espécie de cruzada contra a incineração mesmo em casos especiais.

Comentário de Sérgio Salazar Salvati em 22 março 2011 às 11:05

Boa Rogério, também sou a favor da incineração e geração de energia. Já há tecnologia para controle dos gases emitidos, não? Alemã, creio...

Mas cara, a situação dos resíduos sólidos na região metropolitana de Sumpaulo é dramática. Na capital os aterros estão vencidos e super explorados. Os municípios lindeiros (como Cotia) lutam com razão para não receberem aterros.

Coisa feia por aqui.

Incineradores são ótimas opções em região densamente urbanizadas como a RMSP. Só não pode poluir muito.

:)

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