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O imediatismo que tomou conta da vida Institucional brasileira chegou a paradoxos insuperáveis. Não é possível mais apostar qual dos setores da vida nacional poderia ser escolhido como referência de melhor representação da vida Republicana (sim, vivemos numa república), embora, em muitos momentos temos a nítida impressão de que os mesmos se colocam como os arautos de uma Monarquia sem Rei. Alguém poderia imaginar, há dez ou vinte anos atrás, o surgimento de um trapaceiro, chantagista como o deputado Eduardo Cunha??? Mais; que ele (com uma frieza inigualável) pudesse colocar de “joelhos todo o Sistema de Representação dessa mesma República?

 

Para tentarmos entender o tamanho deste disparate, convidamos você a ler (ou tomar conhecimento) do livro de Rodolfo Telarolli, um  historiador (após incansável pesquisa) reeditou, pela Edições Macunaíma, o livro “Britos – República de Sangue”, há a exatos vinte anos. Alguns exemplares poderão ser encontrados ainda hoje, que acreditamos possa ajudar a refletir sobre aspectos da crise que atravessamos, no momento. Mais do que uma crise  política econômica nós vivemos uma Crise Moral onde as palavras acabam tendo diferentes significados para grupos sociais distintos. O primeiro deles, seguramente, o mais abrangente é o fato de as forças políticas do século XIX, em confronto ao disputar espaço junto à população contar com o apoio de um veículo de comunicação (senão vários deles). O intuito era estabelecer uma NOVA ORDEM SOCIAL E ECONÔMICA. A união das duas forças políticas só veio acontecer na década de vinte no século seguinte.

 

Apesar de a abolição da escravatura no Brasil, Monarquistas ainda submetiam um outro ser humano ao martírio dos açoites. Sobre esse fato o historiador e, também, autor Rodolho Telarolli, disseca dando à dimensão exata adquirida, através de um profundo estudo que durou toda a sua existência. Durante a disputa pelo poder entre monarquistas e republicanos, no final do século XIX, havia apenas duas linhas editoriais, de um lado o ‘Jornal do Commercio de São Paulo’ e, de outro, O Estado de S.Paulo (criado em 4 de janeiro de 1875, já com o mesmo nome) além do Diário Popular, em campos opostos. A segunda questão que também nos remete ao presente durante na transformação do Regime, a assim denominada “classe dominante”, estava dividida e envolvida em disputas por território e controle do Estado. A nova matriz econômica de exportação de café transformou a posse de grandes extensões de terra, numa disputa ferrenha.

 

Na atualidade o jornalista, Paulo Moreira Leite, escreveu sobre o momento em que vivemos: “A articulação para afastar a presidente eleita, não é obra de militantes de camisa verde amarela e argumentos que contrariam valores e regras fundamentais da Constituição. Seu horizonte é uma tentativa de interromper, de qualquer forma, o processo das inúmeras mudanças positivas que o país conquistou, a partir de 2003; e que apesar de todos os seus limites e imperfeições, abriu um período de distribuição de renda e a melhoria para as camadas superexploradas da população; como nunca se vira antes”. O excelente jornalista e escritor Moreira Leite está coberto de razão, no entanto, o embate não se resume somente a isso. O que está em jogo, não é apenas a mudança de um modelo” e/ou um o retrocesso aos patamares do inicio do século (XXI) mas, quem sabe, mais um longo período de submissão na maioria da população brasileira; ou seja, o agravamento da ‘divisão de classes’.

 

Há 100 anos despontava um líder, revolucionário oriundo das forças armadas, sendo a principal delas: com Luiz Carlos Prestes. Na atualidade, o principal LÍDER foi (e ainda é) um operário imbuído nas lutas por melhores condições de vida para os trabalhadores e da população como um todo. Entre um período  e outro, já se passaram  mais de cinquenta anos; para muitos, praticamente uma existência. Como se vê, estamos vivenciando momentos cruciais de nossa vida republicana. Deixar de associar tais cenas às atuais, toda a nossa história poderá ser diluída. Foi por essa razão que o período escolhido pelo historiador, permitiu registrar alguns importantes e nevrálgicos acontecimentos que só assim puderam vir à tona como, por exemplo, a Guerra de Canudos e, especialmente, o contundente acontecimento que foi o Linchamento dos Britos (a morte de um sobrinho e tio, em 1896).

 

Resumo da Ópera: os governos com vertente nacional popular, da atualidade só foram eleitos porque a burguesia nacional, bem como os conservadores de inspiração fascistas estavam de lados opostos nos últimos vinte anos. Desde a deposição de Collor, as duas “forças” tentam encontrar um denominador comum, sem sucesso. O fracasso econômico social dos governos do PSDB/DEM, apesar do maciço apoio da grande imprensa à ameaça de impeachment de Dilma Rousseff no momento, significa muito mais do que retirar do Planalto, por motivos visivelmente inócuos (sem provas concretas) uma presidenta eleita legitimamente significa antes de tudo a possibilidade de uma União entre a extrema direita e setores econômicos de real importância na vida Nacional. Uma guinada, agora, poderá se transformar num longo período de negação da Vida Nacional até aqui registrada, incluso e, principalmente, o Avanço Social criado a duras penas,o que permitiu  oportunidades reais de historias pessoais, culturais e nacional.

 

Dramaturgo Jair Alves

 

Obs: quem estiver interessado em conhecer o livro favor enviar mensagem para o endereço eletrônico macunaíma.news@gmail.com

 

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