Milhares de pessoas manifestaram-se contra a empresa.
Veja como ela age para anular as metas de qualidade nos
serviços de telecomunicação fixadas pela Anatel
Por Antonio Martins | Charge: Novaes
[Atualizado em 31/1 às 7h30]
Milhares de brasileiros envolveram-se, na tarde desta segunda-feira (30/1), em mais uma mobilização no espaço virtual, em favor de um direito e um serviço público. Convocado pela campanha nacional “Banda Larga é um direito seu”, um twitaço –postagem maciça de textos breves, pelo Twitter — exigiu qualidade nos serviços de banda larga. Voltou-se especificamente contra atitude da operadora Oi, que pretende anular metas de qualidade dos serviços definidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e já fixadas em decreto presidencial. Durante algumas horas, o mote #oicontraqualidade foi o mais visível, no Twitter, em todo o mundo. Além disso, mais de 5 mil pessoas assinaram mensagens contra as pretensões da empresa. Vale a pena compreender os motivos da ação, e como ela pode evoluir.
Em 12 de janeiro, a Anatel revelou que a Oi pediu, no final do ano passado a anulação de parte das metas de qualidade para os serviços de telecomunicações, fixadas poucas semanas antes pela agência. Se aceito, o pedido da empresa terá consequências vastas. Ela quer livrar-se de uma série de obrigações relativas à velocidade e regularidade dabanda larga fixa (via cabo), banda larga móvel (por “3G”) e mesmo as que pretendem garantir a efetividade da telefonia fixa. Caso a Anatel ceda, a decisão atingirá os usuários de todas as operadoras, já que a ausência de requisitos de qualidade permitirá ao cartel de fornecedores privados manter os serviços caros e ruins oferecidos hoje.
Os parâmetros mínimos de eficiência estabelecidos pela Anatel foram convertidos num decreto presidencial publicado em 31 de outubro. Serão de cumprimento obrigatório. Embora ainda haja questões indefinidas sobre sua aferição, são uma vitória real da sociedade mobilizada. Foram definidas após uma campanha que levou mais de 45 mil pessoas a enviarem petição em seu favor à Anatel. A pressão popular foi um dos desdobramentos da ação para que o acesso à internet seja instituído, no Brasil, como um direito e um serviço público — não como uma mercadoria comercializada segundo critérios de mercado.
A Anatel respondeu ao pedido da Oi abrindo, até 1º de fevereiro, uma consulta pública. A corporação é poderosa e é possível que as demais operadoras torçam para o sucesso de seu pedido — que desobrigaria a todas. Para evitar retrocessos, podem ser decisivos o twitaço de ontem e seus desdobramentos. A petição pública pela qualidade dos serviços, e contra a ação da Oi, pode ser assinada aqui. Para acompanhar os novos passos do movimento, vale visitar sites como os da Campanha Banda Larga, do Coletivo Intervozes e do IDEC — além de Outras Palavras.
Comentário de Marcos Milani em 31 janeiro 2012 às 23:41
Comentário de Rubens Martins Rocha em 12 fevereiro 2012 às 23:21 Comentar
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