A história do bandolim piauiense está ligada intimamente à primeira Capital do Piauí – Oeiras -, remetendo à década de 1930. Era comum à época as moças aprenderem a tocar um instrumento musical, visando apresentar-se em saraus caseiros e/ou igrejas.

Coube à Profª. Araci Carvalho, exímia bandolinista e criadora do conjunto “Voz do Coração” (mãe do escritor Orlando Geraldo Rego de Carvalho), Maria Queiroz, Filó Carvalho e maestros das Bandas de Música, manter acesa a chama do interesse pelo instrumento, ao repassarem aos jovens da cidade os ensinamentos necessários a seu aprendizado, buscando assegurar a tradição dos bandolins na histórica Oeiras.

A semente plantada pelas professoras e maestros frutificou, visto que muitas alunas dedicaram-se ao instrumento. Com o passar do tempo, muitas delas, absorvidas pelas lides domésticas advindas do casamento, distanciaram-se da música, mas permaneceu intacto, latente e visceral o amor pelo bandolim.

No início da década de 1980, equacionados os problemas domésticos, as moças, agora senhoras, sob a coordenação da Profª. Celina Vieira, resolveram reunir-se em grupo para tocar em homenagem aos 250 anos da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória.

A receptividade foi a melhor possível e Dona Celina, vibrando com o trabalho das “meninas”, acaba contagiando-as a continuarem tocando, surgindo, assim, o grupo musical Bandolins de Oeiras, formado por senhoras na faixa etária de 65 a 80 anos: Lilália Freitas, Petronília (Petinha) Amorim, Rosário Lemos, Niêta Maranhão e Maria José Ferreira (Zezé Cabeceira). O grupo tem, além dos bandolins, dois violões e um pandeiro.



É verdade que a agenda das “meninas de Oeiras” não pode ser recheada de eventos constantes, mas certos convites são irrecusáveis, como os relativos ao Festival Interartes, em 2004, no Parque Nacional da Serra da Capivara (São Raimundo Nonato – PI) e ao I Festival de Cultura de Três Fronteiras, também em 2004, na cidade argentina de Puerto Iguazu.


As "meninas" do grupo Bandolins de Oeiras sendo entrevistadas, por Jô Soares, em 2008.



No repertório do grupo, muitos chorinhos e valsas e, de vez em quando, um sambinha, pois como bem diz Dorival Caymmi “quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”. Entre as valsas, fazem questão de tocar as do conterrâneo Possidônio Queiroz, compositor autodidata que emociona a todos pela delicadeza dos seus arranjos e cuja obra felizmente foi resgatada no CD Valsas Piauienses, belo trabalho do professor, pesquisador e maestro Emmanuel Coelho Maciel.




 

"Cecy Carmo" (Possidônio Queiroz) # Grupo Bandolins de Oeiras

 



"André de sapato novo" (André Vitor Correia) # Grupo Bandolins de Oeiras.



 

O coroamento de todo esse trabalho se traduziu em homenagem ocorrida dia 08 de novembro de 2005, em Brasília, com o recebimento da insígnia da Ordem do Mérito Cultural, em meio a outras personalidades da cena cultural brasileira, como João Gilberto, Egberto Gismonti, Maria Bethânia, Augusto Boal e Ziraldo, entre outros.


Com o avanço da idade das "meninas", atualmente variando de 75 e 88 anos, o receio dos piauienses consistia na não continuidade desse trabalho, o qual foi solucionado com a criação do grupo "Novos Bandolins de Oeiras", assegurando o legado do grupo original.



Nós, piauienses, aplaudimos com orgulho os grupos musicais Bandolins de Oeiras e Novos Bandolins de Oeiras por manter acesa, no dedilhar das cordas do bandolim, o legado histórico e cultural do povo piauiense e a tradição do Choro.


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Fonte: Fragmento do texto "A Saga do Choro no Piauí", de Laura Macedo.

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Comentário de moacir oliveira em 11 janeiro 2010 às 10:14
Ouvindo e conhecendo,o melhor de nossa música.Parabéns Laura!!!

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