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Bastidores da ópera Andrea Chénier envolvem e emocionam profissionais

  • 23/10/2010 13:40





    BELO HORIZONTE [ ABN NEWS ]
    — O Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, recebe, pela primeira vez, a ópera Andrea Chénier, de Umberto Giordano. A montagem integra a Temporada de Óperas 2010 da Fundação Clóvis Salgado (FCS) e fica em cartaz de 22 a 27 de outubro. No palco, a Orquestra Filarmônica, o Coral Lírico de Minas Gerais e solistas convidados dão vida à história de paixão e luta de um poeta durante a Revolução Francesa.

    Jovens artistas e técnicos também trabalham sem descanso, como é o caso dos alunos do programa Valores de Minas, do Projeto Gente de Ouro, e dos estudantes de Design de Moda da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), todos convidados a dividir palco e bastidores com os profissionais da casa, colocando em prática os ensinamentos recebidos nas salas de aula.

    Emoção atrás das cortinas

    Aos 17 anos, Gislaine Reis sente que seus sonhos começam a tomar formas reais. Integrante do projeto Valores de Minas e moradora da cidade de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ela sempre desejou assistir uma ópera. Agora, Gislaine vai além e faz o espetáculo acontecer, integrando a equipe de figuração e pisando, pela primeira vez, nos palcos do Grande Teatro do Palácio das Artes.

    Encantada com os cenários, figurinos e com o desempenho dos solistas, ela conta que está se tornando verdadeira fã dos cantores. “Passar para o corpo aquilo que você quer dizer, é muito especial, tem um significado muito grande”, revela ela, que é também estudante de viola e deseja ser atriz. Mais especial ainda é o sentimento de se ver fazendo aquilo que sempre sonhou, e hoje, quando a mãe de Gislaine vem assistir o ensaio geral do espetáculo, com certeza a emoção será redobrada.

    A cabeleireira Dora Alves é outra pessoa que, ao falar sobre sua participação nos bastidores da ópera, já fica com os olhos marejados. Tendo realizado o seu primeiro trabalho no Palácio das Artes há 20, ela conta que sempre que passava em frente ao complexo da avenida Afonso Pena, pensava como seria trabalhar ali.

    Hoje, Dora não realiza somente o seu sonho como também o de muitas meninas, que ela atende em seu projeto voluntário e as leva para conhecer o que acontece atrás das cortinas do Grande Teatro. “É uma emoção muito grande quando você vê, no palco, o resultado do seu trabalho”, afirma a cabeleireira responsável pela caracterização das solistas principais.

    O espetáculo

    Andrea Chénier tem direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro, direção de cena de André Heller-Lopes, cenários de Renato Theobaldo, figurinos de Fábio Namatame e iluminação de Fábio Retti. No elenco, solistas de renome internacional: Martin Muehle e Eric Herrero (Andrea Chénier), Edna d’Oliveira e Janette Dornellas (Maddalena), Lício Bruno e Rodolfo Giugliani (Gerard), Rita Medeiros (Bersi), Luciana Monteiro (Condessa de Coigny), Igor Vieira (Mathieu / Fleville), Flavio Leite (Incredibile / Abade), Ruth Staerck (Madelon), Cristiano Rocha e Murilo Neves (Roucher), Franklin Castilho (Fouquier Tinville) e Sergio Cunha (Mordomo / Dumas / Carcereiro).

    Uma ópera no cinema

    A obra tornou-se conhecida do grande público em 1993, com o filme Filadélfia, de Jonathan Demme. A produção narra o drama do advogado demitido após contrair o vírus HIV, e tem um de seus momentos mais fortes quando o personagem principal, interpretado por Tom Hanks, escuta a ária La Mamma Morta, na voz de Maria Callas. Ao narrar o canto de Maddalena, que teve sua mãe assassinada, Tom Hanks consegue mostrar para o público toda a dor e o sofrimento que têm dilacerado sua alma na história.

    Andrea Chénier

    A ópera de Umberto Giordano é baseada na vida do poeta francês André Chénier (1762 - 1794), que foi executado durante a Revolução Francesa. A obra de Umberto Giordano é composta de quatro atos e tem libreto de Luigi Illica. A primeira apresentação da ópera aconteceu no Teatro Scala, em Milão, em 1896. Na ópera, Andrea Chénier é um poeta popular que frequentava as altas rodas da elite francesa e é convidado a unir-se ao movimento revolucionário. O poeta, apaixonado por uma aristocrata, acaba se tornando um homem procurado pelas tropas de Robespierre.





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Comentário de Henrique Marques Porto em 24 outubro 2010 às 17:11
Oscar,

Essa ópera é belíssima. História de amor em meio a uma revolução radical como a francesa dificilmente acaba bem, mas rende ótimas peças, filmes e óperas. Umberto Giordano foi muito feliz ao compôr o Andrea. Todas as árias que compôs para os personagens principais ficaram muito conhecidas do público e são insdispensáveis nos repertórios de tenores, sopranos e barítonos. Tenores dramáticos e de timbre viril fazem a festa na pele do poeta Andrea Chénier, mas também os tenores de vozes mais líricas podem fazer sucesso com o papel -caso de Beniaminio Gigli, por exemplo.
Essa montagem mineira parece que tem muitas qualidades. Não conheço bem todas as vozes. O tenor paulistano Eric Herrero possui um belo timbre, é jovem e tem muito futuro. Rodolfo Giugliani é ótimo barítono. A voz lembra um pouco a de Lourival Braga -que o público atual não chegou a conhecer. A técnica não é refinada, mas a voz é generosa, o que facilita muito. Já Licio Bruno, que revezará com ele no Gerard, não me parece ter voz adequada para o papel. Edna d'Oliveira ouvi pouco, e quanto à Janette Dornellas acho que sua voz metálica será posta à prova nas delicadezas de Madalena.
De toda a forma a montagem do Palácio das Artes me deixou curioso e suscitou uma pergunta: por que não trazer esse espetáculo para o Rio ou levá-lo a São Paulo? Principalmente para o Rio, onde a ópera no suntuoso e reformado Teatro Municipal é tão rara quanto a água no deserto. E não aceitaria a eterna desculpa da "falta de verba", pois seriam montagens de baixo custo.
Por fim, uma confissão: eu gostaria de ter sido violoncelista entre outras razões só para tocar a introdução e fazer os contrapontos de La mamma morta. Aprille Milo em grande estilo no vídeo que você postou!
Mas houve uma cantora que fez sucesso singular nessa ópera, Lina Bruna-Rasa. Soprano dramático da típica escola clássica italiana, assim como Aprile. Tenho a gravação completa (de 1931) de um Andrea Chénier com Bruna-Rasa e o grandíssimo Carlo Galeffi no Gerard.

abração
Henrique Marques Porto

Lina Bruna-Rasa - La mamma morta - com Carlo Galeffi na sequência



Piero Cappuccilli - Andrea Chenier - Nemico dalla Patria (3º acto)

Franco Corelli - Renata Tebaldi - Andrea Chenier final duo

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