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Por Edmar de Almeida, do Blog Infopetro

A licitação da hidroelétrica de Belo Monte suscitou um grande debate na sociedade brasileira sobre a viabilidade econômica e ambiental do projeto. Um grande número de agentes políticos e econômicos vem apontando os aspectos negativos do ponto de vista ambiental, econômico e mesmo eleitoral do projeto. Quase sempre aqueles que buscam apontar os problemas do projeto eximem-se de analisar quais seriam as vantagens e desvantagens das alternativas energéticas a Belo Monte. E o faz porque no nosso imaginário a escassez não é uma questão a ser pensada. A falsa premissa do debate sobre Belo Monte no Brasil é que existem opções muito melhores do ponto de vista econômico e ambiental à construção da usina no rio Xingu.

Uma boa parte da polêmica em torno de Belo Monte se deve ao que podemos chamar de paradoxo da abundância. Na grande maioria dos países industrializados, o potencial energético não é abundante. Nestes países, o planejamento da expansão do setor elétrico deve gerenciar a escassez e optar entre segurança de abastecimento, modicidade tarifária e sustentabilidade ambiental. Na China, por exemplo, onde carvão é a única fonte disponível para garantir a segurança do abastecimento de eletricidade, certamente Belo Monte não geraria a mesma polêmica.

Se, por um lado, o Brasil é privilegiado, apresentando uma abundância de recursos energéticos, por outro lado, não é razoável que o debate ignore totalmente a comparação destas alternativas, como vem acontecendo. A abundância de recursos energéticos, para se transformar em vantagens comparativas para o Brasil, requer uma discussão com responsabilidade. O Brasil é o único país industrializado em que ainda existe um grande potencial de geração hidrelétrica. Este potencial foi aproveitado até o seu esgotamento na Europa e nos Estados Unidos. Ao abrir mão de aproveitar o restante do seu potencial hidráulico, o Brasil estará optando por utilizar de forma muito mais intensiva as outras fontes energéticas convencionais como óleo, carvão, gás natural e nuclear.

Vale ressaltar que o debate sobre Belo Monte não restringe à decisão de fazer ou não esta hidrelétrica específica. Discutir Belo Monte significa discutir se o país vai aproveitar ou não o potencial hidrelétrico da Amazônia. Cerca de 70% do potencial hidrelétrico brasileiro encontra-se na Região Amazônica. Certamente, boa parte das razões alegadas para não fazer Belo Monte se aplicaria também a todos os empreendimentos hidrelétricos na região. Portanto, a discussão sobre Belo Monte é fundamental para o futuro do aproveitamento hidroelétrico Brasileiro e para o futuro energético nacional. (...) continua no blog Infopetro

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Comentário de Olavo Marques em 4 maio 2010 às 5:52
Ronaldo, muito bem pontuado o texto em relação à Belo Monte, só gostaria de perguntar algo um pouco além do que você discutiu, quando você diz "no nosso imaginário a escassez não é uma questão a ser pensada" vc quer dizer que sem Belo Monte a escassesz será realmente um problema? Isso tem relação com o período de racionamento que tivemos no passado, ou melhor, Belo Monte é uma garantia para o fornecimento de energia no futuro ou atualmente já é necessária sua construção? Ou melhor ainda, energia está em falta no brasil?
Comentário de Ronaldo Bicalho em 4 maio 2010 às 13:57
Olavo,

O que o meu colega Edmar procurou chamar a atenção é que dada a diversidade e a generosidade da matriz de recursos naturais do Brasil a oferta de energia já está naturalmente garantida. Isto não é verdade. Esta oferta é uma construção trabalhosa e que envolve uma série de escolhas. Belo Monte é uma dessas escolhas. E mais importante: é uma escolha que envolve o aproveitamento ou não do potencial hidroelétrico da Amazônia. Esta é a questão fundamental de Belo Monte.

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