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Blog do Azenha: O que se esconde por trás do discurso de combate às mudanças do clima


Comentário: Azenha escreve preto no branco, o resto é "conversa pra inglês ver", ou conversa pra boi dormir. Essa história de "concenso geral", mesmo na área científica, que muitas vezes se descobre depois que são "pseudo" ciências, embalada em fórmulas geniais e muitas vezes com nobel a tira colo (sic!). Falam que brasilero é piada pronta. O que dizer do Nobel da Paz para Obama?
Se isso não for uma piada pronta global, o que será? (é bem provável que o macaco Simão não tenha deixado escapar isso, a conferir).
Quem não se lembra do último famigerado "concenso de Washington" (dos países do norte)? Deu no que deu, o mundo pobre é o que vai pagar a maior parte do pato, outra vez. É preciso ouvir melhor os cientistas dissidentes, ATENÇÃO:não estou aqui defendendo os "pseudos" cientístas neocons do império, falo de cientístas que precisam ser ouvidos sim, precisamos aprender com todos, principalmente com a China.
Sds

O que se esconde por trás do discurso de combate às mudanças do clima
Atualizado em 18 de dezembro de 2009 às 14:38 | Publicado em 18 de dezembro de 2009 às 14:31

por Luiz Carlos Azenha

Não pretendo discutir, aqui, se de fato o clima no mundo está ou não mudando, se sempre mudou porque a Terra está em constante transformação, se a atividade do homem na Terra colaborou com o aquecimento global e outros temas. Fiquem à vontade para fazê-lo nos comentários. Não acho que o assunto esteja definitivamente encerrado, pois o cigarro um dia vendido de forma glamourosa causava câncer e o fim do mundo por causa do bug do milênio não se materializou.

O que me interessa é discutir o que se esconde por trás do discurso oficial das grandes nações do planeta.

Sabemos que os Estados Unidos e a União Europeia se desenvolveram tirando proveito de todos os seus recursos naturais e mais daqueles que estavam ao alcance de sua expansão imperial na Ásia, na África e na América Latina. Este é um dado histórico, incontestável. Basta analisar, por exemplo, a empresa da escravidão dos negros africanos, mão de obra gratuita que trabalhou as terras brasileiras, que exportou no açúcar a água e o poder energético do sol colhidos no Brasil para abastecer as mesas do nascente mercado consumidor. Basta ver a degradação ambiental promovida pela industrialização dos grandes centros urbanos dos Estados Unidos, a poluição dos rios europeus e os grandes projetos de mineração, de construção de represas ou ferrovias que varreram montanhas, florestas e rios do mapa.

É óbvio que, como grandes poluidores do meio ambiente, os Estados Unidos, as nações europeias e o Japão devem contribuir proporcionalmente com os esforços para mitigar as mudanças climáticas com as quais eventualmente tenham contribuído.

É óbvio, igualmente, que os paises em desenvolvimento -- como o Brasil, a Índia e a China -- podem e devem, na medida de suas possibilidades, adotar políticas públicas distintas daquelas praticadas anteriormente pelos grandes devastadores, por todos os motivos do mundo: a degradação ambiental é, também, degradação humana; ela embute custos que, mais tarde, serão pagos pela própria sociedade que a pratica (as doenças ambientais, por exemplo); o consumismo desenfreado é uma impossibilidade material para uma sociedade que realmente se pretende democrática (que garanta que a população realmente desfrute dos recursos naturais de forma equânime).

Dito isso, é sempre importante lembrar que os Estados Unidos, os europeus e os japoneses seguem sendo os maiores consumidores de recursos naturais do planeta, muitos dos quais obtidos na África, na Ásia e na América Latina. Que a matriz energética dos Estados Unidos continua fortemente dependente do carvão (responsável pela produção de quase 50% da energia elétrica do país) e que a matriz energética da China é fortemente dependente do carvão (65% da energia elétrica do país).

Que, enquanto nos fóruns internacionais, esses países se dizem interessados em combater o aquecimento global, internamente poucas medidas práticas ambos tomam para fazê-lo, colocando sempre o consumo e o bem-estar de suas próprias populações acima de objetivos genéricos do planeta.

Que os grandes poluidores são também aqueles com maior capacidade humana e financeira para desenvolver as novas tecnologias ligadas à produção de energia limpa.

Fiquem alertas, pois, para a seguinte possibilidade: eles vão explorar todos os recursos naturais disponíveis em seus próprios territórios enquanto nos acusam de degradar o meio ambiente e ao mesmo tempo vão faturar nos vendendo a tecnologia necessária para produzir energia limpa. Resumo do filme: Não faça o que eu faço e pague para não fazer o que faço. É preciso ter cuidado para não cair nessa armadilha neocolonial.

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Tags: azenha

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 19 dezembro 2009 às 11:12
Blog do Azenha:
Stedile: Copenhague e suas falsas soluções
Atualizado e Publicado em 19 de dezembro de 2009 às 01:28

Copenhague e suas falsas soluções

18 de dezembro de 2009

Por João Pedro Stedile

A Conferência em Copenhague não vem tratando sobre o clima e suas mudanças. Trata, sim, de uma avançada engenharia financeira para a consolidação e expansão do que se convencionou chamar capitalismo verde.

Isso se comprova facilmente pela vitória dos mecanismos de mercado sobre as propostas de fundos públicos, pelo avanço dos agrocombustíveis e dos transgênicos resistentes a um clima mais adverso. Tudo construído e legitimado pelo processo decadente da democracia representativa, na qual os povos de todo o mundo, diretamente afetados pelo aquecimento global e as mudanças climáticas, não têm voz.

Entretanto, no Clima Fórum, espaço paralelo ao oficial, construiu-se outra perspectiva. A compreensão de que o sistema tem que mudar, e não o clima, foi um dos consensos mais fortes. É necessária uma mudança estrutural em direção a um sistema que não tenha como seu único objetivo a acumulação privada, mas sim as necessidades humanas.

A Via Campesina Internacional, que congrega 148 organizações de 68 países, possui a mesma compreensão. A agricultura industrial capitalista tem imensa responsabilidade nas mudanças climáticas, seja pela utilização intensiva de insumos químicos, seja pela devastação florestal que promove. Somente a agricultura camponesa, com suas agroindústrias e distribuição de seus produtos, pode alimentar a humanidade com base em sistemas agroecológicos, que acumulam carbono e preservam o meio ambiente.

A COP15 tem como resultado uma colcha de retalhos de falsas soluções. Antes que a humanidade pague a conta destas aventuras capitalistas, a proposta popular de Copenhague precisa ser levada a cabo. Somente quando a humanidade se libertar dos interesses pelo lucro, poderá utilizar sua capacidade para consolidar sistemas urbanos e camponeses sustentáveis. Assim, teremos soluções reais para os atuais problemas ambientais.

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