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Nesta terça-feira começa mais uma edição do Big Brother Brasil. Há mais de um mês já podíamos assistir às chamadas da atração na TV Globo. Existem aqueles que dizem que mal podem esperar janeiro chegar para começarem a espionar os participantes do reality show.

Não é minha pretensão aqui discutir a qualidade do conteúdo ou mesmo a postura de quem se dedica a acompanhar o cotidiano de pessoas até então anônimas e que viram verdadeiras celebridades, mesmo que momentâneas. A idéia é provocar a reflexão sobre como, não só o brasileiro, mas também pessoas de muitas outras nações, cada vez mais buscam saber mais sobre a intimidade do outro.

Essa invasão da privacidade permitida já se tornou um hábito irresistível para milhões de pessoas no mundo todo. Artistas, celebridades contam as suas vidas em blogs, fotologs etc. Exibem páginas na internet do nascimento de seus filhos ou simplesmente de uma ida ao shopping em um dia de folga. Saber qual é o novo "afair" de Carol Castro ou ver fotos do presidente da França de férias com a esposa no Brasil, passaram a ser uma necessidade? Ou simplesmente uma questão de facilidade de acesso às informações que pouco acrescentam em nossas vidas?

O entretenimento, a diversão também fazem parte da função da mídia. Hoje a rapidez com que se fica sabendo dos fatos e a capacidade que os veículos de comunicação têm em mostrar e comprovar o que estão dizendo, servem para "aguçar" ainda mais os curiosos.

O que acontece na TV ou na intimidade do outro passa a interessar aqueles que nada têm a ver com o fato em si, mas que transformam esse outro em alguém próximo, na medida em que acompanham suas vidas, seus costumes. Portanto, ver o primeiro dia do BBB hoje significa, muitas vezes, não ficar de fora amanhã de manhã das rodinhas de bate papo por aí. Pensem nisso...



Taís Alves

Exibições: 1

Comentário de Sérgio Troncoso em 12 janeiro 2009 às 20:07
A introjeção das realidades alheias através dos meios midiáticos em geral e da TV em particular,apenas garantem sensação de protagonismo barato de forma emprestada aos outros.Dose de sossega massa humana na veia e a baixo custo.Os chamados reality shows,nada mais são que novas versões da obtenção dessas sensações hedonistas ou não introjetadas.São a reinvenção do trabalho social que foi dado às TVs.São o nosso "soma" (lembra de Adimirável Mundo Novo?).A chave importante que vejo na questão,é o fato de sair mais barato e menos complicado do que colocar as pessoas do povo,para terem suas próprias histórias ou seu próprio protagonismo individualmente.Daí vem questões culturais que desenvolvo mais prá frente se você "gostar" e me "provocar" a respeito dessa linha que dei no teu tópico.Se achar que não escrevi coisa com coisa,fico por aqui.Abraço,Sérgio.
Comentário de Antonio Barbosa Filho em 12 janeiro 2009 às 20:22
Foi aqui na Holanda que inventaram este programa ridículo! Mas só no Brasil ele dura tanto, com tantas versões anuais. É uma lástima que a principal rede de TV fature tanto com a ignorância de participantes e da audi6encia. Este voyerismo aliena as pessoas, toma-lhes tempo - e dinheiro! Não defendo uma TV só cultural, claro, mas há entrenimentos mais saudáveis do que este. Pior é que os participantes deste jogo manipulado viram "celebridades", ou seja, dão um péssimo exemplo de como vencer da vida (nem tanto assim, claro) sendo medíocre.
Comentário de Taís Alves em 13 janeiro 2009 às 8:44
Sérgio, gostei da "dose de sossega a massa humana". É por aí mesmo. Alguns têm a sensação de que também podem se tornar artistas, celebridades como aqueles que entraram na casa. Fazem de tudo para não perder a atração. Assinam até o provedor da Globo para terem acesso por 24 horas. Mas não vejo como reinvenção do trabalho social da TV. Como você observa isso? Pela distribuição do prêmio? Um abraço Taís
Comentário de Taís Alves em 13 janeiro 2009 às 8:46
Antonio, também penso assim. A questão é que o programa no Brasil já faz parte do imaginário de muuuuuuuuuuita gente. Milhões querem entrar para a casa mais famosa e vigiada do país, para conseguir ficar famosos e ricos. A emissora, que vive de audiência, ganha porque consegue os maiores patrocinadores.
Comentário de Sérgio Troncoso em 13 janeiro 2009 às 9:09
Taís,não me refiro a trabalho social da TV no sentido cultural,passatempo saudável e sequer distribuidor de renda.Me refiro ao atual trabalho social de apaziguamento das massas que ela executa.Em minha opinião,as emissoras abertas estão com essa função nas mãos.E mais,isso é de caso pensado.Elas estão encarregadas de fazer girar a roda sócio-cultural estimuladora das sensações hedonistas.E o truque psicológico adotado é o estilo daquela antiga propaganda da tostines,ou seja,vende produto de baixa cultura e produz a vontade de comsumir mais ainda essa mesma baixa cultura num círculo vicioso.Se o sujeito só come lixo todo dia,êle acostuma.Pensa que não?Alienação e ignorância são fatores de aumento da felicidade geral popular a baixo custo.E isso óbviamente não é bom para o progresso social como um todo.
Comentário de Taís Alves em 14 janeiro 2009 às 9:28
Você está certo. É aquela velha história que eu digo para meus alunos: quem disse que o povo gosta é de ver sangue nas capas dos jornais ou assistir somente à violência e saber da vida privada dos artistas? É que ultimamente isso está virando tão comum que muitos acabam acreditando que é bom ter noção sobre esses fatos para ter assunto nas rodinhas de bate papo. É o gosto criado pela mídia. Será que estamos voltando aos telespectadores passivos da Escola de Frankfurt e da Indústria Cultural?

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