Assídua leitora do blog do Instituto Moreira Salles (IMS) deparei-me, hoje, com a postagem de Paulo da Costa e Silva, coordenador da Rádio Batuta do referido Instituto.

Foi uma surpresa e tanto, pois, assim como ele, eu sempre tive um fascínio por duas músicas do reduzido repertório do compositor/violonista Bororó(1898-1986): “Da cor do pecado” e “Curare”, as quais considero atemporais.

 

 

 

Da cor do pecado” (Bororó [Alberto de Castro Simões da Silva]) # Sílvio Caldas. Disco Victor (34485-B) / Matriz (33114). Gravação (6/7/1939) / Lançamento (setembro/1939).

 

 

 

 

No livro - A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello relatam que “a musa dos versos chamava-se Felicidade, uma mulher de vida pregressa pouco recomendável, que trabalhava em frente ao Tribunal de Justiça e lhe foi apresentada por Jaime Távora, oficial do gabinete do ministro José Américo. Iniciou-se assim um romance de vários anos em que Bororó foi responsável pela mudança de vida da moça. Mais tarde ela se casaria com um médico, tendo morrido ainda jovem em conseqüência de uma gripe mal curada”.

 

“Da cor do pecado” permanece como um clássico sendo gravada por grandes nomes da nossa MPB como Elis Regina, João Gilberto, Nara Leão, Ney Matogrosso, Jacob do Bandolim e Luíz Bonfá.

 

 

 

 

 

 

Curare” (Bororó) # Orlando Silva. 1940.

 

 

 

 

 

 

 

Bororó foi o padrinho da carreira de Orlando Silva, que em 1939 ficou enciumado por não ter gravado “Da cor do pecado”, lançado por Sílvio Caldas. Então Bororó deu-lhe “Curare”, como compensação. Além da letra brejeira, a construção harmônica da segunda parte, especialmente a frase final, tornam esta música atraente para intérpretes, como João Gilberto, interessados em músicas de concepção mais elaborada.

 

 

 

 

As duas canções-mestras de Bororó elevam o erotismo que desde cedo embalou a sensibilidade e o sentimento musical do povo brasileiro a um nível tão extremo de realização, que nele já não se acha qualquer vestígio de vulgaridade. E o curioso é que esse erotismo puro, decantado, seja alcançado não por uma recusa ou por um distanciamento dos elementos tradicionalmente tidos como vulgares (a carne, o sexo), mas pela exaltação livre destes mesmos elementos. Por uma série de manobras poético-musicais, nas duas canções o corpo é plenamente afirmado em sua alegria física, sem que venha a se tornar uma coisa, um objeto oco, sem rosto, em total submissão frente aos impulsos básicos do organismo, da matéria”. (Paulo da Costa e Silva).

 

A Rádio Batuta, do IMS, inaugura uma nova série – Tubo de Ensaio – estreando com “O leve veneno de Bororó”. Vale a pena conferir.

Confira, também, o excelente post - “O erotismo puro de Bororó”.

 

 

Mulata em rua vermelha”, quadro de Di Cavalcanti, 1960.

 

 

 

 

 

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Fonte:

- A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1997.
-Site e blog do IMS.

 

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