Brasil, a primeira sociedade afluente dos trópicos? Brasil, desenvolver um século numa geração?

Comentário e lingela contribuição ao novo capítulo da série sobre as oportunidades que a crise mundial abre para o Brasil. Post do Nassif: A implosão da economia ocidental

 

Caros Nassif e geonautas,

Como alguém já disse, nos últimos séculos, o ocidente só inventou o ‘pensamente crítico’, tudo o mais foi inventado pela China/oriente.

O Nassif ao fazer referência a China (re-emergente, Dominique Moïsi): “Que movimento a China irá fazer? Não se pode esquecer que sua formação é de Império.”

Gostaria de lembrar, claro, sem paralelo com a China milenar, mas também fomos ‘Império’ depois da colônia. Império que tinha planos de expansão no continente Sul Americano, como os cinco planos viários do Império (de 1840 à 1870), do qual um dos engenheiros (para não passar em branco a data de amanhã), era um negro, André Rebouças, hoje Av. Rebouças, a qual poucos sabem ou ligam o nome a história.

Seria interessante lembrar um fato do início dos anos 70’s, em que o então secretário dos EUA, Henry Kissinger, perguntou ao Primeiro ministro Chinês, Zhou En Lai, o que ele pensava (perspectiva histórica) sobre a revolução francesa. A resposta com a tranqüilidade de quem tem 5 mil anos de história: “É ainda muito cedo para dizer” (‘it was too early to tell’).

A nossa posição de país emergente, como poucos outros, acontece dentro dessa perspectiva, nesse quadro global, nesse cenário de um mundo pós ocidental da China re-emergente e do centro de gravidade da economia mundial mudando-se, rapidamente, do ocidente para a Ásia (Giovanni Arrighi).

As duas perguntas que formulei no início: Brasil, a primeira sociedade afluente dos trópicos? Brasil, desenvolver um século numa geração? Estão dentro desta perspectiva global, deste novo quadro da geopolítica. Do Brasil dos anos 50’s com JK, “Crescer 50 anos em 5”, ao cenário de um mundo pós ocidental, em outras palavras, 5 anos de governo Bush foi o bastante para se antecipar em 50 anos o debate da hegemonia americana, um feito histórico e inimaginável.

Minha tendência, em linhas gerais, nas questões geopolíticas, é acompanhar as Teses do Prof. Fiori, embora goste das explicações de Dominique Moïsi do mundo pós ocidental, por exemplo, o ataques da OTAN na Líbia, apesar de terem sido legais, ou seja, autorizados pela ONU, com argumentos de “Direitos Humanos”, não se sustentam, trata-se, diz ele, da terceira fase da colonização da África, e de bloquear o avanço dos Chineses no continente. É bom lembrar que os EUA também tentou fazer a guerra do Iraque de forma legal, pela ONU, como não conseguiu pela lei, foi pela lei do mais forte.

“A guerra é a continuação da política por outros meios” (Karl von Clausewitz, séc. XIX)

Assim como argumentou Fiori sobre os EUA, quando este estava ativando a IV Frota nos mares sul americano após a descoberta do Pré-Sal, dizendo que o objetivo era garantir o comercio marítimo na região, “mas quem tem poderes para garantir o comercio também tem poderes para interromper o mesmo”.

 É o caso e a novela do Irã, “aos amigos tudo aos inimigos a lei”.

O circulo se fecha, essa visão de separação inicial entre EUA e Europa já foi resolvido, apesar dos erros e exageros do 'hardpower' e da prepotência do governo dos EUA na década passada, o fato é que, hoje o núcleo dos países da Europa estão alinhados novamente com os EUA na questão geopolítica global, o que não ocorreu no início da década passada, o mundo disse após os atentados as torres gêmeas, “agora somos todos americanos”, para logo em seguida, França e Alemanha discordarem do caminho a ser trilhado pela potência hegemônica, mas o tempo passou e agora estão todos falando a mesma língua, contra o Irá, e para bloquear a China por tabela, seja nos oleodutos e gasodutos, etc. O jogo dos neocons continua no tabuleiro, com Obama &cia.

 

Ao assistir o vídeo de Richard Wilkinson (2), tive a impressão que o mundo neoliberal nessas últimas décadas aprendeu muito e copiou as nossas elites, principalmente em duas questões:

1-      Quando no governo, jamais defender o povo

2-     Copiar as desigualdades econômicas que as elites tupiniquim praticam a séculos no país da ‘Casa Grande e da Senzala’.

 

A palestra do Otaviano Canuto (alias tanto ele como Dominique Moïsi (FAAP), começaram a palestra falando em mudanças de placas tectônicas no mundo), relembrou-me uma clara relação entre o que disse Canuto sobre o mundo e o Brasil, pois também estamos com sinalizações de revoluções, não ‘revolução francesa’, mas revoluções silenciosas e profundas que se percebe nos pequenos detalhes, certamente, tema para teses e mestrados nas novas universidades.

O IBGE mostra que a taxa de natalidade em algumas cidades de São Paulo (1,5), está abaixo da média nacional (1,8), ou seja isso leva a crer que cidades do Norte, Nordeste e Centro-oeste brasileiro estão acima de 2,0, o Brasil cresceu a média de 4% nos últimos anos, mas o nordeste cresce a taxa chinesa, em 2009, o PIB do Brasil foi -0,5%, o do Nordeste foi acima 2%. A locomotiva de São Paulo está sendo atrocada atrás do ‘trem bala’ da ‘PETROBRASIL’, e isso incomoda a elite paulista que tem em seu brasão a frase em latim, ‘Non ducor duco’ ( não sou conduzido, conduzo).

 

As oportunidades estão sorrindo para as regiões pobres do Brasil e para o Brasil, mas o futuro não é dado, tem e deve ser construído, perder esse bonde da história, pode significar perder o século, vale lembrar o mestre Celso Furtado, que percebeu essas mudanças de rearranjos de forças globais no pós segunda guerra, o resto é história.

 

Creio, desejo, sonho e vejo, que dessa efervescência está nascendo uma nova elite brasileira, essas próximos décadas será palco dessa luta, uma nova elite que tenha compromisso com o povo.

Quem viver verá!

Sds,

 

Referências: 

1-      Otaviano Canuto : As Economias em Desenvolvimento como Locomotivas da Economia Global (palestra inicia aos 15 min.).

2-     Richard Wilkinson: Como a desigualdade econômica prejudica as socie....

3-     Dominique Moisi at Facing Tomorrow – Mundo Pós-Ocidental (Conferencial em Israel, Julho/agosto de 2011, fiz uma transcrição-livre da fala dele; P.S.: Ele falou na FAAP/iFHC em 08/11/11, não achei o vídeo).

4-     Niall Ferguson at Facing Tomorrow ( diria que ele fala pelos neocons).

5-     ADAM SMITH IN BEIJING, Giovanni Arrighi.

6-     Teses do Prof. José Luis Fiori, (site).

7-     MITO MODERNO DA NATUREZA INTOCADA, Antonio Carlos Diegues

8-     Nova História em Perspectiva, Fernando A. Novais e Rogério Forastieri da Silva (orgs.)

9-     No Espelho da China, Antonio Barros de Castro,

10-   EUA e China: "jogo de xadrez, sem xeque-mate"? (Artigo de José Luis Fiori: O Xadrez chinês)

11-   Dobrando à aposta de JK (50 anos em 5): Crescer 100 anos numa geração (16/08/2009)

12-   Pré-Sal: Setor investirá U$1 Trilhão até 2020 (30/08/2011)

13-   Brasil, a sociedade afluente? (31/08/2011)

14-   A pergunta do Giannotti(29/08/2011)

15-   Destinos do lulismo -- José Arthur Giannotti e André Singer- Parte 1

16-   Martin Jacques: "When China Rules the World"

17-   Martin Jacques, vídeo: A civilização chinesa (e não nação), na visão de um think-tank marx...

18-   Martin Jacques spoke about the book at Harvard University on 12th November 2009:

        Watch the program  (comentário de Conti-Bosso em 26 janeiro 2011 às 21:29).  

19-   China: Rising Power (Economist, special report) (Post de 01/09/11)

20-   Jorge Arbache_O canto da Sereia (Agosto/2011: copy available at:  http://ssrn.com/abstract=1917593)

21-      Richard Wilkinson: A elite global copiou a elite tupiniquim?

            (P.S.: Aparenta que a elite global (rica) está aprendendo com a elite tuniniquim).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 22 novembro 2011 às 10:23

Como o Brasil poderá se beneficiar da crise - 6


Coluna Econômica - 22/11/2011

Chegou a hora de convocar os formuladores de futuro.

Não dá mais para encarar a crise global apenas de forma defensiva, tendo como único objetivo minimizar seus efeitos sobre o Brasil. A crise abre a oportunidade histórica do Brasil dar um salto. Mas exige-se, antes, visão estratégica.

No governo Collor, houve um ensaio de visão estratégica nos estudos de Eliezer Baptista para a integração do continente. No governo Lula, criou-se a Secretaria de Assuntos Especiais, montou-se o projeto Brasil em 2 Tempos, visando desenvolver essa visão. O projeto foi tocado pelo coronel Oliva, com um grau de sofisticação analítica excepcional.

Havia um problema nele. Eram formulações por demais sofisticadas para haver um elo automático com o dia-a-dia de governo. Havia a necessidade de um órgão intermediário – possivelmente a própria Casa Civil – assimilando os conceitos, enriquecendo-os e definindo o modo de casar as políticas públicas com os objetivos de longo prazo.

Mas não ocorreu.


Em seguida, assumiu o advogado Roberto Mangabeira Unger, que atuou – de forma inteligente – como uma espécie de propagandista das ideias chaves de cada ministério. Conversava com o Ministro, assimilava o que havia de relevante no trabalho (em cima da visão de futuro) e propagandeava, Foi eficaz.

Mas até agora a questão estratégica foi tratada como gambiarra. Avançou-se na coordenação de projetos – como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) -, na definição de políticas multissetoriais (como o Brasil Sem Miséria).

Mas todos esses programas contemplam o que existe. Não há uma ação coordenada, sequer estudos sistematizados, que indiquem para onde caminhar, em um mundo que passa pelas mais profundas transformações desde a Primeira Guerra.

Há novos paradigmas que são intocáveis.

O primeiro é o da sustentabilidade. A médio prazo haverá uma mudança radical no modelo econômico atual, baseado no desperdício dos recursos naturais, na obsolescência planejada, no consumismo desenfreado, na vida em torno das megalópoles. E sob esse prima deve haver ênfase total na nova economia dos trópicos, no uso sustentado e tecnologicamente avançado das florestas tropicais e da agricultura sustentada.

O segundo paradigma é o da inovação.

E aí há que se identificar as áreas prioritárias.

Como explica o Secretário Executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antônio Elias, o diferencial de crescimento brasileiro se dará nas áreas de alimento, petróleo e gás.

O país precisa diversificar cada vez mais sua agricultura, saindo do binômio cana-soja.

O terceiro paradigma é o da infraestrutura. Para tanto, não se pode sangrar o pré-sal. Ele precisa ser visto como eixo estruturante do desenvolvimento brasileiro nas próximas décadas.

O país já tem o melhor ambiente regulatório do mundo, diz Elias, todas as leis internacionais estão adaptadas aqui, o da propriedade industrial, da inovação, de incentivos fiscais, contratos com credibilidade. É um enorme celeiro de oportunidades para as grandes multinacionais.

Desde, obviamente, que se desenhe a estratégia correta para atraí-la

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