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Brasil apresenta maior potencial em nanotecnologia, entre Latinoamericanos

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


O Brasil é o país com a maior estrutura para desenvolver nanotecnologia (NN) na América Latina, graças ao número de instituições e especialistas de diversas áreas envolvidos em estudos de manipulação de nanopartículas.

Apesar do destaque, a notícia não deve ser considerada com tanto entusiasmo. Isso porque em âmbito mundial o estado brasileiro ainda se encontra muito atrás no desenvolvimento da nanotecnologia. Atualmente existem mais de 30 países no mundo com projetos significativos relacionados à NN.

No trabalho “Sistema brasileiro de inovação em nanotecnologia” (UFRJ), o economista Leonardo de Assis Santos destaca que Japão, Estados Unidos e a União Européia estão entre os maiores investidores. Já países emergentes como China e Coréia do Sul estabeleceram antes do Brasil programas para o desenvolvimento de produtos nanotecnológicos – hoje os dois países chegam a investir em média US$ 200 milhões por ano.

Estima-se que em 2015 esse setor movimentará um trilhão de dólares. O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) estabeleceu como objetivo fazer o Brasil responsável por 1% do mercado mundial até 2010.

“Para alguns especialistas, para o Brasil atingir esta meta, serão necessários investimentos na ordem de 3 a 5 bilhões de dólares, o que está bem acima da realidade atual do nosso país”, acrescenta Santos. No triênio 2004-2007 o MCT alocou algo em torno de R$ 77 milhões para pesquisas nesse âmbito.

Implicações nanométricas

Silva destaque que apesar do interesse crescente, principalmente nos países desenvolvidos, em relação a aplicações da nanotecnologia, a nanociência ainda é pouco dominada no mundo. Muitos descobrimentos feitos em laboratório, por exemplo, não levam em consideração que aspectos relevantes para o microcosmos podem ser irrelevantes, ou apresentar características distintas, no macrocosmos.

“Está comprovado que grande parte das substâncias comporta-se de maneira diferenciada quando passa da escala nanométrica. Estas diferenças podem incluir condutividade elétrica, radioativa química, magnetismo e efeitos ópticos, e influenciam diretamente na forma de se trabalhar com a matéria e o que pode ser desenvolvimento a partir dela”, explica.

Esses aspectos acabam tendo relação direta com o tempo de desenvolvimento dos produtos. Parte das aplicações da nanotecnologia, por exemplo, acaba demorando até mais de vinte anos para que os cientistas concluam se são ou não viáveis em escala industrial. “Logo, [no primeiro momento essas descobertas] beneficiarão um número muito limitado de pessoas”, estima Silva.

Descobertas promissoras

O mundo já foi capaz de desenvolver tecnologias consideradas promissoras nos últimos anos. Algumas delas, inclusive, podem auxiliar em especial países em desenvolvimento, como: armazenamento, produção e conversão de energia (novos sistemas para armazenamento de hidrogênio com base em nanotubos e outros nanomateriais e células fotovoltaicas, e dispositivos emissores de luz orgânica); sistemas de administração de medicamentos (nanocápsulas com base em lipossomas ou polímeros para entrega e administração de medicamentos) e detecção e controle de pragas (nanosensores para detecção de pestes e novos pesticidas, e inseticidas e repelentes de insetos no formato de nanopartículas).

“Todavia, deve-se ter cuidado com o otimismo exagerado, pois há muitas implicações econômicas e sociais que envolvem o desenvolvimento da NN”, ressalta o pesquisador, isso porque outros estudiosos acreditam que as novas tecnologias nesse setor tendem a gerar um crescimento ainda maior das desigualdades, em especial, por três motivos:

Primeiro, porque as grandes empresas no mercado são as que mais investem em contexto nacional no desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Algumas das instituições que mais alocam em nanotecnologia, por exemplo, são: BASF, Bayer, Honeywell, GE, IBM, Kraft e Nestlé.

O segundo motivo está relacionado às condições sociais para a criação de um mercado que absorva os produtos de nanotecnologia. A maior parte das nações sofre com a falta de estrutura social, educacional, política e industrial que favorece as inovações.

O último ponto diz respeito à qualificação de profissionais para o incentivo deste tipo de tecnologia. O México, no ano de 2005, tinha apenas 11 grupos de pesquisa em nanotecnologia – tendo naquele ano se destacado como a 13ª economia do mundo.

Em 2005, o Brasil tinha 1.300 pesquisadores estudando na área – os EUA, em 2003, já contava com 7000 professores universitários capacitados para trabalhar com NN.

Áreas onde o Brasil pode se tornar promissor

Com base em pesquisas realizadas nos anos 2002 e 2003, o MCT identificou as principais necessidades do Brasil para o desenvolvimento da nanotecnologia que são: treinar recursos humanos; conceber, desenvolver e implementar currículos inovadores e material didático; fomentar pesquisa, desenvolvimento e engenharia; transferir tecnologia; criar novas empresas; criar novos centros de pesquisa; e trazer ao mercado novos materiais, produtos e processos baseados em nanotecnologia.

O país tem grande potencial no desenvolvimento da indústria farmacêutica, médica e cosmética, no desenvolvimento de materiais para benefício do meio ambiente (como monitoramento, recuperação e tratamento de água, esgoto e afluentes). As pesquisas feitas no Brasil também apontam para o descobrimento mais efetivo de produtos para o setor energético com células combustíveis e produção, armazenamento e conversão de hidrogênio.

“Países como EUA e Japão já dominam quase todos os tipos de nanotecnologia e são muito mais desenvolvidos, o que nos obriga a sermos mais precisos em nossa priorização, para que não percamos o bonde da história mais uma vez”, acrescenta Silva.

Riscos

Existem pesquisas que apontam para riscos à saúde a ao meio ambiente envolvendo produtos nanotecnológicos. As principais preocupações estariam relacionadas à questão bioquímica (o contato com nanopartículas e seus efeitos reais sobre a saúde das pessoas e a forma como se degrada no meio ambiente), e a acumulação das nanopartículas e seus possíveis efeitos colaterais.

“Há relatos de peixes contaminados por nanopartículas que tiveram danos sérios no cérebro e no fígado. Pesquisas mais apuradas devem ser realizadas, para medir os efeitos no corpo humano, pois as nanopartículas tendem a ter efeitos diversos, dependendo do tipo de pesquisa para qual está sendo destinada e de seu tamanho”, ressalta Silva.

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