Brasil em greve: retrato do Chile de Allende?

"Eu não sei de nada, mas desconfio de muita coisa”, Guimarães Rosa.

Caros Geonautas,

"Nada se aprende fora da história", diz o Mestre, Alfredo Bosi.

"Se for correto, ou pelo menos razoável a hipótese marxista do caráter interessado, logo parcial, das ideologias, torna-se relativamente fácil mapear o lugar das ideias econômicas e políticas hegemônicas em um determinado contexto" (Alfredo Bosi: O lugas das ideologias, CartaCapital, 23 de maio de 2012, p: 58, 59 e 60).

A Classe média e média alta, do funcionarismo federal em greve, quase geral e irrestrita (não é o povão que ganha salário mínimo não), o Governo Dilma, quase de mãos atadas. Pergunta-se: Lembra ou não lembra o Chile de Allende?

Pergunto-lhes: O “Modus operanti” do Brasil, ainda é, no fundo no fundo, a fisiologia  da república velha (a política do café com leite entre São Paulo e Minas Gerais agora nacional), ou não?

Minha tendência é crer que Janio de Freitas tem razão: "O Brasil é um país primário" (Roda Viva, 06-08-12)

E agora José? Golpe a vista? Ou a direita volver no caminho de 2014, talvez pintada de seringueira verde? ("Guerra dos Paulistas": A revanche contra Minas?).

Somos sim, um país primário, no judiciário que demora, demora e demora, por exemplo, quatro anos para julgar um caso, como da inconstitucionalidade (ilegalidade) do Instituto Chico Mendes, e no dia seguinte volta atrás, como num passa de mágica e de incompetência; no legislativo com o toma lá da cá com o executivo, ou vice-versa; os "jornalistas que não estão lendo jornais"; "os jornais que estão sem credibilidade moral para fazer uma analisa..."; o âncora do Roda Viva que se choca com o jornalista que diz na cara dura, nadando contra a corrente do politicamente correto dos manuais de auto ajuda da sociedade: "eu não sou feliz sendo colunista"; e o blogueiro-jornalista, Noblat, que ao dizer, "só louco mesmo para contratar um jornalista de sucesso, que perde leitor", ouve, de forma velada, o troco de quem provocou anteriormente, "meta-se na a sua vida"; os professores, o funcionalismo federal, estadual, etc&tal, defendendo o seu, que não é pouco, é a nada da sociedade organizada, e o povão desorganizado que se exploda, já dizia o humorista Chico Anysio. "O povo é melhor que sua elite", diz o dito popular, derivado de um pensamento de Joaquim Nabuco, pode ser, mas quem da as catas não é, ainda, o povo, é a Elite organizada (de direita e de esquerda), o "Estamento", como diria Raymundo Faoro em "Os Donos do Poder" (1958), mas o povão, continua na mesma ainda, é uma massa de manobra. A República sindicalista esta fazendo água? (Como a 'Era Lulacriou o 'Rockefellerbrasileiro?).

Claro que o desenvolvimento econômico, dá sinais de que está chegando, com a economia verde, lavoura mecanizada, petrossal, etc. Diríamos, com quase dois séculos de atraso, desde que David Ricardo cunhou a expressão, "valor Excedente de produção", mas o desenvolvimento social, como sabemos, tem outra velocidade, outra dinâmica, principalmente para a maioria do povo, desorganizados há séculos. Somos sim, ainda um país primário.

E la nave va

Sds,

FOLHA de São Paulo, dE BRASÍLIA - 9/08/2012 - 05h30

A greve dos servidores federais ganhou ontem a adesão de policiais rodoviários e ameaça se tornar a paralisação mais ampla do funcionalismo desde o começo do governo Lula (2003-2010), desafiando a gestão da presidente Dilma Rousseff.

Greve da PF vai ao 3º dia com operação-padrão em aeroportos
Operação da PRF causa lentidão em rodovias de sete Estados

Os números oficiais e do movimento não batem. Nas contas sindicais, ao menos 27 órgãos federais foram diretamente afetados, entre greves, suspensão temporária de trabalho ou operações-padrão.

As paralisações já prejudicam o cotidiano da população. Ontem, pelo menos oito estradas ficaram congestionadas por causa de uma fiscalização intensa de veículos. Aeroportos e até a área da saúde, com a retenção de remédios importados em depósitos, estão sendo afetados. Universidades federais estão paradas há quase três meses.

Ontem, em Brasília, grevistas tentaram subir a rampa do Palácio do Planalto, mas foram contidos por policiais.

Até agora, o governo negocia apenas com funcionários de universidades federais.

VAIAS

O ministro responsável por negociar com movimentos sociais, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), foi vaiado e chamado de traidor em um congresso por manifestantes da CUT, tradicional braço sindical do petismo.

"Traidor, traidor", ouviu. "A greve continua. Dilma a culpa é sua!". Carvalho discutiu aos gritos com a plateia.

Ao fim, o presidente da CUT, Vagner Freitas, comentou: "Se eu fosse presidente, destituía o ministro."

"Houve greves grandes, mas eram concentradas em um setor. Essa tende a se ampliar", disse Artur Henrique, dirigente da CUT.

A decisão do governo de punir grevistas com descontos e não conceder reajustes acirrou os ânimos. Outra medida que desagradou servidores foi um decreto, de julho, facilitando a troca de grevistas por funcionários estaduais e municipais.

Para os sindicatos, há mais de 300 mil funcionários parados entre os 573 mil servidores. O Ministério do Planejamento diz que isso é irreal. "Se fosse tal como é dito, teríamos o serviço totalmente comprometido, e não está. Há pouquinha gente parada e muita fazendo barulho", disse o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça.

Ele refuta o status de pior greve dos últimos anos e lembra paralisações nos governos Lula e FHC, mas o governo diz não saber quantos servidores estão parados. O país "enfrentou momentos difíceis" com greves antes, disse.

Também repercutiu mal entre sindicalistas e setores do governo a afirmação do secretário do Tesouro, Arno Agustin, dizendo que a greve acabaria no dia 31, com o envio do Orçamento de 2013 para o Congresso, o que encerraria a possibilidade de negociação salarial.

"Nós entendemos que a crise [internacional] é grave. Mas, diante da crise, tem que flexibilizar o superávit primário [economia para pagar juros da dívida] e recuperar carreiras", disse Artur Henrique.

(FLÁVIA FOREQUE, JOHANNA NUBLAT, KELLY MATOS e NATUZA NERY)

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Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 10 agosto 2012 às 12:06

São Paulo, terça-feira, 07 de agosto de 2012Poder
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O Brasil é 'primário', diz Janio de Freitas na TV

O colunista de política da Folha foi entrevistado no programa 'Roda Viva', da TV Cultura

DE SÃO PAULO

O Brasil ainda é um país com pouca força institucional, ou "primário", nas palavras de Janio de Freitas, colunista da Folhaentrevistado ontem no programa "Roda Viva", da TV Cultura.

Apresentado como "decano da crítica política no Brasil" pelo âncora Mario Sergio Conti, Janio de Freitas fez críticas ao fisiologismo no Legislativo, à política do "toma lá, dá cá" do Executivo e à lentidão do Judiciário.

"Você acha que depois de esperar 30 anos, ainda que se ganhe [uma ação], isso pode ser considerado justiça? Só o Judiciário de um país primário pode permitir isso", disse, exemplificando com o escândalo do mensalão, que se tornou público em 2005, mas só agora está sendo julgado.

O colunista disse que tem "uma tendência" a se identificar com as causas sociais e, por isso, aceita quando o rotulam como "de esquerda".

Ele fez críticas aos ex-presidentes Lula, por ter mudado o discurso ao assumir o poder, e Fernando Henrique Cardoso. A compra de votos para a reeleição, revelada pela Folha em 1997, foi classificada como "o mais grave dos episódios [...] desde a saída do [presidente João Baptista] Figueiredo [1985]", disse. "Essa, sim, é uma compra comprovada, atestada."

O colunista também fez críticas à imprensa. Reclamou, entre outras coisas, da excessiva preocupação dos jornais com aspectos estéticos

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 10 agosto 2012 às 12:17


São Paulo, quinta-feira, 09 de agosto de 2012
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JANIO DE FREITAS

Desserviços públicos

As greves de serviço público que se voltam contra a população voltam-se também contra a democracia

AS GREVES da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, com os danos da primeira à prestação de serviços ao público e, a segunda, com a interrupção de vias como a ponte Rio-Niterói, fazem aquilo mesmo que as duas polícias invocam para reprimir com a força de cassetetes e armas qualquer grupo, de grevistas ou de manifestantes, que perturbe a normalidade de um serviço, um prédio ou uma estrada do sistema federal.

As greves de serviço público que se voltam contra a população voltam-se também contra a democracia. Na euforia do momento tão esperado, a Constituinte estendeu o direito de greve ao serviço público como uma conquista democrática sem precedente no Brasil.

A precaução de preservar o direito da população, porém, ficou longe do equilíbrio necessário entre a nova concessão a uns e as velhas e permanentes necessidades de todos os outros.

A permanência dos serviços, por plantões de servidores nos seus locais de trabalho, é uma farsa dos respectivos sindicatos.

Os plantões fazem figuração, sempre com número exíguo de funcionários para que os serviços não sejam mesmo prestados.

Atestam-no as filas imensas, o atendimento com os modos da tal operação tartaruga, as falsas informações que iludem os necessitados de documentos ou de providências pendentes da Polícia Federal, e por aí vai. Ou melhor, não vai.

Não deixar ir se torna mesmo o propósito exibido ao vivo pela Polícia Rodoviária Federal, que saiu de sua mínima valia para solucionar o que não resolve de outro modo: parou milhares e milhares de carros, caminhões, ônibus, gente com compromissos, gente a caminho do trabalho, gente cansada do trabalho, cargas perecíveis, cargas para embarque aéreo -serviço completo, enfim.

Se as polícias que reprimem anormalidades passam a fazer anormalidades, não haverá quem recomponha a normalidade. Mais: estará assegurado, por antecipação, que todos ficarão impunes.

E, pronto, estão estabelecidas as diferenças antidemocráticas: há os que se estrepam com a polícia se perturbarem área federal e, de outra parte, os que tanto reprimem aqueles como fazem livremente as mesmas perturbações.

Não, não as mesmas: as dos policiais são remuneradas e os seus dias de perturbadores contam para promoções por tempo de serviço e para a aposentadoria.

Funcionário da Polícia Federal ganha mais do que professor nas universidades federais e do que médicos do serviço público federal. E nem se destaque a faixa dos delegados, para não humilhar professores e médicos.

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 10 agosto 2012 às 15:26

Dilma quer ajuda de Lula nas negociações com grevistas

Do Valor

Dilma pede ajuda a Lula para enfrentar as greves

Por Raymundo Costa, Rosângela Bittar, Lucas Marchesini e Fernanda Pires | De Brasília e Santos
A greve dos funcionários públicos federais, que já mobiliza 350 mil servidores, ameaça virar "um tsunami" na avaliação de lideranças do PT. Por isso, a presidente Dilma Rousseff pediu ajuda ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as negociações com os grevistas. Lula deve atuar principalmente para atenuar a radicalização do movimento, que beira a ruptura, como demonstrado ontem com a decisão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outros cinco sindicatos de servidores de representar contra o governo federal na Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A intermediação de Lula pode contornar um fenômeno que se cristalizou nos últimos dias: a impaciência dos sindicalistas com diálogos quase sempre sem um desfecho. A base dos sindicatos não tem sido receptiva à intermediação mais ponderada dos dirigentes. Na conversa que teve com Lula, na terça-feira, Dilma queixou-se da relação das centrais sindicais. Os dirigentes sindicais, inclusive da CUT, também se queixam do tratamento recebido do Palácio do Planalto. Segundo eles, após chegar ao Planalto, Dilma não teria retribuído o apoio que teve na campanha eleitoral. E não teria cumprido promessa de manter um diálogo permanente com a central dos petistas.

A intermediação passou a ser feita com Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, encarregado, no Planalto, de lidar com os movimentos sociais. Mais tarde, Carvalho chamou para assessorá-lo um dos vice-presidentes da CUT, José Vicente Feijó.

As greves começam a afetar a operação das indústrias. Em Santos, o volume de contêineres parados nos quatro terminais marítimos aumentou ontem 35% sobre o dia anterior em razão da greve dos fiscais agropecuários. Entre as mercadorias, estavam produtos siderúrgicos, automotivos, agentes orgânicos, medicamentos, arroz, frutas, eletrônicos e pastas químicas de madeira.

A greve dos fiscais ligados ao Ministério da Agricultura atinge um universo maior de cargas porque, além de serem responsáveis pela inspeção de mercadorias de origem vegetal e animal, a categoria vistoria toda a madeira que entra no país para evitar a introdução de pragas.

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