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Brasil investe na construção do primeiro submarino nuclear

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


A retomada do Programa Nuclear Brasileiro já está em curso, e entre as principais razões que envolvem a volta de investimentos significativos no setor - o que não era visto desde o período militar - estão a produção de energia e o desenvolvimento do primeiro submarino de propulsão nuclear feito no país.

Segundo o responsável pelo projeto, o contra-almirante da Marinha Carlos Passos Bezerril, diferentemente dos convencionais movidos a diesel, o submarino nuclear é mais veloz, tem maior alcance de profundidade e se movimenta de forma mais silenciosa, dificultando a detecção por radares.

“Ter submarinos dá ao país superioridade intrínseca. No caso dos submarinos comuns, o problema deles é, sobretudo, relativo ao abastecimento”, explica. As baterias que os veículos convencionais possuem, quando descarregadas, precisam ser repotencializadas na superfície, daí surge um problema estratégico, pois ficam vulneráveis a eventuais ataques ou reconhecimentos.

Durante o Fórum de Temas Nacionais - Energia Nuclear, promovido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB-SP), o contra-almirante destacou que o programa para o setor prevê a construção da primeira planta nacional voltada para estudos em tecnologia nuclear e domínio de todos os processos de construção do submarino a propulsão nuclear: o Laboratório de Geração Núcleo-Elétrico (Labgene), estimado em R$ 500 milhões. O parque tecnológico está sendo levantado no Centro Experimental de Aramar (CEA), na cidade de Iperó, a 130 quilômetros da capital paulista, com previsão para ser entregue em 2014.

A partir do Labgene, o Brasil poderá alcançar um dos três principais objetivos do Programa Nuclear: o domínio da tecnologia de projetos na área. Bezerril explica que o país atingiu conhecimentos necessários para a construção de usinas, submarinos e relacionados a toda a parte que envolve a tecnologia para obtenção de energia – desde a prospecção até o enriquecimento do urânio para produção energética –, faltando apenas a capacidade de estabelecer projetos.

“O que falta ao Brasil é o domínio da tecnologia de projetos de submarinos. E é disso que faz parte o atual acordo feito com o governo da França”, contou. O acordo com o país europeu para a construção do submarino de propulsão nuclear não inclui a troca de conhecimentos quanto à energia nuclear brasileira que será usada para por o veículo em movimento.

Participação energética

Além de construir o submarino de propulsão nuclear, o Labgene deverá produzir estudos relacionados à produção de energia. Em 2007, os 439 reatores que operavam no mundo respondiam juntos pela produção de 372 megawatts, ou 15% do total de energia consumida no planeta. Essa importância saltou em 2009 para 16% do total de energia consumida no mundo.

No Brasil, a matriz nuclear representa cerca de 2,6% da demanda total – a principal fonte energética do país é a hidrelétrica que corresponde a 75% do consumo. Economicamente falando, a matriz nuclear não é concorrente da hídrica, sendo então bem mais cara para produção e manutenção energética. No entanto, é competitiva às outras fontes limpas, como a solar e a eólica.

Os países que mais aplicam recursos em usinas nucleares no mundo são EUA, Europa Ocidental (França, Alemanha, Inglaterra e Holanda, são os principais), Japão, Índia e China. A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, em inglês) estima que em 2030 a geração de energia nuclear no mundo será de 447 a 691 megawatts.

O diretor de projetos da Business School São Paulo (BSP), e vice-presidente da ADVB, Carlos Faccina, lembra que o domínio de tecnologias energéticas é fundamental para estabelecer os países em desenvolvimento, o que não seria diferente em se tratando de tecnologia nuclear.

“A matriz nuclear tem em sua ponta a produção de energia utilizada para fins comerciais e residenciais, como já sabemos, mas é preciso ressaltar que o seu estudo também envolve o surgimento da tecnologia de base, e é exatamente essa tecnologia de base que temos carência”, coloca.

O que Faccina explica é que os investimentos na cadeia nuclear também envolvem estudos nas áreas de medicina, indústria, agricultura e até mesmo meio ambiente. O professor observa que o Brasil está entre os poucos países com capacidade de enriquecer urânio (EUA, Rússia, China, Japão, França e o grupo Urenco - formado por Inglaterra, Alemanha e Holanda, fazem parte do seleto grupo), e que por isso não deve parar de investir em estudos nessa área.

“Se observarmos o registro de patentes que temos hoje no Brasil [nas diversas áreas de conhecimento], vamos perceber que todas correspondem a 2% do número de patentes anuais em países como EUA e Europa. Agora, comparando com Índia e China, estamos a 5% do número de patentes produzidos nesses países – em todos eles existe a pesquisa de base, que é fundamental para a indústria”, ressalta.

Incentivo nacional

A construção de um submarino nuclear envolve 36 mil itens, por isso o interesse da Marinha em dominar essa tecnologia de ponta a ponta. A planta do Labgene está sendo desenvolvida com conhecimento totalmente nacional. Já a produção do submarino, com a participação de empresas brasileiras.

Até o momento foram investidos cerca de US$ 130 milhões de dólares para a compra de equipamentos prontos e que compõe o submarino. A último material que falta ao veículo é o motor que deve ser desenvolvido na medida de 1/3 do tamanho do motor de um submarino convencional, movido a diesel.

Em 2014, o objetivo é dominar a tecnologia de reatores (usados no enriquecimento de urânio) com a entrega do Labgene. E em 2021 a Marinha espera que o submarino de propulsão nuclear esteja em funcionamento.

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Tags: labgene, militar, nuclear, submarino, tecnologia

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