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DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


O Brasil já possui tecnologia própria para a geração de energia por meio de células solares. O resultado é de pesquisa realizada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), que está em fase final e deve ser concluída em novembro. Embora o resultado seja positivo, para que a tecnologia deslanche no país é preciso criar incentivos para a indústria do equipamento se estabelecer.

A pesquisa teve início em 2005, com o objetivo de desenvolver uma tecnologia nacional para células solares. O método já é utilizado em vários países, e já está bem avançado da Europa e na Ásia. No Brasil, no entanto, não há nenhuma ação mais consistente neste sentido.

Os dados da pesquisa apontam resultados bem animadores. Os valores de conversão (transformação da energia solar em eletricidade) foram maiores do que a média computada no resto do mundo. Conforme explicou a coordenadora da pesquisa, a professora de física da PUC Izete Zanesco, em todo mundo a proporção é de 100 partes de energia solar para 14 partes de eletricidade. Os dados verificados na PUC-RS mostraram uma capacidade de 15,4 de eletricidade na mesma base de comparação.

A professora atribuiu o resultado mais eficiente à tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores. Outro ponto positivo é que a metodologia desenvolvida também permitiu uma redução de custos do processo produtivo. A pesquisa recebeu recursos da Petrobras, Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), Eletrosul e da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE).

Modelo de negócio


O próximo passo será estruturar modelos de negócios para atrair o investidor. A projeção é que uma planta de fabricação de células solares, nesse primeiro momento, possa custar cerca de R$ 50 milhões, para uma capacidade de 10 megawatts ao ano, valores ainda considerados altos.

Há dois tipos de indústria que precisam ser instaladas para que o Brasil deslanche na energia solar. As fábricas de lâminas de silício, produzidas em grande quantidade no mundo, e as fábricas de células solares, referentes à pesquisa. Zanesco diz que não apenas o Brasil, mas toda a América do Sul ainda não possui nenhuma das duas fábricas. Ela diz lamentar os dados, pois vai contra o que está sendo feito no resto do mundo, principalmente na Alemanha, que tem apresentado ações incisivas na inclusão de fontes alternativas em sua matriz energética.

É necessária uma política focada para este tipo de mercado, bem como uma política de incentivo ao uso da tecnologia, segundo a professora. Em sua avaliação, uma oportunidade que poderia trazer uma boa visibilidade do ponto de vista da energia sustentável ao Brasil, além de impulsionar o setor, é a Copa de 2014. Segundo ela, há tradição dos países sede do evento em apresentar pegadas mais sustentáveis, já que a visibilidade é mundial. Nesse sentido, a instalação de equipamentos para a geração de energia solar nos estádios, o que ela chama de “estádios verdes” seria uma iniciativa sustentável e que atrairia o investidor.

Há várias ações para impulsionar a energia solar no país, mas transformar as propostas em ações, na maioria das vezes não é tão fácil. Zanesco acredita que o principal obstáculo por parte do governo é sua falta de informações sobre as ações que estão ocorrendo no resto do mundo em relação ao tema e à geração de energia de modo geral. Essa falta de conhecimento se transforma em falta de políticas de específicas que estabeleçam uma indústria de energia solar no país.

O primeiro ponto seria criar a demanda interna pelo equipamento, estabelecendo uma indústria, com vistas a um programa nacional. Em um primeiro momento, essa política deveria abarcar o mercado e programas de incentivo, a regulamentação e a indústria. Com a demanda criada, demais elos da cadeia, como a produção de silício, fariam parte do planejamento.

Política Nacional


O diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Hamilton Moss de Souza, concorda com a necessidade de um programa de âmbito nacional, envolvendo toda a cadeia. Ele ressalta que o Brasil é um grande exportador de silício, mas o seu beneficiamento ainda tem custo elevado.

Souza avalia que o custo do equipamento fotovoltaico vem caindo no Brasil, e há demanda pela tecnologia, até mesmo em programas governamentais como o Luz Para Todos. Porém, segundo ele, não cabe incentivar o uso em escala da energia solar importando a tecnologia. Por ter uma matriz renovável, em sua avaliação, o país ainda tem tempo para estruturar um programa de âmbito nacional e planejar a inserção da nova fonte na matriz energética.

Ele compara o barateamento do equipamento aos produtos de informática, que tiveram uma queda nos valores após a instalação de fábricas no Brasil.

A regulamentação da modalidade já está na mesa de discussões do ministério e já foi debatida. Há um relatório sobre o assunto em fase final, que deverá ser apresentado aos demais agentes do setor.

Tags: brasil, energia, fotovoltaico, luz, para, solar, tecnologia, todos.

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Delberg Ponce de Leon Comentário de Delberg Ponce de Leon em 4 outubro 2009 às 1:01
Compensa ver a experiência de Portugal onde os orgãos promotores-financiadores dão exemplo usando este modelo de energia em suas sedes e as metas anuais se superam no atendimento para o uso domiciliar.

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