Brasília, Capital do Choro: entrevista exclusiva do Reco do Bandolim para o Portal Luis Nassif

Espaço Cultural do Choro, de Oscar Niemeyer, cuja inauguração integra o calendário oficial de festividades pelos cinqüenta anos de Brasília.


BRASÍLIA, CAPITAL DO CHORO: ENTREVISTA EXCLUSIVA DO RECO DO BANDOLIM PARA O PORTAL LUIS NASSIF


Por Cafu e Mariana Capelo


 
Breve história do Clube do Choro de Brasília por Reco do Bandolim
Vídeo de Mariana Capelo


Para quem acha que tudo em Brasília começa com mutreta e termina em pizza, já passa da hora de rever os preconceitos. Brasília é muito mais que a má política e os administradores desonestos.

Concebida para ser o centro utópico do processo modernizador que varreu o Brasil entre os anos 50 e 60, a capital da República chega ao seu cinqüentenário como Patrimônio Cultural da Humanidade e síntese perfeita do povo brasileiro e de suas exuberantes raízes. É na música que isso se evidencia com maior propriedade. A cidade vibra nos diferentes ritmos que formam o cadinho de tradições trazidas dos quatro cantos do país: Choro, Forró, Música Sertaneja, Frevo, Samba e, também, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Outras manifestações vigorosas, como o Rock e o Hip Hop, surgiram posteriormente, da inquietação e do desejo de vez e voz dos jovens do Plano Piloto e das periferias.

Como uma criança que vem ao mundo, Brasília nasceu chorando e foi embalada no berço por música da melhor qualidade. Entre os primeiros funcionários públicos que se transferiram para a nova capital vieram alguns chorões de grande talento e expertise. Daí começa uma história muito rica, feita de sonhos, lutas, percalços, reviravoltas, trabalho incansável e imenso amor à camisa. Brasília resistiu bravamente ao refluxo que o gênero viveu no Brasil e se coloca hoje como o principal polo de produção, formação e difusão do Choro no Brasil, graças à liderança e ao e empreendedorismo de Henrique Lima dos Santos Filho – o Reco do Bandolim –, presidente do Clube do Choro de Brasília há mais de 17 anos.

Às vésperas do aniversário de Brasília, e da inauguração do Espaço Cultural do Choro em 20 de abril – um empreendimento extraordinário que consagra a vocação da cidade para a música, ensino e pesquisa – apresentamos esta entrevista exclusiva concedida pelo Reco ao Portal Luis Nassif. No vídeo acima, um resumo da conversa, em seguida a entrevista completa, na qual ele relata a trajetória, as dificuldades, as realizações e as perspectivas do Clube do Choro de Brasília.



Henrique Lima Santos Filho, o Reco do Bandolim – Presidente do Clube de Choro de Brasília
Foto: Mayte

Reco, você poderia nos contar como foi o surgimento do Choro em Brasília?

O Choro em Brasília começa nos anos 60. Com a transferência da capital veio um número muito grande de funcionários públicos para cá, seduzidos por oportunidades de emprego e salário, porque ninguém em sã consciência deixaria o Rio dos anos sessenta, daquela época de ouro de Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, enfim, gente da melhor qualidade que estava no Rio – uma cidade exuberante – para vir para um fim de mundo cheio de poeira, o centro do Brasil onde não se tinha nada, a não ser na cabeça revolucionária de JK e... enfim, essas pessoas todas vieram para cá. E elas costumavam matar as saudades, nas noites frias e empoeiradas do Planalto Central, fazendo pequenas rodas de Choro sob o céu de Brasília. Eu poderia enumerar várias delas: o Bide da Flauta, que era um aparentado do Pixinguinha; Pernambuco do Pandeiro; o saxofonista Nilo Costa; o Tio João, que era um trombonista da melhor qualidade, integrante da famosa orquestra de Fonfon, era um remanescente, já um senhor; Avena de Castro, um citarista maravilhoso, foi o primeiro presidente do Clube do Choro (foto), amigo do Jacob do Bandolim.


Evocação de Jacob (Avena de Castro) # Raphael Rabello e Deo Rian

O’Ki Kirias (Avena de Castro) # Reco do Bandolim & Choro Livre (Alencar 7 cordas, José Americano, Fernando César, Chico Assis e Pinheirinho)
O Waldir Azevedo também?

O Waldir Azevedo veio nos anos 70, depois da morte estúpida de uma filha. Ele resolveu vir para cá e a princípio ficou anônimo, não queria se envolver com nada. Estava muito abalado, mas eu chego lá.



Samba Exaltação à Brasília de Neusa França. Nos anos sessenta, na casa dessa pianista, reuniam-se alguns dos primeiros músicos e chorões, inclusive Jacob do Bandolim, que visitava a capital com regularidade para consultar-se com seu cardiologista. Jacob participou dos saraus que se constituíram no embrião do Clube do Choro de Brasília.

Então essa gente começou a se reunir sem nenhum compromisso, só para tocar, até que em 1977, o então governador do DF, Elmo Serejo Farias, assistiu a uma dessas apresentações e sabia que o grupo não tinha onde se encontrar, não tinha local. Os encontros eram na casa de um, na casa de outro. A cada fim de semana esses encontros se davam assim, de uma maneira muito amadora. Aí em 1977 havia um espaço no Eixo Monumental destinado a servir de vestuário para o Centro de Convenções, e o governador Elmo Serejo Farias cedeu aquele espaço para que as reuniões acontecessem. Nós passamos a nos reunir ali todo fim de semana. A cada semana uma família ficava encarregada de preparar um prato, que essa é uma tradição do Choro: fartura, comida e bebida. Não se fala em dinheiro, era coisa mesmo do prazer de estar junto, de tocar. (Foto: Pernambuco do Pandeiro/ Correio Brasiliense)



Odete Ernest Dias e seus filhos Beth e Jaime, em apresentação do Clube do Choro (abril/2010). Nos anos 70, o apartamento da flautista Odete, então professora da Unb, era um dos locais mais concorridos para as reuniões de músicos e chorões.
Foto: Mayte


Quando, exatamente, foi o seu encontro com o Choro?

Chego nesse mundo em 1974. Eu já morava aqui na capital da República. Cheguei com a família em 1963. Meu pai foi líder estudantil na Universidade da Bahia, comunista, e um dos oito fundadores do MDB com Ulisses Guimarães. Aliás, é o único sobrevivente. Nós chegamos aqui em 1963, mas nos anos 70 eu me interessei por música, era guitarrista, conhecido como “Jimi Reco”, por causa do Jimi Hendrix. Tocava todo o repertório dele. Admito que toda a geração dos anos 70, a juventude de então, cresceu sob o impacto dos Festivais que aconteciam no mundo, o de Woodstook e outros. Foi a época da liberação sexual, das drogas. A minha geração inteira foi influenciada pelos guitarristas de rock. Nas festinhas, no rádio, só tinha música estrangeira, um crime de lesa-pátria porque não se ouvia falar de música popular brasileira.

Até que em 74 eu estava de férias na Bahia e fui ver um show no ICBA – Instituto Cultural Brasil-Alemanha. Os Novos Baianos, aquele grupo, tinha acabado para a tristeza de muita gente, pois foi um grupo sensacional, que ocupou um lugar importantíssimo na música brasileira. Quando o Gil e o Caetano se exilaram, foram embora, abriu-se um hiato, um buraco na música brasileira, e Os Novos Baianos explodiram ali como uma bomba. Havia a guitarra de Pepeu, que trazia a juventude para o ambiente da música brasileira, e o violão de Moraes Moreira, brasileiríssimo, influenciado por João Gilberto, que se aproximava dos Novos Baianos. Então, havia ali um equilíbrio interessantíssimo do Brasil, e através da guitarra de Pepeu Gomes – a juventude toda estava movida pela guitarra, pelo rock – ele trouxe todo esse pessoal para o ambiente da música popular brasileira. Eu considero que Os Novos Baianos têm uma importância central nesse sentido. Então eu fui ver em 1974, no ICBA, o Moraes Moreira, que começava a carreira solo. Ele se apresentava em duo com o Armandinho Macêdo, e a última música do show era Noites Cariocas, de Jacob do Bandolim. Ouvir aquela música para mim foi uma emoção, uma explosão, uma coisa que me surpreendeu alegremente.


Noites Cariocas (Jacob do Bandolim) # Jacob do Bandolim e Época de Ouro


 
Armandinho, amigo das horas difíceis. Ele e o Raphael Rabello fizeram dois shows no Teatro Nacional e a renda foi doada para recuperação do Clube na década de 90. Aqui em workshop para alunos da Escola de Choro e músicos (2008).


Eu voltei para Brasília e procurei todas as escolas de música para ver se descobria o que era aquilo, mas ninguém sabia quem era Pixinguinha na capital da República. Coisa absurda. Aí encontrei um amigo que tinha um bandolim e fiquei com aquilo na cabeça. “Mas meu Deus, isso é a música brasileira? Eu sou músico e não conheço a música brasileira? Na capital da República não se conhece a música brasileira?” Fiquei com aquela coisa martelando, me incomodando muito, mas eu encontrei um tio que tinha uns discos de Choro, tio Hermenito Dourado. Peguei esses discos, levei pra casa e comecei a tocar sozinho, com a afinação errada do bandolim. Bem, eu cheguei desse evento em 74, quando começava a se formar em Brasília um núcleo do Choro. Em 77, o então governador, como eu falei, ofereceu aquele espaço e os encontros começaram a acontecer ali. Mas aconteciam, realmente, de uma maneira muito amadora. Era muito boa, tinha muita boemia, ali naquela coisa. Quem ia basicamente nesses encontros eram os músicos. Nós mesmos levávamos nossa cerveja no isopor, nós levávamos comida, e as famílias se reuniam ali, não existia praticamente público. Eram os músicos, seus filhos e parentes. Essa coisa foi aumentando, foi crescendo e funcionou bem até 1983, quando aquela forma se esgotou. Quer dizer, não havia ensaios, não havia progresso musical, era uma coisa mesmo de deleite, das pessoas se encantarem de estar tomando contato com o Choro, o Pixinguinha, que muita gente nunca tinha ouvido falar, como eu.

 
Pixinguinha – 1º Movimento da Suíte Retratos (Radamés Gnattali) # Reco do Bandolim e Choro Livre (Alencar 7 cordas, José Américo, Fernando César, Chico de Assis e Pinheirinho)

Então...

Então em 1983 o Clube fechou e passou 10 anos sem funcionar. Foi vítima de sucessivos roubos. Alguns bandidos invadiram o Clube do Choro e levaram tudo o que tinha dentro: apetrechos, fogão, geladeira, equipamentos de som, tudo foi desaparecendo. Até que em 1993 saiu uma matéria no jornal, no Correio Brasiliense, dizendo que o Clube do Choro seria despejado porque não estava funcionando, era um espaço ocioso e outros grupos de outras atividades queriam aquele espaço. Aí eu procurei o então presidente do Clube do Choro, Dr. Assis de Carvalho , dizendo que o espaço seria despejado porque não estava funcionando, estava parado há 10 anos. Entrei em contato com o Dr. Assis Carvalho, advogado brilhante daqui de Brasília, bem-sucedido, sujeito inteligente, e que, fazendo uma reflexão, entendo perfeitamente a importância que teve para o Choro de Brasília. Não tinha nenhuma vocação para profissionalizar o Choro, ou coisa do gênero. Ele tinha um prazer muito grande na boemia, em reunir os amigos e, sobretudo, não permitindo que os músicos se dispersassem. Dr. Assis foi um pólo aglutinador do músico, abria a própria casa para rodas de Choro que duravam um, dois, três dias. Mas quando liguei para ele em 1993, e falei que nós estávamos correndo o risco de perder a sede em pleno Eixo Monumental, um lugar especial, privilegiado, disse-me que naquele momento nada poderia fazer, porque estava envolvido com assuntos jurídicos. Sugeriu, então, que eu me candidatasse. Na época eu tinha uma função na empresa de comunicação social da Presidência da República – sou jornalista – e dirigia 13 emissoras de rádio. Tinha um tempo muito apertado, muito curto, jovem pai de três filhos e não me via em condições de assumir o Clube do Choro. Porém, na iminência de perder nossa sede mudei de idéia e decidi assumir. Candidatei-me, houve a eleição, fui eleito e fiquei de 1993 até 1997 sem apoio, sem patrocínio, sem financiamento.

Havia três famílias de mendigos que estavam morando no Clube do Choro. O esgoto do Centro de Convenções estourou lá dentro, um negócio horroroso. Então fiz um esforço, publiquei nota no jornal de maior circulação na Capital convocando todos os músicos de Choro de Brasília para que voltassem, explicando que a gente estava correndo o risco de perder o espaço, um lugar tão especial, enfim. Alguns apareceram, fizemos uma reunião de emergência e eu disse o seguinte: “Olha, nós vamos ter que constituir cinco grupos para que cada um, a cada semana, assuma a responsabilidade de fazer uma apresentação pública”. Esse era o compromisso com o GDF: nós tínhamos que funcionar uma vez por semana, pelo menos, para justificar a ocupação do espaço. No primeiro mês a coisa funcionou, mas diante da ausência de público, do calor insuportável que fazia (no Clube do Choro tem uma laje de cimento cheia de ferro que recebe sol o dia inteiro e, à noite, transmite o calor. Não tínhamos ar condicionado, não tínhamos nada), ninguém apareceu mais no segundo mês. Porque não havia público, houve realmente um desinteresse generalizado. Tentei encontrar pessoas que pudessem tomar conta do bar, fiz apelos a amigos donos de bares, mas ninguém queria, era um lugar muito ermo, muito abandonado, muito escuro. Então eu decidi com meu grupo, Choro Livre, bancar o meu grupo para que ele tocasse uma vez por semana no Clube do Choro. Mesmo que não fosse para ninguém. E, ficamos ali, numa função delicada ...


De resistência.

De resistência, às vezes dramática, nós ficamos ali com um certo constrangimento, porque às vezes não tinha ninguém.“Vamos, então, ensaiar no Clube do Choro, vamos ficar ensaiando lá”. Nós íamos. Paralelamente a isso, tentei usar minhas relações, dos meus irmãos, dos meus amigos para ver se conseguia mobilizar a atenção de empresários e de empresas do governo que pudessem apoiar. E começamos a apresentar projetos ao Ministério da Cultura, ao Banco do Brasil, à Petrobras, aos Correios, à Eletrobrás, para ver se a gente conseguia patrocínio. Mas não tivemos êxito nem em 93, 94, 95, 96. Em 97, afinal, conseguimos o primeiro apoio para o Clube do Choro.

Reuni um grupo de amigos, estrategicamente composto por autoridades do governo – que identifiquei como sensíveis para assuntos da cultura – , jornalistas, músicos, intelectuais que pudessem ajudar na elaboração dos projetos. Somos seres políticos e precisamos, portanto, exercitar a boa política. Enfim, decidimos que os projetos iriam abordar vida e a obra de um grande compositor a cada ano, e durante o ano inteiro iríamos aprofundar questões em torno daquele autor.

Em 1997, descobrimos que Pixinguinha, se estivesse vivo, faria cem anos. Então fizemos o Projeto “100 anos de Pixinguinha”. Passamos a convidar artistas de todo o Brasil, cujo trabalho tivesse alguma vinculação com Pixinguinha, para que cada qual pudesse apresentar uma visão particular sobre sua obra, e eu ficaria com a incumbência de contar a vida do Pixinguinha, por capítulos, a cada semana.


Cochichando (Pixinguinha) # Nicolas Krassic, Zé da Velha e Silvério Pontes

Segura ele (Pixinguinha – Benedito Lacerda) # Raphael Rabello e Dino 7 Cordas

Em paralelo, lembrei-me do meu início no bandolim, quando não havia ninguém que pudesse ensinar a tocar. Procurei ajuda de dois amigos: o Rui Fabiano, por sinal irmão do Rafael Rabello, e Carlos Henrique, que é meu irmão, ambos jornalistas da melhor qualidade. Fizemos um projeto, a três mãos, de criação da primeira escola brasileira de Choro. Mas tive grandes dificuldades com esse projeto. Levei ao Ministério da Cultura e esperei três anos, lutando, argumentando, porque o Ministério entendia que já havia escolas de música brasileira. Mas não era uma escola de música que nós desejávamos. Nós pretendíamos criar uma escola de Choro. Choro, que é um gênero genuinamente brasileiro, que está na base da música brasileira, que é anterior ao samba, que faz o perfil da nossa alma. Esses eram os argumentos, mas que não eram entendidos pelo Minc. Nós queríamos Escola de Choro!

Bem, os meus parceiros Rui Fabiano e Carlos Henrique desistiram após três anos de luta. Decidi levar o Projeto à Câmara Distrital por intermédio do amigo Arildo França. Conversei apaixonadamente com cada um dos parlamentares, expliquei a proposta, me fiz compreender, e, um ano e meio depois, o projeto foi aprovado por unanimidade. Depois de sancionado, voltei ao Ministério da Cultura – uma luta danada! – e, finalmente, aprovamos o Projeto de criação da primeira escola brasileira de Choro.


Naquele momento encontrei uma pessoa, que tornou-se um querido amigo, José Maria Guimarães Monteiro, que participava do Governo – na época do Presidente Fernando Henrique Cardoso – e que se sensibilizou com nosso empenho. José Maria estava ligado à Telebrasília e resolveu apoiar a instalação da primeira Escola Brasileira de Choro. Antes da aprovação, contudo, pedi, por telefone, ao violonista Raphael Rabello a assinatura no projeto, junto com a minha, porque o Raphael estava no auge, estava estourando, e considerei que a assinatura dele seguramente iria dar um peso ao Projeto. E o Raphael, nós éramos realmente amigos, foi extremamente solidário. Ele disse: “Reco, nem preciso ler. Se é você quem está fazendo, assino em branco”. Mas logo na semana seguinte, lamentavelmente, Raphael Rabello faleceu, precocemente, aos 32 anos de idade. Uma lástima. Um artista que deixou verdadeira escola de violão brasileiro, viva, exuberante. Quando recebi a notícia de sua morte, lembro-me como se fosse hoje, assistindo o jornal do meio-dia, enquanto almoçava, tive um impacto monumental. Então, disse à minha família: “Essa instituição vai se chamar Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello”.

Iniciamos as gestões para aprovação do projeto em 1994, mas só conseguimos aprová- lo em 1998. Então você veja que foram 4 anos de lutas, de lutas e incompreensões, para finalmente concretizarmos nosso sonho. Hoje a escola conta com uma equipe de 20 professores, tem 630 alunos matriculados e oferece cursos de teoria musical, violão, cavaquinho, bandolim, viola caipira, violino, flauta, pandeiro, percussão, sax e clarineta. Também, promove com regularidade workshops relacionados aos diversos instrumentos com artistas que se apresentam no Clube e músicos convidados.



Alunos de cavaquinho da Escola de Choro Raphael Rabello

E o Clube em si?
Bem, então, voltando ao Clube, fizemos o primeiro projeto em 1997, em homenagem a Pixinguinha, no centenário. Em 1998, descobrimos que Jacob do Bandolim, se estivesse vivo, faria 80 anos. Então fizemos Os 80 anos do Jacob com o mesmo sistema. A essa altura, as emissoras de TV começaram a ficar atentas ao sucesso dos projetos e se aproximaram. Começaram a filmar os espetáculos, a transmitir para todo o Brasil, dando visibilidade e repercussão nacionail. Em 1999, descobrimos que o choro Brasileirinho completava 50 anos, então fizemos um “Tributo a Waldir Azevedo”. Foi um sucesso estrondoso. No ano 2000, homenageamos as mulheres. Foi um ano emblemático, fizemos “Chiquinha Gonzaga: Ninguém resiste a Um Choro de Mulher”. Foi um sucesso extraordinário. A cada ano a gente escolhia um grande autor.



Saci Pererê (Chiquinha Gonzaga ) # Clara Sverner




Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth) # Artur Moreira Lima, Abel Ferreira e Época de Ouro






 
Pedacinho do Céu (Waldir Azevedo) # Orquestra de Senhoritas. Apresentação no Clube do Choro em 2008, ano do projeto Tom Jobim


Comecei a refletir sobre a vitalidade do Choro nos anos quarenta, cinqüenta, e seu declínio com o advento da Bossa Nova. A Bossa Nova foi um movimento da zona sul do Rio de Janeiro que sugeriu, de alguma maneira, certo isolamento dos músicos de choro, que se fecharam entre os cultores como uma reação à falta de espaço resultante. Fazendo uma reflexão em torno daquele momento, a gente admite que a postura de recolhimento nada mais era do que uma reação dos chorões pela exclusão a que foram submetidos. E, a questão, era reverter essa idéia, essa coisa de que no Choro só entra quem sabe tocar Choro, e, quem não sabe, é facão, tá fora, não participa da roda. Então fizemos um projeto que reagia a essa idéia, e que visava tornar o choro e seus cultores mais livres. A relação deveria ser mais fraterna, mais aberta, mais democrática. O Choro não tem dono, não está no quintal de ninguém. O Choro é brasileiro,é rural, não é carioca como alguns poucos ainda insistem. Concebemos um projeto chamado Caindo no Choro. Caindo no Choro significava o quê? Nós pretendíamos ampliar aqueles horizontes. Então, convidamos, por exemplo, o Zimbo Trio. Entrei em contato com o Amilton Godoy. Eu lhe disse:

– “Amilton, nós queremos sentir o Zimbo Trio tocando Choro, o que é que você acha?”

– “Mas a nossa praia é a Bossa Nova!”.

– “Sim. Vamos fazer uma coisa? Meio a meio. Metade Bossa Nova e a outra metade do espetáculo Choro, a partir de sua visão bossanovista. Que tal?”

– “Certo. Tá Bom”.

Então veio o anúncio: “Zimbo Trio Cai no Choro“. Esse convite sensibilizou pessoas que não eram propriamente do Choro. O público aqui de Brasília – que era fã da Bossa Nova, que era fã do Zimbo Trio – foi ao Clube, assistiu ao Zimbo dando versões ao Choro, interessantes, ricas e terminou adorando o ambiente do Clube.

 
Chega de Saudade (Tom Jobim – Vinicius de Moraes) # Jacob do Bandolim e Zimbo Trio



Em seguida, convidamos Maurício Einhorn, músico ligado à Bossa Nova, ao Jazz, um grande improvisador.
– “Maurício, queria te ouvir tocando Choro, Pixinguinha”.

– “Mas eu não sou chorão”.

– “Já pensou Pedacinho do Céu com a sua experiência de jazzista, de bossanovista, você colocando sua alma a serviço do choro a partir de suas experiências?”

– “Vamos lá”.

Resultado: “Maurício Einhorn Cai no Choro”.


Folhas Secas (Nelson Cavaquinho – Guilherme de Brito) # Maurício Einhorn e Gabriel Grossi, músico da novíssima safra de talentos brasilienses

Pepeu Gomes, guitarrista. Todo mundo conhece como guitarrista, a juventude toda. Eu liguei para ele:

– “Pepeu?”

– “Reco, tem 20 anos que eu não toco bandolim”.

– “E o tempo extraordinário dos Novos Baianos? Pepeu, pega o bandolim. Vamos fazer um choro aqui em Brasília, vai ser bom. Choro com 7 cordas, com cavaquinho, pandeiro”.

– “Rapaz, faz mais de 20 anos”...

"Pepeu Gomes Cai no Choro". Foram três noites inesquecíveis, lindas, de Choro. Pepeu Gomes virou Jacob, Waldir, Pixinguinha...


Entrada do Clube, Praça e Escola de Choro Raphael Rabello. Enquanto a infraestrutura interna da sede nova não fica pronta, tudo permanece funcionando nas antigas instalações.



Essa iniciativa ampliou definitivamente os horizontes, quebrou barreiras, certos preconceitos e apontou um novo caminho pra convivência. Se você verificar, o Choro começa em 1845 como uma maneira de tocar os gêneros que vinham de fora. Depois, pelas mãos de Anacleto de Medeiros, Joaquim da Silva Callado, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth entre outros gênios e, finalmente, pelas mãos de Pixinguinha, ele se consolida, realmente, como um gênero musical. Entretanto, na atualidade, a gente percebe que o Choro deixa de ser um gênero acabado e volta à condição de linguagem musical. Seja pela generosidade, pela grandeza você sente hoje que ele é muito mais uma linguagem. Quando a gente ouve a música de Hamilton de Holanda, por exemplo, percebemos que há elementos fundamentais do Choro. Mas não podemos classificar como Choro. A globalização democratiza informações, encurta distâncias – eu vejo aspectos positivos na globalização – , mas ela também permite que o mais forte imponha sua forma de ser ao menos forte. Nesse sentido nós temos que delimitar nosso território cultural. Assim, de outra parte, acho fundamental preservar também o Choro como ele é: o choro de Pixinguinha, o choro de Nazareth, de Jacob do Bandolim, de Waldir Azevedo. Como também acho fundamental que ele se desenvolva. Nada impede que as duas coisas aconteçam.


Enigmático (Altamiro Carrilho) # Altamiro Carrilho, Luiz Américo, Pedro Bastos, Eber Freitas e Zero e Maurício Verde


Lamentos (Pixinguinha – Vinicius de Moraes) # Leo Gandelman e Grupo


Reencontro com Paulinho (Canhoto da Paraíba) # Trio de Câmara Brasileiro


Embolada (Villa-Lobos) – Brasileirinho (Waldir Azevedo) # Wagner Tiso & Rio Cello Ensemble

A Ginga do Mané (Jacob do Bandolim) # Nicolas Krassic e Hamilton de Holanda

O próprio Clube faz isso na prática, não é? Porque, entre os convidados que o Clube recebe, muitos não são chorões. E o Clube está se consolidando como um templo da música instrumental brasileira.

Com certeza. É proposital. É a casa de música instrumental de vida mais longa que se tem na história.
Veja o exemplo do Armandinho. Desde a época do A Cor do Som , quando desenvolvia um trabalho para juventude, uma juventude que curtia música pop, em determinado momento do espetáculo largava a guitarra, apanhava o bandolim e tocava Assanhado, Noites Cariocas, Brejeiro, Brasileirinho. E aí cabe a pergunta: Quando é que aquela juventude iria ouvir o Assanhado se não fosse ali, daquela maneira?


Bem, aí eu comecei a a perceber – com o crescimento do Clube, com as emissoras de televisão interessadas e fazendo gravações, transmissões para o Brasil, Mercosul, países de língua portuguesa – que o choro precisava chegar às universidades. Nos últimos anos vimos visitando diversos países: estivemos na África, em Tunis, na França, na Espanha , Portugal, na Áustria fomos a Viena, a Salzburg, diversos lugares. Em contato com Instituições da Europa, universidades, escolas, a grande indagação é: “Por que as universidades no Brasil, 90% das universidades, cultivam apenas a música erudita e o mais grave, com repertório europeu?” A pergunta tem cabimento por vários motivos: primeiro pela excelência de nossa música, a diversidade, as harmonias, o ritmo. E, secundariamente, porque a Europa apresenta esse repertório erudito, que nós insistimos por aqui, com muito mais propriedade . O nosso esporte é o futebol. Basebol é dos americanos.
E somos craques...


Isso. Nós somos craques! Nesse sentido, assinamos uma parceria de cooperação científica e tecnológica com a Universidade de Brasília. Diante da nossa perspectiva, Oscar Niemeyer fez, como vocês sabem, um projeto arquitetônico para o Clube do Choro que reúne no mesmo espaço a Escola e Clube, quer dizer, vai se chamar Espaço Cultural do Choro e deve ficar pronto em abril desse ano de 2010. Dentro do Espaço Cultural do Choro, vamos construir, em parceria com a universidade, um Centro de Referência que vai reunir os 12 anos de gravações que temos com a TV Senado, gravações com a TV Câmara e com a TV Brasil. Os melhores espetáculos que você possa imaginar. Já entramos em contato com o Instituto Jacob do Bandolim, com a filha do Jacob, Helena Bittencourt, que é a presidente, e o Sérgio Prata, que é o diretor de Pesquisa. Nós estamos encontrando as maneiras para copiar o acervo do Jacob do Bandolim e trazê-lo para o nosso Centro de Referência. Estamos fazendo um levantamento do acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, onde há aproximadamente 40 itens que tratam da história da Música Popular Brasileira e do Choro. Vamos encontrar os caminhos políticos para copiar esse material e trazê-lo para o Centro de Referência. Pretendo visitar pessoalmente alguns centros que consideramos fundamentais pro choro e que têm uma característica específica. O choro no Brasil é variado. O Choro nordestino sofre uma influência muito forte do frevo. Tem levada e rítmica diferentes. O Choro daqui de Brasília, por crescer livre da fiscalização dos veteranos lá do Rio de Janeiro, cresce com uma liberdade muito grande, sob a influência de gente da Bahia, de Minas, do Rio, do Rio Grande do Sul, de tudo quanto é canto. Não só a música, mas a literatura de Brasília, o cinema de Brasília – não que seja melhor que os outros, mas é diferente – é fruto dessa mistura, uma coisa muito rica que tem que ser melhor avaliada.


Espaço Cultural do Choro

Em síntese, teremos a nova sede com o projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, um Centro de Referência com apoio da Universidade de Brasília, vamos ter gravações das TVs Senado, Câmara e Brasil e da TV pública, TV Brasil. A partir desses movimentos passamos a ser contatados por artistas de todo o mundo. Dos Estados Unidos, por exemplo, veio um trombonista de vara, um Gringo no Choro, como ele mesmo se apelidou, tocando Pixinguinha e Jacob do Bandolim perfeitamente, e com disco de choro gravado. O Marshall é outro bandolinista americano fazendo Choro. Veio um grupo de Londres, o Bristol Quintet, um quinteto de câmara que toca João Pernambuco. Um negócio emocionante. Então, nós estamos assim numa fase de trabalho árduo, em fase de conclusão das obras, em fase de implantação do nosso Centro de Referência. Nós queremos abrir esse centro de referência a estudiosos, a pesquisadores, a músicos do Brasil e do exterior, e com isso, de fato, apresentar, na minha visão, talvez o melhor produto deste país que é a Música Popular Brasileira.

E o seu trabalho como bandolinista e membro do grupo Choro Livre? Poderia falar um pouco sobre isso?

Pouco tempo atrás, nós fomos mais de um mês e meio participar do Festival Internacional de Música de Pulso et Púa, tocamos em Culleredo, Cambri, Noia e La Coruña. Você precisa ver como é que a música brasileira é recebida nesses lugares. É um negócio fantástico.
Leia o release sobre o grupo Choro Livre.

O site do Clube do Choro disponibiliza o CD completo do Reco do Bandolim e Choro Livre. Ouça
aqui.


Aquarela de Brasil (Ari Barroso) # Choro Livre em 2009, ano do projeto Dorival Para Sempre Caymmi. Formação atual: Henrique Neto, Rafael dos Anjos, Reco do Bandolim, Márcio Marinho e Tonho.



 
Siri com Toddy (Reco do Bandolim - Alfredo Paixão) # Reco do Bandolim e Choro Livre (com Alencar 7 Cordas, Augusto, Assis da Paraíba, Tonho e Kunka)


Moleque Ronaldinho (Reco do Bandolim – Augusto Contreiras) # Reco do Bandolim e Choro Livre (com Alencar 7 Cordas, Augusto, Assis da Paraíba, Tonho e Kunka)

Vocês têm planos, para além do Centro de Documentação e da cobertura das TVs Públicas, de disseminar essa experiência pelo Brasil?

Olha, eu estive recentemente de Santos, onde eu fui convidado para a inauguração do Clube do Choro local e para apresentar uma palestra na Câmara Municipal sobre a história do Choro e a do Clube do Choro de Brasília. Fiquei encantado com os amigos de Santos, pessoas idealistas. Porque o grande problema que a gente tem é o seguinte: em geral, quem se envolve com um trabalho como este é o empresário. Eu não tenho nada contra os empresários, pelo contrário, a atividade empresarial precisa existir. Mas é raro encontrar um músico, ou um brasileiro realmente envolvido com o Choro, aficionado, se envolver assim, como nós nos envolvemos. É tanto que o nosso projeto tem 17 anos. Eu estou há 17 anos na presidência do Clube do Choro. Em Santos eu percebi que as pessoas são idealistas, amam o Choro. Estão trabalhando, dando duro, tirando do bolso pra fazer.


Escola Nacional de Choro Raphael Rabello (interiores da nova sede)


Santa Morena (Jacob do Bandolim) # Hamilton de Holanda, grupo e Tiago Tunes, promissor bandolinista da Escola de Choro Raphael Rabello (12 anos).


Mas não é assim a maioria das experiências de Clubes de Choro? Porque tem clubes em Teresina, tem no Paraná – eu tenho CDs deles – em muitos outros lugares.

Começou a se proliferar a partir deste exemplo aqui de Brasília. Eu atribuo basicamente o sucesso dos Clubes do Choro à música brasileira, que é excepcional. O que a gente faz aqui no escritório, com uma equipe inclusive pequena, é procurar viabilizar isso, para que as pessoas tomem conhecimento de seu país. Mas o grande mérito é da música brasileira, que precisa ser apresentada. Eu considero que o marketing, hoje, que é esse instrumento legítimo que todo mundo usa – empresas, pessoas – para divulgar suas ações, divulgar o que faz, sinto que o marketing invade a cultura brasileira de uma maneira perversa. Eu, Reco, não me sinto mais representado no meu próprio país pelo que a mídia apresenta. Não é o meu Brasil, não é o Brasil que eu conheço, o que você assiste na grande mídia. Você chega num dia de domingo, liga a televisão nas grandes emissoras e nada de Brasil. Olha, pra ser educado, eu digo o seguinte: não se dá espaço a todos os segmentos. Se privilegia apenas uma parte,a pior metade. O Brasil é muito mais do que isso. Por exemplo, o carnaval da Bahia. Quero compreender que há o movimento do axé, que toda aquela juventude que vai à Bahia de férias, com muita adrenalina, querendo namorar, é muito natural, aquele céu azul, cheirinho de acarajé, cerveja gelada.


Aquela pimenta toda...


Aquela pimenta toda. Eu admito que é uma música ritmada, alegre. Penso que deve ter espaço. Se há o público que gosta, que aprecia, não sou contra. Tem coisa lá, por exemplo, que eu gosto. Mas não é só isso. A Bahia é muito mais e muito mais substantiva. Acontece que essa Bahia não aparece. Então todas aquelas celebridades brasileiras e estrangeiras que visitam Salvador ficam com a idéia de que a rica cultura de meu estado está resumida ao axé. Isso é falso. É um protesto veemente gostaria de fazer!!


E a televisão, em outros tempos, apresentava outros ângulos, outros aspectos. Quando eu era criança tinha os festivais, os grandes sambistas, os sanfoneiros, a Jovem Guarda, tinha variedade. Essa diversidade desapareceu.


Acho que deveríamos ampliar o leque de opções. Os grandes poetas, os grandes escritores, os grandes músicos, freqüentemente estão em pequenos espaços, sem respaldo. Isso é ruim pro país.



O próprio Clube do Choro é um desses redutos. Onde mais a gente escuta música instrumental com essa variedade e qualidade?

É verdade. Já fizeram vários apelos para que eu abrisse o Clube para música cantada. Não tenho nada contra música cantada. O problema é que o músico brasileiro tem muito valor mas não é reconhecido, nem apresentado. O instrumentista brasileiro precisa de palco. É necessário. A Semana de Arte Moderna, de 1922, nos deu esse exemplo, de mostrar o Brasil de fato. Recolher esse complexo de inferioridade imenso. Me parece oportuno uma união nacional em favor de nossos verdadeiros valores. Essa iniciativa do Ministro da Cultura de democratizar um pouco mais a cultura, com o vale-cultura, é uma coisa sensacional.


E a criação desses pontos de Cultura...

Os pontos de cultura e o vale-cultura mesmo, como tem o vale-refeição, é um alimento para o espírito! Nós precisamos disso. Eu vi alguns dados do Ministério da Cultura que me deixaram impressionado. Menos de 4% da população freqüenta museus; 13% da população freqüenta cinema; uma exclusão social lamentável. Precisa ser corrigida. Precisamos enfrentar, discutir esses assuntos. Quer dizer, é um direito de todo mundo. Se a gente quiser ter um país evoluído, seja na Economia ou na Política, nós temos que cuidar da nossa retaguarda cultural. Temos que tratar estas pessoas bem: os cineastas, poetas, os escritores, os músicos. essa gente precisa ser tratada direito! Se você for aí no primeiro mundo, o que qualifica o país não é política ou economia, é a Cultura. É isso que dá qualidade a qualquer país, assim como a elite da sociedade é o artista.


 
Carinhoso (Pixinguinha – João de Barro) # Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Época de Ouro






Muito bom! Muito bom! Nesta celebração não poderia faltar o Dudu, o fã mais assíduo do Clube do Choro de Brasília.
Foto: Mayte




Parabéns, Clube do Choro, pela conquista de sua merecida sede! Essa é uma vitória civilizatória da cultura brasiliense e nacional! Saudamos com muito carinho a Velha Guarda, depositária das preciosas tradições. Cumprimentamos o Reco, pela energia laboriosa, perseverança e entrega total ao projeto. Muito bom “ter feito em lugar de não fazer”. É aí que reside o segredo dos sonhos que se realizam. Homenageamos, principalmente, os maravilhosos músicos brasileiros, os imortais e os atuais, por manterem a chama acesa. Que vocês sejam cada vez mais respeitados, valorizados e ouvidos, em sua arte e em suas demandas, agraciados que são pelos Deuses com poder da criação e com o condão de tocar a emoção, educar a sensibilidade e fazer da vida uma experiência de maior beleza, harmonia e liberdade.

O que amas de verdade permanece,
o resto é escória
O que amas de verdade não te será arrancado
O que amas de verdade é tua herança verdadeira...

(fragmento do Canto 81 de Ezra Pound , traduzido pelos irmãos Campos e Décio Pignatari)


VIVA BRASÍLIA, CAPITAL DO CHORO, CIDADE QUE AMAMOS E QUE QUEREMOS ÍNTEGRA E RESPEITADA!

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Comentário de elizabeth em 18 abril 2010 às 21:37
Cafu, muito legal, vou ler e ouvir com prazer, bjs
Comentário de Stella Maris em 18 abril 2010 às 22:31
Cafu, ufa!.. que leitura... maravilhosa.
Comentário de Cafu em 19 abril 2010 às 1:31
Beth e Stella,
Muito obrigada pela visita. O post está meio grande, mas segue a tradição do Choro de fartura e boa música. :) É para ser apreciado aos poucos.
Ter uma instituição como essa na cidade, nos enche de orgulho e de admiração pelos artistas de nossa terra.

Beijos,
Cafu.
Comentário de Laura Macedo em 19 abril 2010 às 2:33
Cafu,
Você é conhecedora da minha grande paixão pelo Choro.
Há quase duas horas que estou aqui saboreando cada video, cada faixa musical,cada resposta do Reco...enfim, curtindo intensamente esse post antológico que, com certeza, entrará para a história do Portal Luis Nassif.

Cafu, além do excelente conteúdo da matéria, quero lhe parabenizar pela excelente formatação do post que mesmo grande não ficou, em momento algum, cansativa a leitura.

Destaco as duas composições do Avena de Castro: "Evocação de Jacob" e "Ki Kirias", que achei fantásticas.
Não conhecia dona Neusa França. Parabéns a ela pelo belo samba "Exaltação a Brasília" e também pelo pioneirismo na fase embrionária do Clube do Choro de Brasília.

Sempre cito nos meus escritos e/ou fala a importância do Clube do Choro de Brasília para o Choro Brasileiro.
Grata por citar o Clube do Choro de Teresina que já proporcionou aos piauienses e visitantes momentos mágicos, mas que infelizmente/vergonhosamente encontra-se fechado (sem sede para funcionar), por falta de apoio mínimo das instâncias a níveis municipal e estadual.
Que falta faz um Reco do Bandolim aqui em Teresina...

Eu e Gregório toda 5ª feira gememos: Ai! Que saudade do nosso Chorinho...

Nosso Clube do Choro funcionava no Espaço Cultural Trilhos, todas as quintas, com o grupo liderado pelo músico Vando Barbosa - "Trombone & Cia".
No vídeo abaixo, Vando (trombone) e Emyllía Santos (sax) recebem convidados ilustres: Zé da Velha e Silvério Pontes.



Quando puder transmita ao Reco (de quem sou fanzona) toda minha admiração pelo conjunto da sua obra, em prol do Choro Brasileiro.

Beijos.
Comentário de Cafu em 19 abril 2010 às 18:09
Laurinha,

Sou testemunha da sua paixão pelo Choro e guardo com muito carinho o CD dos chorões do Piauí que você me presenteou.

Obrigada pela força e pelas lições de formatação que você generosamente me deu. Aprendi direitinho, embora depois de publicado, algumas coisas fugiram ao controle e as configurações se alteraram. O HAL 2010 é bem temperamental e só faz o que quer. Fazer o quê? :)))

Foi a minha primeira entrevista da vida e o Reco facilitou à beça. Baiano fala pelos cotovelos e sem precisar dar corda. Hahaha. Brincadeiras a parte, eu também gostei muito do resultado e o mérito é, sobretudo, do Reco que tem bagagem e história robusta pra contar. Minha contribuição foi ser uma boa ouvinte e permitir que a narrativa fluísse livre, lépida e solta. Tenho a maior birra desses jornalistas atuais que perguntam e não ouvem a resposta porque interrompem a fala na hora que o entrevistado está começando a responder. Sem falar naqueles que ficam “debatendo”, quando não “atacando” ou agredindo o entrevistador. Eca. Morro de irritação. Militância é em outro lugar, de outra maneira e em outra situação. O leitor ou o ouvinte querem a informação inteira, sem ser truncada, os pontos de vistas variados para poder formar o seu próprio juízo. Eu heim, Rosa.

A história do Clube do Choro de Brasília é um exemplo de como fazer as coisas acontecerem, como acreditar nos sonhos, transformá-los em projetos e, principalmente, realizá-los. Nada é fácil. Requer dedicação integral, amor à causa, perseverança, capacidade de superação e de recomeço, trabalho duro e muita negociação. Divulgue esse relato para os seus amigos chorões daí. O segredo é por a mão na massa, enfrentar as dificuldades com infinita paciência, não entregar os pontos, conversar muito, acreditar no valor do projeto e agir. “Ter feito em lugar de não fazer...Ter colhido no ar a tradição mais viva” a exemplo dos versos do Ezra Pound. Mas precisa de jardineiros para capinar, adubar, plantar, regar, cuidar e só então colher. Não é?

Adorei o vídeo que você trouxe. Por coincidência o Zé da Velha e o Silvério Pontes estiveram semana passada no Clube do Choro daqui. Tremendo sucesso.

Beijos.
Comentário de Helô em 26 abril 2010 às 1:48
Cafu

Só agora voltei aqui com mais calma para escutar as músicas e rever o post. Ainda não terminei, mas esse post tem de ser saboreado aos poucos. Posso lhe afirmar que depois do que já vi e ouvi, vou dormir mais tranquila e começar bem a semana.
Se me permite, repito meu comentário deixado lá no blog do Nassif:
Parabéns a você por compartilhar com a gente essa belíssima entrevista do Reco e pela excelente matéria. O entusiasmo com que ele fala dos projetos futuros é animador. Ao mesmo tempo, nos envergonha saber do enorme esforço necessário para se conseguir apoio e patrocínio. Isso é difícil de entender quando falamos de um dos países musicalmente mais ricos, como o nosso Brasil. Seu desabafo diz tudo, querida amiga. Parabéns ao Reco, de quem já sou fã incondicional. Vida longa e próspera ao Clube do Choro de Brasília, verdadeiro patrimônio nacional.
Beijos.
Comentário de Cafu em 26 abril 2010 às 21:35
Helo,
O Brasil ainda não acordou para a importância e a riqueza de nossa Cultura. Por aqui, a Arte e a Cultura continuam desprestigiadas, reféns da mentalidade burocrática e utilitarista que predomina nas instituições públicas (e são estas que definem o orçamento, o tamanho das verbas, como e onde aplicá-las) e à margem do planejamento estratégico da nação desenvolvida e democrática que queremos construir.

Em 1973/74 eu morei na Inglaterra. Nunca na vida escutei tanto o Tico Tico no Fubá do Zequinha de Abreu (efeito do rastro luminoso de uma estrela chamada Carmem Miranda, claro). A maior parte dos ingleses com quem eu tive contato sabia pouquíssimo do Brasil. Muitos achavam que a nossa capital era Buenos Aires e alguns pensavam que aqui era uma terra semi-selvagem cheia de índios e snakes. Eu era uma incógnita indistinta que eles denominavam “sul-americana”, mas o Tico Tico era superpopular.

Quando fui visitar minha irmã na Dinamarca, uns 5 anos atrás, conheci vários músicos e muitos deles já tinham estado no Brasil, atraídos pela grandeza e sofisticação da música brasileira, e motivados pelo Carnaval, Samba, Frevo, Bossa Nova, e pelas nossas belezas naturais.. Idem na Alemanha. Nos países que já visitei, pude ver que o cartão de apresentação do Brasil é a música, o futebol, nossos biomas.

A entrevista do Reco suscita muitas reflexões. Aquelas que você falou, e as mencionadas anteriormente. Questões relativas ao Choro em si e suas perspectivas (seja como gênero seja como linguagem). A discussão crucial para o avanço de nossa cidadania referente ao valor e ao lugar que a Cultura e a Arte devem ter no Brasil que queremos Ser.
Quando vamos parar de olhar para fora, se espelhar nos outros e cobiçar o que supostamente nos falta? Quando vamos, enfim, reconhecer quem somos e se apropriar de fato de nossa identidade, nossas qualidades, nossa História, nossas tradições, nossas raízes e nosso enorme potencial? Que tipo de desenvolvimento queremos para nós? Aquele que vai resolver a fome do corpo, mas manter a indigência da alma?

Beijos,

Cafu.
Comentário de Cafu em 26 abril 2010 às 22:00
O Espaço Cultural do Choro visto de novos ângulos:






Em breve esta sala estará ocupada por jovens estudantes de música



Aqui será a sala de shows.

Comentário de Stella Maris em 26 abril 2010 às 23:24
Cafu. Aqui em Fort, todas as sextas feiras temos o Chorinho no antigo mercado dos Pinhões, bem pertinho de minha casa( vou caminhando) Lindas estas instalações MODERNAS de Brasilia.abração
Comentário de Cafu em 26 abril 2010 às 23:53
Stella,
Quer dizer que além das delícias, das belezas, das praias maravilhosas,das sofisticadas rendas, Fortaleza ainda tem Chorinho? Tô marcando touca. :)))

Já visitei o Ceará 2 vezes. Adorei Jericoacoara, Morro Branco, Canoa Quebrada, Fortaleza. Nossa as lagostas...os caranguejos da Praia do Futuro. Preciso voltar por aí. Quero muito conhecer o Projeto Casa Grande, no vale do Cariri. Já até escrevi sobre isso. Veja aqui.
Tenho grandes amigas cearenses aqui em Brasília. A Mariana, que fez o vídeo e gravou a entrevista do Reco é filha de uma delas. Uma das minhas companhias mais assíduas nas idas ao Clube do Choro.
Beijos.

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