

Depois do Rio, Brasilia e Salvador, a exposição Brava Gente, do paulistano Tide Hellmeister (1942-2008), chega a São Paulo, a partir de sábado , dia 30, na Caixa Cultural da praça da Sé. A mostra reúne 58 telas de uma série de pessoas vistas por ele nas ruas e recriadas, além de duas obras tridimensionais, suas casinhas tipográficas. A montagem apresenta ainda seis histórias escritas pelo próprio artista sobre suas criações, e o espectador pode ouvi-las por meio de telefones antigos.
Artista plástico e gráfico que tinha a colagem como sua principal forma de expressão, sua obra reúne múltiplas técnicas como tipografia, caligrafia, fotografia e pintura. Foi colaborador de diversas publicações, desde a antiga Ultima Hora, de Samuel Wainer, o início do Jornal da Tarde,com Mino Carta, criou capas para livros, além de incursões pelo design e pela publicidade.
Durante 7 anos foi parceiro do jornalista Paulo Francis, ilustrando a coluna Diário da Corte, publicada nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo. Realizou dezenas de exposições individuais, recebendo diversos prêmios nacionais e internacionais.
Tide era meu querido amigo, e nos deixou há um ano, no dia 31 de dezembro.Tive a honra de trabalhar com ele para esta exposição, projeto que seu filho André continuou, e enche os olhos de adultos e crianças de beleza e criatividade.
Oficinas Gratuitas em São Paulo
Aos sábados, das 10h às 14hs, convidados especiais oferecerão oficinas gratuitas abordando temas relacionados ao trabalho de Tide Hellmeister.
06/02 - Enock Sacramento - Tide, mãos de tesoura
06/02 - Marcelo Coelho - Visual & musical - musical & visual
20/02 - Marcos Melo - Pensando com Tipos - Oficina de Tipografia
27/02 - Andréa Branco - Tide com todas as letras
06/03 - Rubens Matuck - O artista Tide Hellmeister
13/03 - Guto Lacaz - Pop-up, cartões tridimensionais
Caixa Cultural
Praça Da Sé, 111
(Dom, Ter, Qua, Qui, Sex e Sáb) e feriados das 09h00 às 21h00. Grátis.
Até o dia: 28/03.
Brava Gente, um tributo de Tide Hellmeister
Certa vez perguntaram a Federico Fellini por que ele escolhia personagens e figurantes tão esdrúxulos para os seus filmes. Ele mesmo contou, em uma entrevista, quem fez a pergunta: uma senhora, dentro de um carro, usando um tapa-olho e com um mico no ombro.
Tide Hellmeister, um dos nossos mais importantes artistas, concordaria com Fellini, se lhe fizessem a mesma pergunta sobre os singulares personagens que compõem esta “Brava Gente”.
Somos todos nós, e de perto quem é “normal”?
Tide criou seus personagens a partir da observação do cotidiano, dos passageiros do metrô, do ônibus, dos caminhantes nas ruas. No estúdio, imaginava a história de cada um e recortava e colava e pintava seus rostos: tristes, bondosos, malandros, egoístas, avaros, generosos, abatidos, conformados, espertíssimos, tantos...
Todos com data de nascimento e de morte, as duas únicas certezas que a espécie humana possui, e a história que construíram para preencher esses espaços.
Pessoas humanas, demasiadamente humanas: Pedro, Cornélio, Julio Prosa de Jesus, Domingos, Theofilo, Gherard, Assumta, João, Benjamim, Eli Regina, Emilio, Nilo, Licurgo, Hipólito.
Pela primeira vez o homem da tesoura e do pincel, o artista gráfico que conquistou um lugar único, o homem para quem “tudo é colagem”, o artista das tantas faces, que se dizia “sem palavras”,
usou da palavra: sentou e escreveu.
Montou o seu teatro com tesoura, papel, tinta e escrita, como sempre fez, aliás, mas desta vez, escreveu histórias.
Todas impregnadas de compaixão pelo semelhante, pelo irmão, por essa Brava Gente brasileira que agora é apresentada ao público sob forma de arte de grande qualidade, como sempre foi sua produção.
Logo agora, que ele avisou: “fui ali e volto já”.
Nem precisa voltar, já que nunca partiu: a marca forte e bela de sua passagem sempre continuará entre nós.
Acompanhe em
www.expobravagente.blogspot.com
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