Briquetes como opção para energia térmica

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


Transformar resíduos leves, como cascas de sementes e restos de madeira, em material com potencial energético é uma metodologia aplicada há mais de um século. Avanços nas tecnologias para a produção desses briquetes, no entanto, podem representar lucro para as indústrias, além de ampliar a capacidade de geração de energia.

A fabricação de briquetes foi um dos temas apresentados na 5ª Feira de Inovação Tecnológica (INOVATEC) pela Embrapa Agroenergia. A principal vantagem dessa produção é a redução da quantidade de biomassa gerada por procedimentos agrícolas ou industriais, tornando sua utilização na geração de energia térmica, por exemplo, economicamente viável.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agroenergia, José Dilcio Rocha, a queima dos briquetes gera calor, que pode ser aproveitada diretamente como energia térmica ou transformada em energia elétrica por geradores.

O engenheiro mecânico e coordenador dos projetos de briquetes da Bioware, Felix Fonseca Felfli, explica que alguns resíduos, como cascas de arroz e amendoim, por serem muito leves, acabam tendo custo de transporte e armazenagem muito elevados, o que pode ser mais caro do que a própria geração de energia. Com a briquetagem, a biomassa é compactada e resulta em um volume até 10 vezes menor, com a mesma capacidade térmica.

A Bioware desenvolveu uma briquetadeira, que pode ser utilizada para pequenas produções de briquetes. De acordo com Felfli, diferentes dos equipamentos encontrados no mercado, que são de pistão, o equipamento usa o processo de briquetagem por extrusão a quente, onde a ferramenta comprime e molda os resíduos continuamente, dando-lhes a forma de cilindros ou de tijolos. O método permite a produção de briquetes mais homogêneos e resistentes, que podem ser utilizados tanto como lenha, quanto na produção de carvão, além da energia térmica. No processo não é adicionado nenhum componente químico.

O equipamento, de acordo com o engenheiro, pode chegar a ser 15% mais barato, é mais compacto e admite a produção de briquete de 50 centímetros a dois metros de comprimento.

Matérias

De acordo com Dilcio, vários resíduos podem ser utilizados para a produção de briquetes, como o bagaço e palha de cana-de-açúcar, bagaço de laranja, serragem e aparas de madeira - obtidas em serrarias ou em fazendas de exploração florestal -, cascas de coco, de babaçu, de macaúba, de pinhão manso, folhagens, resíduos orgânicos de filtração. Também podem ser utilizados troncos finos que não são aproveitáveis para a confecção de móveis ou tábuas, mas que podem ser adensados e utilizados como fonte de energia térmica.

A Bioware está desenvolvendo pesquisas em conjunto com a Embrapa para determinar que tipos de resíduos agrícolas podem ser usados para produção de briquetes, o custo dessa produção, o balanço energético do processo para cada tipo de resíduo, bem como a possibilidade de utilização da briquetadeira em regiões onde ainda não há energia elétrica.

Dilcio ressalta que a briquetagem de resíduos produz um combustível de excelente qualidade, com custo competitivo. Além disso, “ajuda a resolver problemas ambientais e gera um produto a mais na propriedade ou na indústria, o que aumenta a rentabilidade dos negócios”.
Algumas pesquisas, na região Note do país, já contemplam a briquetagem dos resíduos das plantas locais, comenta o pesquisador da Coordenação de Pesquisas de Produtos Florestais do Instituto Nacional de Pesquisas das Amazônia (Inpa), Sérgio Nunomora. Cascas de castanha do Pará, tucumã, entre outras, já foram testadas, justamente visando complementar a energia dessas regiões isoladas.

Estudo


O consumo crescente nos grandes centros urbanos gera uma grande quantidade de resíduos. A destinação de parte desses resíduos à geração de energia - por meio de briquetes - pode, além de garantir maior autonomia energética, reduzir a quantidade de lixo nos aterros municipais. O assunto foi tema de pesquisa denominada “Energia de briquetes produzidos com rejeitos de resíduos sólidos urbanos e madeira de Eucalyptus grandis”.

A pesquisa considerou uma mistura de rejeitos de resíduos sólidos urbanos (RRSU) e resíduos de madeira. Os briquetes foram fabricados com diferentes quantidades de mistura RRSU, de 0 até 25%, para verificar qual apresentaria os melhores resultados.

De acordo com a análise, que avaliou a melhor mistura do ponto de vista da combustibilidade e cinzas resultante do processo, a resistência e a energia utilizável, os briquetes com até 10% de RRSU apresentaram baixa resistência, já os acima de 15% apresentaram grande aumento no teor de cinzas.

Sobre a energia utilizável, o briquete com 25% de RRSU é o que apresenta maior poder calorífico. No entanto, a pesquisa ressaltou a necessidade de estudos mais aprofundados para verificar a emissão de gases nos processos.

Aqui a íntegra da pesquisa:

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