CABEÇA CADA UM TEM A SUA, INCLUSIVE UM MORADOR DE RUA

Fazendo uso da minha, imaginava que o primeiro pedido de um morador de rua ao "gênio da lâmpada" seria um teto decente onde pudesse se abrigar.

Se você com a sua cabeça pensa a mesma coisa, não se surpreenda se um dia tiver a oportunidade de se inteirar um pouco a respeito do comportamento dessas pessoas vistas apenas como um "problema" pela sociedade.

Ultimamente tenho frequentado uma igreja católica aqui em Campina Grande, onde é desenvolvido um bonito e eficiente trabalho com pessoas que foram retiradas das ruas. Atualmente residem no espaço destinado a essa obra social aproximadamente 20 internos, entre homens, mulheres e crianças que moravam nas ruas, foram resgatados e passaram a contar com habitação, comida e literalmente podemos dizer que vivem com dignidade e longe do desconforto do qual eram vítimas anteriormente.

Até aí tudo bem, porém o que me surpreendeu foi justamente saber que muitos dos que são acolhidos naquele local não passam mais que alguns dias e, por vontade própria, retornam as ruas, movidos por interesses absolutamente injustificáveis a luz da razão.

Mas, aos poucos vamos aprendendo mais a respeito dessas pessoas e outras novidades vão surgindo. Outro dia, depois de várias tentativas, conseguiram resgatar uma senhora que morava sob um ponto de ônibus em um bairro afastado do centro da cidade e que aparentemente precisaria muito dessa ajuda humanitária e, para surpresa de todos, ela voltou para sua "residência" no dia seguinte.

Como se explica isso, se não demonstrava ser uma viciada? É que algumas pessoas com o tempo acabam perdendo a noção de convivência e fazendo da solidão o seu modelo particular de viver, pois o seu sonho de consumo é exatamente aquele ali.

Quando aluno da escola agrícola em Bananeiras, tive a oportunidade de ver alguns estudantes desistirem do curso na primeira semana porque não suportaram as “brincadeiras” daquela cambada sem dó e coração, que pegava pesado com os “novatos”.

Imagine uma pessoa que vive sozinha debaixo de um ponto de ônibus, sem nenhum vizinho por perto, apesar de cercada por uma multidão que simplesmente não enxerga a sua presença, como se comportará passando a conviver com um grupo de estranhos assim de uma hora para outra? Se a companhia de pessoas que saíram do convívio familiar para um ambiente escolar já era vista para muita gente como um problema, imaginem a convivência com aquela galera que “sobrevivia” ali pelas calçadas da vida, experimentando de tudo que não queremos para os nossos filhos e netos?

Portanto, mesmo quando há boa vontade, diante dessas circunstâncias, já é difícil identificar quem realmente precisa e deseja uma ajuda de qualquer natureza e, assim, a sociedade prefere se omitir na prática da caridade, culpando a Copa do Mundo por tudo que existe de negativo no Brasil, como se a miséria tivesse chegado aqui junto com a Copa de 1950 e o bilhete de volta estivesse marcado para 2014 caso não acontecesse o novo evento.

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Comentário de Lafaiete de Souza Spínola em 20 outubro 2013 às 13:18

Por que nos países onde o investimento na educação é alto a indigência é mínima ou nula?

Por que muitos acham que o investimento feito em estádios de futebol luxuosos, para atender à FIFA, seria mais útil se aplicados na educação?

Na África do Sul muitas dessas arenas tornaram-se elefantes brancos. É preferível demolir muitos deles do que gastar na manutenção, pois não têm utilidade.

SOBRE INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO

Nesse mundo globalizado, quem não investe em Educação estará mais vulnerável. O Brasil, todos sabemos, é um país de analfabetos e semianalfabetos. Um diploma de segundo grau, quase sempre, não passa de um pedaço de papel. O IDEB e testes internacionais estão aí para comprovar a quem duvida dessa verdade. Depois do primeiro impacto inicial, o bolsa família passa à fase da saturação no que diz respeito à ampliação do mercado interno.

Segundo estatísticas, as classes D e E  representam cerca de 75 milhões de habitantes, aproximadamente 40% da nossa população. O poder aquisitivo desses nossos conterrâneos está em torno de, mirrados, 10%. O que podemos esperar dentro desse quadro de calamidade?

Um investimento de pelo menos 15% do PIB na educação, em nossas condições concretas, daria um impulso, em curto prazo, no nosso mercado interno, desde que haja uma mobilização nacional. Boa parte das nossas reservas poderia ser usada, inicialmente, para a construção de escolas, em tempo integral, tipo CIEPS, porém mais amplas, com áreas dedicadas à cultura e ao esporte. Tudo isso nas cidades e no campo.

Reservando aos pequenos agricultores o fornecimento da alimentação dessas escolas, haveria um crescimento do mercado interno oriundo da renda desses agricultores, além de mantê-los em suas terras. Não se faz necessário deduzir que haveria um crescimento, também, na construção civil. Por favor, esse é o trem bala que o Brasil necessita.

Sugiro que se aplique cerca de 40% das reservas na construção de grandes centros educacionais e na preparação urgente de professores, tudo federalizado.

FINLÂNDIA x BRASIL:

1. O PIB PER CÁPITA da Finlândia é de aproximadamente US$ 55.000,00.

2. O do Brasil está em torno de US$ 12.000,00.

3. A Finlândia investe cerca de 6% na educação, o que dá US$ 3.300,00.

4. O Brasil dedica por volta de 5%, num total de US$ 600,00.

5. A Finlândia, portanto, investe 5.5 vezes mais que o Brasil, na área.

6. Se passarmos a investir 15% do PIB, dá para ver que não é um exagero, como

alguns afirmam. Neste caso, a Finlândia continua investindo 80% mais que o Brasil.

Devemos considerar, ainda:

Que a nossa população em fase escolar, percentualmente, é maior que a da Finlândia.

Que a Finlândia investiu na educação para chegar a esse patamar de bem estar.

Que não se deve esperar melhores dias para assim proceder, pois esses dias podem não chegar ou tornar-se muito tarde, prolongando essa injustiça social e mantendo a nossa fragilidade na segurança.

Esse é o caminho para exterminar ou minimizar a indigência!

Comentário de JOSE AMAURI DANTAS em 20 outubro 2013 às 22:12
O Brasil é o maior vencedor de Copas do Mundo e o futebol está no sangue do seu povo. O investimento em educação tem que ser permanente e não seria a realização de uma Copa do Mundo de sessenta em sessenta anos que faria a diferença para pior. O Brasil é um país continental, com imenso potencial turístico, ainda por ser descoberto, mesmo o Cabral tendo aportado aqui em 1500.

A Copa do Mundo e a olinpíada terão grande importância nesse descobrimento, que poderá elevar a renda dos brasileiros a patamares mais significativos e propiciar maiores recursos para serem investidos em educação, saúde e segurança.

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