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Cadeia energética II: a produção e a transformação da energia

"existe uma longa cadeia de operações e processos que leva a energia que está contida nos recursos naturais até a satisfação das necessidades energéticas"

Como vimos em uma postagem anterior (Cadeia energética I: a utilização da energia), nós não consumimos diretamente a energia, na verdade, a utilizamos em equipamentos, aparelhos, máquinas e dispositivos que têm a função de converter a energia que é colocada à nossa disposição pelo mercado naquela forma que necessitamos.

Contudo, a energia que é encontrada na natureza, na maioria das vezes, não se encontra em condições de ser utilizada diretamente nos dispositivos de uso. Em função disso, torna-se necessário, mediante processos físicos e químicos, prepará-la para ser utilizada nesses dispositivos.

Afinal de contas, não dá para pegar um litro de petróleo, jogá-lo dentro do tanque de um carro e esperar que ele saia andando por aí; ou ligar uma tomada em um pedaço de carvão e ficar aguardando que a lâmpada do outro lado do fio acenda; ou, simplesmente, assar a carne em uma churrasqueira a lenha. Para se obter a energia nas condições adequadas a serem utilizadas nesses usos é preciso transformar o petróleo em gasolina, em uma refinaria; o carvão em energia elétrica, em uma central térmica; e a lenha em carvão vegetal, em uma carvoaria.

Esse conjunto de processos é chamado de transformação de energia e é realizado nos centros de transformação: refinarias, centrais hidroelétricas, centrais térmicas, centrais nucleares, plantas de gás, etc. Neste caso, as fontes de energia que passaram por processos de transformação são chamadas de fontes secundárias (ou derivadas), ao passo que aquelas que não sofreram esse tipo de processo são denominadas fontes primárias.

Cabe lembrar que algumas energias primárias podem ser utilizadas diretamente no consumo final; como é o caso da lenha. Em contrapartida, existem outras energias que, embora classificadas como energias secundárias, sofrem, de fato, várias transformações; como é o caso da energia elétrica que foi obtida do óleo combustível em uma central térmica, que, por sua vez, já havia sofrido uma transformação em uma refinaria de petróleo.

Assim, temos, de um lado, o consumo de energia, do outro, o conjunto de energias primárias e, fazendo a mediação entre eles, as tecnologias de transformação. É evidente que, assim como no caso das tecnologias de utilização, as tecnologias de transformação também variam no tempo e no espaço socioeconômico.

No entanto, para que as energias primárias possam ser utilizadas diretamente ou transformadas, é preciso extrair o petróleo, o gás, o carvão e o urânio do subsolo, armazenar a água em grandes reservatórios, plantar e abater as árvores e a cana, enfim dar as condições mínimas para que a energia contida nos recursos energéticos – renováveis e não renováveis - seja direcionada para a transformação ou, em alguns casos, para a utilização final. A estas atividades chamamos de produção de energia primária.

Aqui, mais uma vez, temos, de um lado, os recursos naturais, de outro, a demanda de energia primária, e, mediando os dois, as tecnologias de produção; que, também, variam no tempo e no espaço.

Os desafios de uma cadeia energética não se restringem à adequação das características físicas e químicas das energias primárias e à extração e aproveitamento dos recursos naturais. Há também a questão da localização. O petróleo do Oriente Médio e a energia hidroelétrica de Tucuruí não nos servem muito onde estão: é preciso trazer essas energias para onde se encontram os seus consumidores. Essa operação envolve toda uma logística de transporte e armazenamento para colocar essa energia à disposição desses consumidores que se localizam, em grande parte, nos grandes centros urbanos.

E aí, teríamos mais um conjunto de tecnologias, que seriam aquelas relacionadas ao transporte e ao armazenamento de energia, fazendo a mediação/integração entre os espaços que detêm os recursos energéticos e os espaços que consomem estes recursos. E estas tecnologias também variam no tempo e no espaço socioeconômico.

Desse modo, podemos dizer que existe uma longa cadeia de operações e processos que leva a energia que está contida nos recursos naturais até a satisfação das necessidades energéticas: Produção – Transporte e Armazenamento – Transformação - Utilização. Essa cadeia varia ao longo do tempo e dos espaços socioeconômicos e é fortemente condicionada por dois fatores fundamentais: a tecnologia e as instituições.

O papel da tecnologia e das instituições na configuração da forma como cada sociedade ao longo do tempo vai satisfazendo as suas necessidades a partir dos seus recursos naturais será o tema da próxima postagem desta pequena série sobre a cadeia energética.

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Cadeia energética I: a utilização da energia.

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Tags: energia

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