Muito triste isto. Vivi no sul, depois sudeste e nunca havia visto uma reação hostil tão intensa.

Vivo no nordeste, admiro o nordestino pela força, pelo trabalho. Não é um povo, como pensam muitos, que vive na rede, ou de esmola- é um povo que trabalha sob um sol de deserto, sem água, sem sombra, sem refresco.

Observo isto desde que cheguei- usam camisas de mangas compridas- um dia perguntei a um pedreiro o porquê: Para não pegar tanto sol.

Imaginem, sol a pino, 40°, e você trabalhando das sete às cinco da tarde, com 20' para almoçar.

Me referi aqui aos trabalhadores de obras, que são os que eu pude ver de perto enquanto faziam minha casa e as outras do condomínio. Eles continuam aqui ao lado construindo outro condomínio para a classe média alta viver.
São simples, não têm inveja, agradecem o que têm. Dizem naquele sol escaldante quando passo por um e digo:

- Que sol, hein?

- É, mas graças a Deus temos emprego.

Nordestino não vive de esmola, trabalha se tem emprego, trabalha duro. Vejo os vizinhos, saem cedo, mal os vejo, voltam tarde- muitos à noite, estudam.

Lamento que uma elite arrogante pense ser melhor do que este povo daqui. Prefiro mil vezes uma pessoa simples do que o esnobismo do frequentador de um shopping center.

Evito citar os lugares dos ataques contra nós- também me incluo, afinal escolhi viver aqui-porque sei que não vem de um setor apenas, de uma região- aqui mesmo em Natal ouvi uma pessoa dizer que Dilma iria ganhar porque a esmola do Lula funcionou.

Não sou especiaista no assunto, mas sei que alguns ganham, sim, uma cesta básica- ou bolsa família- para que os filhos não morram de fome. Há muita pobreza ainda, sim- há mulheres sozinhas, muitas, criando vários filhos sem recursos nenhum- sem instrução, sem apoio, sem saúde- estas são beneficiadas com o Bolsa família. Estas são beneficiadas com o leite para os filhos. Algumas se drogam, vendem o que recebem em cesta básica- esta é uma realidade que eu sei que está muito próxima de mim- ali onde minha faxineira mora.

Como condenar à morte esta geração de mulheres e crianças? Como fingir que não existem?
Por isso votei em Dilma.

O mínimo que um Governo precisa fazer por um povo é não deixá-lo morrer de fome. Lula não deixou e ofereceu emprego, abriu frentes de trabalho- eu vejo aqui o número enorme de obras da construção civil. Ai, dizem, a classe média se ferra. Não, esta classe se beneficia com as facilidades de um financiamento para comprar uma casa própria- é o que acontece por aqui. Ai, não?

Eu nunca fui lulista nem dilmista, mas no momento em que vi Dilma ser atacada assumi o meu papel de mulher na campanha- não poderia permanecer impassível diante de tantos ataques a uma pessoa que lutou por democracia enquanto eu me fechava por medo.

Obrigada Lula, obrigada Dilma!

Sorte e vida longe para os dois.

E quanto a este povinho reacionário, insensível, cego à pobreza que ainda persiste, o nosso desprezo.

Não pensem que por viveram em cidades com mais recursos, mais ricas, isso faz de vocês pessoas melhores- pelo contrário- estão mostrando o que há de pior nos Homens- o preconceito, o racismo, o ódio, quando todos somos irmãos.

Alguém duvida?

O Brasil nasceu aqui. Ou não sabem história do Brasil?

Minha família tem origem na Paraíba, lembrei agora.

Vídeo daqui:

Mayara Petruso quer afogar nordestinos. Ela não é a única | Blog do Rovai

Exibições: 92

Comentário de VANRAZ em 4 novembro 2010 às 18:38
Sou pernambucano, moro no recife, e adorei seu comentário. Emocionante. Obrigado.
Se tiver um tempinho entre no meu blog e veja a matéria sobre a censura na internet.
ivan
Comentário de Claudio Cecere Vianna em 4 novembro 2010 às 19:06
É repugnante que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas com esse tipo de preconceito. Se tivessem nascido nos anos 1930, seriam fervorosos partidários de Plínio Salgado, com certeza. Essa moçada não deve frequentar as aulas de História. Que pena.
Comentário de Bayardo Brizolla em 5 novembro 2010 às 1:39
Me parece que estamos novamente vendo renascer em São Paulo a famigerada Ação integralista brasileira, braço do nazismo no Brasil nos anos 30. Muita luta contra este tipo de pessoas, e muito cuidado com o ódio delas, pois podem se tonar perigosas mesmo nos dias atuais, na vivência de uma democracia plena.
Comentário de Vinicius Harry em 5 novembro 2010 às 17:03
Não sei se a maioria destas manifestações tem origem em SP, em outros blogs vi manifestações que beiram o fanatismo, pró-Serra, pareceu-me mais disseminado, não sei bem. O que estamos vendo é a mais baixa manifestação de uma classe em desespero, a classe média. A lenha para a fogueira foi fartamente distribuida pela chamada "grande imprensa". Considero ser extremamente necessária uma discussão sobre esta tal liberdade de expressão. Quando se vê aviltada a mais básica liberdade democrática alguma atitude muito séria precisa ser tomada, rápida e exemplarmente.
Comentário de Elianne Diz- Laura Diz em 20 dezembro 2010 às 22:40

Caríssimos, só hj li os comentários- estou c e-mail desatualizado aqui- vou tentar corrigir.

Obrigada pelos comentários, irei aos blogs.

Abs, Elianne

 

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2020   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço