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CARITAS IN VERITATE a nova encíclica do papa

Este artigo do NYT trás um apanhado geral da encíclica Verdade na Caridade do papa Bento XVI, ele é um intelectual sólido e ligado aos problemas de nosso tempo, talvez uma das mais brilhantes mentes do nosso tempo.

Sua formação é muito eclética e ele inclusive é um profundo conhecedor do Tarot, junto com o Hans Balthazar Von UR. Tenho em grande consideração seu pensamento e suas idéias, e concordo com o que ele diz a respeito de um novo acordo ser absolutamente necessário no campo das finanças internacionais e da moeda de troca internacional.


Pope Urges Forming New World Economic Order to Work for the ‘Common Good’



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By RACHEL DONADIO
Published: July 7, 2009

VATICAN CITY — Pope Benedict XVI on Tuesday called for a radical rethinking of the global economy, criticizing a growing divide between rich and poor and urging the establishment of a “true world political authority” to oversee the economy and work for the “common good.”
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Times Topics: Pope Benedict XVI

He criticized the current economic system, “where the pernicious effects of sin are evident,” and urged financiers in particular to “rediscover the genuinely ethical foundation of their activity.”

He also called for “greater social responsibility” on the part of business. “Once profit becomes the exclusive goal, if it is produced by improper means and without the common good as its ultimate end, it risks destroying wealth and creating poverty,” Benedict wrote in his new encyclical, which the Vatican released on Tuesday.

More than two years in the making, “Caritas in Veritate,” or “Charity in Truth,” is Benedict’s third encyclical since he became pope in 2005. Filled with terms like “globalization,” “market economy,” “outsourcing,” “labor unions” and “alternative energy,” it is not surprising that the Italian media reported that the Vatican was having difficulty translating the 144-page document into Latin.

Reportedly delayed to take into consideration the financial crisis, it was released by the Vatican on the eve of the Group of 8 industrialized nations summit meeting, which opens in Italy on Wednesday, and before Benedict is expected to receive President Obama at the Vatican on Friday.

“It’s not an encyclical done for the crisis,” Cardinal Renato Martino, the president of the Vatican’s Council for Justice and Peace, said at a news conference on Tuesday. Still, he added, “if the encyclical had come out before the crisis, you would have said it was prophetic.”

In the encyclical, Benedict wrote that “financiers must rediscover the genuinely ethical foundation of their activity, so as not to abuse the sophisticated instruments which can serve to betray the interests of savers.”

In many ways, the document is a puzzling cross between an anti-globalization tract and a government white paper, another signal that the Vatican does not comfortably fit into traditional political categories of right and left.

“There are paragraphs that sound like Ayn Rand, next to paragraphs that sound like ‘The Grapes of Wrath.’ That’s quite intentional,” Vincent J. Miller, a theologian at the University of Dayton, a Catholic institution in Ohio, said by telephone.

“He’ll wax poetically about the virtuous capitalist, but then he’ll give you this very clear analysis of the ways in which global capital and the shareholder system cause managers to focus on short-term good at the expense of the community, of workers, of the environment.”

Indeed, sometimes Benedict sounds like an old-school European socialist, lamenting the decline of the social welfare state and praising the “importance” of labor unions to protect workers. Without stable work, he noted, people lose hope and tend not to get married and have children.

But he also wrote, “The so-called outsourcing of production can weaken the company’s sense of responsibility towards the stakeholders — namely the workers, the suppliers, the consumers, the natural environment and broader society — in favor of the shareholders.” And he argued that it was “erroneous to hold that the market economy has an inbuilt need for a quota of poverty and underdevelopment in order to function at its best.”

Benedict also called for a reform of the United Nations so there could be a unified “global political body” that allowed the less powerful of the earth to have a voice, and he called on rich nations to help less fortunate ones.

“In the search for solutions to the current economic crisis, development aid for poor countries must be considered a valid means of creating wealth for all,” he wrote.

John Sniegocki, a professor of Christian ethics at Xavier University in Cincinnati, said one of the most controversial elements of the encyclical, at least for some Americans, would be the call for international institutions to play a role in regulating the economy.

“One of the things he’s saying is that the global economy is escaping the power of individual states to regulate it,” Mr. Sniegocki said. He said the encyclical also contained elements “very critical” of how the International Monetary Fund and the World Bank “have required cuts in social spending in the third world.”

Michael Novak, a philosopher and theologian at the American Enterprise Institute in Washington, a conservative research organization, said he thought that the encyclical was stronger on principles than policy suggestions. He said he was particularly uncomfortable with the idea of a strong international institution to regulate the global economy.

“I like limited government. I would much prefer to have many limited governments than one overriding authority,” Mr. Novak said by telephone.

Benedict, arguably the most environmentally conscious pope in history, wrote, “One of the greatest challenges facing the economy is to achieve the most efficient use — not abuse — of natural resources, based on a realization that the notion of ‘efficiency’ is not value-free.”

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_en.html

http://www.nytimes.com/2009/07/08/world/europe/08pope.html?em




Rachel Donadio reported from Vatican City, and Laurie Goodstein from New York.

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Comentário de Alexandre César Weber em 14 julho 2009 às 0:00
"Caritas in Veritate"
Autor(es): GERALDO LYRIO ROCHA
Folha de S. Paulo - 13/07/2009



Esperamos que a nova encíclica do papa Bento 16 inspire as nações na busca irrenunciável de caminhos para a superação da crise



ANUNCIADA NO final do ano passado, veio a lume na terça-feira, dia 7 de julho, a terceira encíclica do papa Bento 16, "Caritas in Veritate" ("Caridade na Verdade"), sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade.
Tendo como base e motivação originária a comemoração dos 40 anos da encíclica "Populorum Progressio", publicada pelo papa Paulo 6º, a nova encíclica de Bento 16 se detém na atualíssima questão do desenvolvimento e chama a atenção da sociedade para as implicações da busca de um desenvolvimento que não leva em conta a ética, desconsidera a dignidade da pessoa humana na sua totalidade e prescinde de Deus.
"Sem Deus, o desenvolvimento ou é negado ou acaba confiado unicamente às mãos do homem, que cai na presunção da autossalvação e acaba por fomentar um desenvolvimento desumanizado", recorda-nos o papa. A nova encíclica foi recebida com grande expectativa e vivo interesse exatamente por tocar em tema social, numa época em que o mundo todo se vê comprometido a buscar soluções para a crise econômica e financeira que tem vitimado, de forma impiedosa, os pobres e os excluídos.
A escandalosa situação de desigualdade que impera no mundo, aprofundando o fosso entre ricos e pobres, é um escândalo que contrasta com os grandes avanços alcançados pela pós-modernidade, marcada especialmente pela evolução das ciências e das novas tecnologias. A atual crise financeira mundial expõe de maneira evidente esse contraste e ameaça, primordialmente, os países mais pobres, deixando-os ainda mais reféns da economia mundial globalizada.
Sábias, oportunas e iluminadoras as palavras do santo padre, que reafirma o desenvolvimento como uma "vocação" do homem, mas que só poderá ser alcançado plenamente se respeitar os princípios que considerem o ser humano como criatura predileta de Deus, revestido de uma dignidade que não pode ser sacrificada pelas leis da economia destituídas da ética e da caridade na verdade.
O grande drama da humanidade hoje é a crise do sistema econômico, que, para o papa, é fruto da busca exacerbada do lucro, alimentada por uma subserviência ao mercado, que, ganancioso e voraz, ignora os mais pobres e miseráveis. O papa reafirma que "o objetivo exclusivo de lucro, quando mal produzido e sem ter como fim último o bem comum, arrisca-se a destruir riqueza e criar pobreza".
A mentalidade laicista que se expande de forma incontrolável e, às vezes, irracional, não pode obnubilar o ensinamento da igreja, que, vocacionada para o serviço à humanidade, chama a atenção para os desvios de um desenvolvimento centrado em si mesmo e orientado para o homem como se ele, autossuficiente, fosse fim em si mesmo. Nesse sentido, o papa Bento 16 recorda o papel imprescindível do Estado de garantir a liberdade religiosa como condição também para o desenvolvimento.
"Quando o Estado promove, ensina ou até impõe formas de ateísmo prático, tira aos cidadãos a força moral e espiritual indispensável para se empenharem no desenvolvimento humano integral e os impede de avançar com renovado dinamismo no próprio compromisso de uma resposta humana mais generosa ao amor divino".
Repetimos à exaustão que à igreja não cabe propor soluções técnicas para os problemas da economia. Ela tem direito, no entanto, de iluminar com a sabedoria do evangelho os caminhos dos que buscam essas soluções.
Assim é que o papa, mais uma vez, insiste na ética, também para a economia, como condição "sine qua non" para um desenvolvimento que se pretenda humano. Com efeito, diz o papa: "A área econômica não é nem eticamente neutra nem de natureza desumana e antissocial. Pertence à atividade humana; e, precisamente porque humana, deve ser eticamente estruturada e institucionalizada".
Com o papa, podemos dizer que temos um grande desafio, que é mostrar que os princípios tradicionais da ética social como a justiça, a transparência, a honestidade e a responsabilidade "podem e devem encontrar lugar dentro da atividade econômica normal". Trata-se, como bem afirma Bento 16, de uma exigência simultaneamente da caridade e da verdade.
Esperamos, com a ajuda de Deus, que a nova encíclica do papa Bento 16 inspire as nações na sua irrenunciável busca de caminhos para a superação da crise em vista de um desenvolvimento que coloque no centro a pessoa humana, sobretudo os pobres, defenda a vida em todas as suas formas de manifestação e elimine as desigualdades que ofendem o Criador que nos fez à sua imagem e semelhança.
Comentário de Alexandre César Weber em 14 julho 2009 às 0:08
A qualificação do debate, como quer o Malan é a proposta da nova encíclica papal, como entroduzir a ética nas relações economicas modernas e preservar o espírito do capitalismo intacto e produtivo ?


The Audacity of the Pope

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By ROSS DOUTHAT
Published: July 12, 2009

Papal encyclicals are supposed to be written with one eye on two millenniums of Catholic teaching, and the other on eternity. But Americans, as a rule, have rather narrower horizons. As soon as the media have finished scanning a Vatican document for references to sex, the debate begins in earnest: Is it good for the left, or for the right? For Democrats, or for Republicans?
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Susan Etheridge for The New York Times

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Times Topics: Roman Catholic Church
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This was true in the 1950s, when the young William F. Buckley Jr. famously feuded with liberals over how much respect he owed to papal pronouncements on economic matters.

It was true in the 1990s, when conservatives eagerly cited John Paul II’s condemnations of abortion and euthanasia, while liberals countered by noting his criticisms of the death penalty.

And it’s especially true today, when a document like “Caritas in Veritate” (“Charity in Truth”), the third encyclical of Benedict XVI’s papacy — whose release, last Tuesday, was slightly overshadowed by a celebrity funeral of some sort — can be wrangled over endlessly within hours of showing up online.

These arguments never seem to go anywhere. When a pope criticizes legalized abortion, liberal Catholics nod and say that yes, they agree, it’s a terrible tragedy ... but of course they can’t impose their religious values on a secular society. When a pope endorses the redistribution of wealth, conservative Catholics stroke their chins and say that yes, they agree, society needs a safety net ... but of course they’re duty-bound to oppose the tyranny of big government. And when the debate isn’t going their way, left and right both fall back on flaccid rhetoric about how the papal message “transcends politics,” and shouldn’t be turned to any partisan purpose.

“Caritas in Veritate” has been no exception. It’s a “social” encyclical, in the church’s parlance, covering issues ranging from globalization and the environment to unions and the welfare state. Inevitably, liberal Catholics spent the past week touting its relevance to the Democratic Party’s policy positions. (A representative blast e-mail: “Pope’s Encyclical on Global Economy Supports the Principles of the Employee Free Choice Act.”) Just as inevitably, conservative Catholics hastened to explain that the encyclical “is not a political document” — to quote a statement co-authored by the House minority leader, John Boehner — and shouldn’t be read as “an endorsement of any political or economic agenda.”

Boehner is half right. The pope is not a Democrat or a Republican, and his vision doesn’t fit the normal categories of American politics.

But Benedict’s encyclical is nothing if not political. “Caritas in Veritate” promotes a vision of economic solidarity rooted in moral conservatism. It links the dignity of labor to the sanctity of marriage. It praises the redistribution of wealth while emphasizing the importance of decentralized governance. It connects the despoiling of the environment to the mass destruction of human embryos.

This is not a message you’re likely to hear in Barack Obama’s next State of the Union, or in the Republican Party’s response. It represents a kind of left-right fusionism with little traction in American politics.

But that’s precisely what makes it so relevant and challenging — for Catholics and non-Catholics alike.

We’re passing through the worst economic dislocation of the past 80 years. Our politics are polarized; our institutions gridlocked. The governing party is mistrusted, the minority party despised.

Yet there’s remarkably little radical thinking taking place. The Republican Party is retrenching, falling back on Reagan-era verities. His promises of post-partisan change notwithstanding, Barack Obama’s agenda looks like the same old Democratic laundry list, rewritten in a sleeker, Internet-era font.

This doesn’t mean that America needs a third party with “Caritas in Veritate” as its platform. The church is not a think tank, and there’s room for wide disagreement about how to put its social teaching into practice.

But Catholics are obliged to take seriously the underlying provocation of the papal message — namely, that our present political alignments are not the only ones imaginable, and that truth may not be served by perfect ideological conformity.

So should all people of good will. For liberals and conservatives alike, “Caritas in Veritate” is an invitation to think anew about their alliances and litmus tests.

Why should being pro-environment preclude being pro-life? Why can’t Republicans worry about economic inequality, and Democrats consider devolving more power to localities and states? Does opposing the Iraq war mean that you have to endorse an anything-goes approach to bioethics? Does supporting free trade require supporting the death penalty?

These questions, and many others like them, are the kind that a healthy political system would allow voters and politicians to explore.

But for now, at least, you’re more likely to find them being raised in Benedict XVI’s Vatican than in Barack Obama’s Washington.
Comentário de Alexandre César Weber em 22 julho 2009 às 20:12
Caridade e verdade
Autor(es): ANTONIO DELFIM NETTO
Folha de S. Paulo - 22/07/2009



NINGUÉM podia deixar de ter simpatia pela velha "opção pelos pobres" da Igreja Católica, agora transformada em "opção pelos homens", na nova Encíclica "Caritas in Veritate".
Para Roma, a organização econômica é subordinada. Deve adequar-se à concepção da ordem social orgânica da igreja dentro da qual está imersa. Esta última fundamenta-se na caridade, que é o valor supremo do cristianismo. Roma sempre recusou o liberalismo e o capitalismo, fundados no egoísmo e no individualismo, e negou o comunismo, criação de diabólicos "engenheiros sociais". Para ela, corretamente, a economia deve ser submetida à ética. Entre esta sociedade cristã imaginada e a que vivemos, há enorme distância. Nada impede, entretanto, que com alguma ousadia ela seja encurtada. Se João Paulo 2º (com a ajuda da crise do petróleo de 1979!) derrubou o comunismo, por que Bento 16 não pode aspirar a cristianizar o fundamentalismo mercadista que dominou o mundo e parece produzir a atual destruição do homem?
Roma possui assessores (economistas profissionais da maior competência e mundialmente renomados) para analisar como funcionaria um sistema econômico cuja base seria a caridade e o altruísmo, problema tratado, aliás, em 1881, pelo grande economista F.Y. Edgeworth. Parece claro que, se for possível dar à caridade o caráter de imperativo categórico em indivíduos agindo em plena liberdade e esse comportamento levar ao estabelecimento de uma certa ordem (como o egoísmo parece levar), teríamos um mundo muito melhor.
Uma coisa, porém, é certa. Isso não será feito por "economistas de sacristia". Roma, por exemplo, não defende o "calote das dívidas" como acontece no Brasil. No máximo, por conta da caridade, recomenda (como no velho Pai Nosso) que o credor perdoe o devedor mais pobre. Não que este a rejeite!
No Brasil, a negação da dívida externa tem uma longa história, mas não há assunto em que o país seja mais desinformado. Alguns livros didáticos são analiticamente pobres, ideologicamente oportunistas e, o que é pior, ignorantes das estatísticas. Para eles, a "história é a política projetada no passado"!
Ainda agora vimos ilustre eclesiástico afirmar que desde 1973 o Brasil tem "dívida externa terrível" e que não devemos pagá-la. A verdade é que o Brasil superou a recessão mundial de 1974/75 sem problema e com pequeno endividamento. A afirmativa ignora que desde 1971 controlava-se a entrada de capitais: em 1973 o prazo mínimo para empréstimos externos passou de cinco para dez anos e o depósito compulsório para novos empréstimos foi aumentado em outubro para 40%. Por caridade, é bom procurar a verdade...

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