Cavaquinho Delicado: Tributo a Waldir Azevedo


Autor do choro Brasileirinho, um sucesso mundial? Artista que mudou a história da música instrumental no Brasil? Com músicas gravadas em cinqüenta países? Uma vida de sucessos e reveses? Mestre e gênio do cavaquinho? Vendeu mais discos na década de 50 do que os grandes cantores?


SIM. Waldir Azevedo!


Waldir Azevedo, carioca do bairro da Piedade, nascido em 1923, costumava afirmar que não entendia como “um pedaço de pau, com quatro pedaços esticados de arame”, pudesse tê-lo levado tão longe.

A música instrumental no Brasil, até final dos anos 40, era caracterizada, assim como em diversos países, como um gênero de vendas reduzidas. Isso foi antes de Waldir Azevedo. Ele foi o divisor de águas, o salto de qualidade, a mudança de paradigma. Com sua estréia, em 1949, o choro passou a ser sucesso de crítica e público. Waldir Azevedo retirou o cavaquinho do papel de acompanhante e o colocou em destaque como instrumento de solo, explorando de forma inédita as suas potencialidades.

Como solista, Waldir Azevedo combinou como ninguém velocidade e sonoridade na execução de um instrumento de corda. Suas composições explodiam em vendas numa inusitada combinação de virtuosismo, qualidade e sucesso comercial.

Promovendo a integração de culturas, seus sucessos emocionavam e tocavam a alma do seu povo, o povo brasileiro, e ao mesmo tempo eram admirados em dezenas de países. Um brasileiro universal e inesquecível.

Criou mega-sucessos como Brasileirinho (1949), Delicado (1950) e Pedacinhos do céu (1951). Apresentou-se na Europa e no Oriente Médio e suas composições foram gravadas em mais de cinqüenta países.

Sua vida foi recheada de alegrias e dificuldades. Aos sete anos começou a tocar flauta, passando para o bandolim, o violão e o cavaquinho. O pai queria que ele arranjasse um emprego, para “esquecer a música”. Foi funcionário da Light, onde ficou por uma década, mas finalmente decidiu-se pela música. Assim, a Light perdeu um funcionário e o mundo ganhou um artista genial.

Dois tristes episódios marcaram sua trajetória e o levaram a se afastar da carreira por longos períodos: a perda da filha Miriam, em 1962, e o acidente doméstico, em 1974, no qual perdeu a falange do anelar da mão esquerda, em Brasília, para onde havia se mudado com Olinda, sua grande companheira, em 1971, com o objetivo de ficar próximo da filha Marly. Para alívio de todos, o dedo foi reimplantado com sucesso.

Nos dois casos, apesar da imensa dor na alma e também física, Waldir conseguiu superar o trauma e retomar a carreira. Faleceu em 1980, em São Paulo, mas continua até hoje como um dos compositores preferidos pelo público e um dos mais respeitados e executados.


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PROJETO


Para comemorar, relembrar e apresentar Waldir Azevedo às novas gerações, está sendo lançado o projeto ”Cavaquinho delicado – tributo a Waldir Azevedo” exatamente agora, em 2009, quando sua genial composição Brasileirinho completa sessenta (60) anos. A homenagem contempla quatro talk-shows, exposição e vídeo.

Os quatro talk-shows serão conduzidos pelo músico Ronaldinho do Cavaquinho, revelação do choro e herdeiro musical de Waldir Azevedo. Ronaldinho receberá ilustres convidados: Caçulinha, Déo Rian, Valmar Amorim e Ademilde Fonseca, que atuaram com Waldir Azevedo. Nesses encontros, não faltarão histórias, lembranças e inesquecíveis sucessos do grande artista e ser humano Waldir Azevedo.



EXPOSIÇÃO


Conta com acervo raro de fotos, textos, partituras, objetos pessoais e instrumentos musicais de Waldir Azevedo, sendo que alguns desses itens serão expostos pela primeira vez. A exposição retrata os momentos mais importantes da vida e da obra de Waldir Azevedo, incluindo a enorme repercussão do seu falecimento.

A curadoria da exposição é de Sérgio Prata, músico e diretor de pesquisa do Instituto Jacob do Bandolim. Entre outras, foi também curador da exposição “Os regionais de choro”, no Festival do Choro, realizada no Cais do Porto, em 2004.



VÍDEODOCUMENTÁRIO


Com seis minutos de duração e roteiro baseado em imagens, entrevistas inéditas e shows de Waldir Azevedo.



Todos os eventos de ”Cavaquinho delicado – tributo a Waldir Azevedoocorrerão no Teatro SESI, de 8 a 29 de abril. Os talk-shows acontecerão nos dias 8, 15, 22 e 29 de abril (quartas-feiras), sempre às 12:30, com uma hora de duração. A exposição poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, das 11:00 às 18:00.


RONALDINHO DO CAVAQUINHO


Segundo depoimento de Dona Olinda, esposa de Waldir Azevedo, “Ronaldinho é a presença viva de Waldir Azevedo”.

Ronaldinho do Cavaquinho, músico, cavaquinista, compositor, 37 anos, considerado um virtuoso, nasceu no Rio de Janeiro, no Méier, de família pobre. É autodidata, estuda cavaquinho desde os 14 anos. Em suas freqüentes apresentações para crianças e jovens carentes, ou em suas oficinas em Conservatória, conta sua história de dificuldades e superações na busca pelo seu sonho.

Ronaldinho tem realizado shows pelo Brasil com grande sucesso. Desde 2004, semanalmente, comanda o show-seresta de Conservatória, tradição turístico-cultural da cidade. Também ali Ronaldinho do Cavaquinho é destaque há uma década no evento “Noite do chorinho”, onde recebeu grandes nomes do choro, como Déo Rian, Ademilde Fonseca, Zé da Velha e Silvério Pontes, entre outros.



CONVIDADOS DO TALK-SHOW (por ordem de apresentação)


Caçulinha

Nome artístico de Rubens Antônio da Silva, renomado acordeonista, multi-instrumentista e compositor. Tocou com grandes nomes da música brasileira, como Teixeirinha, João Gilberto e Luiz Gonzaga. Participou de um dos shows de maior sucesso da carreira de Waldir Azevedo: “Som bem Brasil”, que percorreu o país inteiro, acompanhado de grandes nomes, como Clara Nunes, Luiz Gonzaga, João Bosco, entre outros. Trabalha há vários anos no Programa do Faustão, na TV Globo.

Déo Rian

Bandolinista e profundo conhecedor da obra de Jacob do Bandolim, com quem aprendeu os segredos do instrumento e a quem sucedeu como solista do conjunto Época de Ouro. Gravou dezenas de discos, com destaque para Inéditos de Jacob do Bandolim (volumes I e II), e lidera o conjunto Noites Cariocas. Déo Rian também conheceu Waldir Azevedo e foi testemunha do respeito que Jacob do Bandolim tinha por ele. Em 2003, gravou o CD Sempre Waldir, em homenagem a Waldir Azevedo, com Henrique Cazes, Bruno Rian e Valmar Amorim.


Valmar Amorim

Valmar Amorim, cavaquinista, surgiu com a retomada do choro na década de 70 e foi considerado por vários críticos musicais, à época, como o substituto musical de Waldir, de quem se tornou um aluno informal, assim como Déo Rian o foi de Jacob do Bandolim. Valmar se afastou da música para seguir a carreira de juiz de direito. Em 2003, juntamente com Déo Rian e Henrique Cazes participou do CD Sempre Waldir, dedicado a Waldir Azevedo.

Ademilde Fonseca

Iniciou seu enorme sucesso como intérprete de choros cantados, na década de 40, o que lhe valeu o título de “rainha do chorinho”. Apresentou-se com grandes nomes, entre eles Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Canhoto, Radamés Gnattali e maestro Chiquinho. A “rainha do chorinho” deu voz aos maiores sucessos de Waldir, como Brasileirinho, Pedacinhos do céu e Delicado, aumentando ainda mais a repercussão dessas composições. Na última aparição de Waldir Azevedo na TV, ela estava ao seu lado. Desde 1997, integra o conjunto As Eternas Cantoras do Rádio. Participou do CD Café Brasil, ao lado de Marisa Monte, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Henrique Cazes, Leila Pinheiro e o conjunto Época de Ouro, entre outros.



CONJUNTO DE RONALDINHO DO CAVAQUINHO


Álvaro Barcelos

Percussionista. Integrou a Cia. Folclórica do Rio e há dez anos integra a banda da cantora e compositora Dona Ivone Lara. Participou dos festivais de Montreux (Suíça), Latino-Americano (Itália) e de Música da Martinica. Tocou no show da entrega do Prêmio Shell, no Canecão, RJ.


Gabriel Oliveira

Violonista. Tocou com o grupo Novo Rio (pagode), também formou o grupo de choro Os Cinco Companheiros. Acompanhou Gilberto Alves, Nelson Gonçalves, Gordurinha, entre outros. Foi violonista do conjunto de Claudionor Cruz.


João Rafael

Pandeirista. Tocou com grandes músicos, como Ataulfo Alves Júnior, Vó Maria, David do Pandeiro, Orquestra Tabajara – do maestro Severino Araújo – Moacyr Luz, Nilze Carvalho, Neguinho da Beija-Flor, Monarco, Nelson Sargento, Ademilde Fonseca, Zé da Velha e Silvério Pontes, entre outros.


Wellington Monteiro

Cavaquinista e compositor. Iniciou suas atividades musicais na Escola de Música Meu Kantinho, onde conviveu com Zé da Velha, Raul de Barros, Luís Carlos da Vila, entre outros. Integra a Orquestra Brasileira de Harpas e o grupo Teto de Zinco. Lecionou música no Instituto Cultural Martinho da Vila.



PATROCÍNIO
Light

Governo do Estado do Rio de Janeiro

Secretaria da Cultura

Lei do ICMS


APOIOSistema Firjan

Teatro Sesi

Insitituto Jacob do Bandolim

Ao Bandolim de Ouro


REALIZAÇÃO
Ronaldinho do Cavaquinho


LOCAL

Teatro SESI

Avenida Graça Aranha, 1, Centro, Rio de Janeiro

Tel.: 21 2563-4163


TALK-SHOW (com uma hora de duração)


08/04 – 12:30 – Caçulinha

15/04 – 12:30 – Déo Rian

22/04 – 12:30 – Valmar Amorim

29/04 – 12:30 – Ademilde Fonseca


Ingresso: Inteira R$ 2,00, meia R$ 1,00

Classificação: livre


EXPOSIÇÃO COM VÍDEO

No hall do teatro – de 8 a 29 de abril, de segunda a sexta, das 11:00 às 18:00.

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Fonte: Site Agenda da samba & choro (http://www.samba-choro.com.br)

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"Brasileirinho", de Waldir Azevedo, com Toquinho e Luciana Rabello (Suiça - 1983).


Curtam ao som do Cavaquinho de Waldir Azevedo, em "Delicado", de sua autoria.


"Pedacinhos do Céu" de Waldir Azevedo, com Altamiro Carrilho e Choranas.

Exibições: 234

Comentário de Cafu em 16 abril 2009 às 14:52

Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele está doendo em mim...

Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 16 abril 2009 às 19:40
Valeu Cafu!

A saudade "deles", Pixinguinha, Jacob, Waldir, Radamés, Zequinha, Nazareth, Chiquinha,Villa-Lobos, Luperce Miranda.... sempre dói em mim, que sou uma eterna "chorona" :)))))

Beijos.

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