Antônio Almeida

* 26/08/1911 - Rio de Janeiro (RJ)
+ 10/12/1985 - Rio de Janeiro (RJ)

Praticamente no apagar das luzes de 2011 venho, embora tardiamente, prestar minha homenagem ao Centenário de Antônio Almeida.

 

 

 

Antônio Almeida não era um artista que aparecia no rádio ou na televisão. Pelo menos não à frente das câmeras ou dos microfones. Ele trabalhou no rádio, na televisão, para o teatro, cinema e na indústria do disco, onde foi diretor artístico da gravadora Todamérica, reduto da música brasileira que lançou muitos intérpretes nos anos 50 e um pouco antes. Mais do que isso, foi um grande compositor.
Nascido no Rio de Janeiro, em Vila Isabel, frequentava a boemia carioca, as casas de dança, ranchos e blocos, o rádio e o teatro. Chegou a conhecer o compositor Sinhô na sociedade carnavalesca "Kananga do Japão".

 

 

 

Conviveu com a chamada geração de ouro da música brasileira. Trabalhando nos bastidores, criou programas de rádio, concursos, shows, roteiros e muitas músicas que dividiu com parceiros ilustres, sendo os principais João de Barro, Alberto Ribeiro, Wilson Batista e Nássara. E mais Roberto Martins, Ataulfo Alves, Mário Lago, Cyro de Souza, Pedro Caetano, Marino Pinto, Dorival Caymmi e Charles Chaplin.

 

 

 

 

 

 

“Meu parceiro mais famoso é o Carlitos, o Charles Chaplin (...). Eu fui assistir um filme do Carlitos chamado “Luzes da Ribalta”, um filme em que eu sai do cinema assoviando a música (...), ela não me saia da cabeça, eu tenho um ouvido muito bom (...). Eu sou parceiro porque fiz a letra que era uma coisa que não existia. Fiz a letra em português, alias, eu e o Braguinha (...). Nós tivemos que pedir permissão ao editor americano (...). Mais ou menos vendo o sentido, ele concordou e nós então fizemos a gravação que vendeu aqui no Brasil um milhão e tanto de discos”. (Depoimento ao Programa MBP Especial – TV Cultura, em 6 de março de 1974).

Antônio Almeida compôs mais de 300 obras entre sambas, marchinhas de carnaval e versões para sucessos estrangeiros, todas gravadas por diversos intérpretes, entre os quais, Francisco Alves, Orlando Silva, Aracy de Almeida, Anjos do Inferno e Joel e Gaúcho.

 

 

Atuou no teatro de revista para o qual compôs números com o Maestro Jerônimo Cabral. Fez também composições para shows nos Cassinos da Urca no Rio de Janeiro e de Icaraí em Niterói. Em 1941 fez grande sucesso no carnaval com o samba "Helena!...Helena!...", parceria com Constantino Silva, e gravado pelos Anjos do Inferno.

 

 

Clique no player e ouça o próprio Antônio Almeida contando o que motivou a composição “Helena, Helena” (parceria com Constantino Silva) e porque ela demorou a tanto a ser gravada.

 

 

 

 

 

A Helena do samba (mais de 100 gravações, algumas no exterior) entrou para o rol de mulheres famosas de nossa música popular

 

 

 Outra jóia com nome feminino, de Antônio Almeida.

 

 

 “Juracy”, em parceria com Ciro de Souza.

 

 

 

 

 “Doralice”, em parceria com Dorival Caymmi, foi gravada, primeiramente, pelos Anjos do Inferno e fez um sucesso relativo.

 

"Doralice" (Antônio Almeida/Dorival Caymmi) # Os Anjos do Inferno. Disco Victor (80.0329) / Matriz (S-078256). Gravação (10/08/1945) / Lançamento (outubro/1945).

 

Agora sucesso mesmo aconteceu 15 anos depois, quando João Gilberto gravou com uma interpretação diferente, rotulando-a de “bossa nova”. Nos Estados Unidos gravou, também,com o Stan Getz vendendo mais de dois milhões de discos.

 

 

 

Antônio Almeida transitou com desenvoltura por todos os gêneros musicais, mas confessa: “o carnaval foi a minha cachaça, sempre gostei de carnaval”.

 

 

 “Marcha do remador” (Antônio Almeida / Braguinha) # Emilinha Borba.

A mulata é a tal” (Antônio Almeida / Braguinha) # Emilinha Borba.

 

 

 

Agora pulando do carnaval para a vertente romântica encontramos o samba-canção -“A saudade mata a gente”-, de Antônio Almeida, em parceria com Braguinha, que até hoje é regravado pelas novas gerações. Esta música é marca registrada de várias gerações de namorados, sempre muito solicitada nos shows de Farney, seu lançador, que a tinha como uma das suas músicas preferidas.

 

 

 

 


Bela gravação, deste ano de 2011, com Maria Bethânia.

 

 

Segundo Moacyr Andrade, o compositor Antônio Almeida morreu – por decisão própria – em 10 de dezembro de 1985, na sua casa, em Copacabana.

 

 

 “Andava abatido. Uma das causas aparentes – os mais próximos sabiam – era o que julgava certa subestimação de sua importante obra pelos meios culturais e oficiais, pródigos na exaltação da mediocridade”.

 

 

 Nas minhas pesquisas sobre o centenário de Antônio Almeida, praticamente não encontrei nada a respeito, a exceção do Portal Cultura Brasil, através do programa 78 RPM, apresentando um amplo perfil de sua obra, como marchas de carnaval, sambas com muito balanço, sambas sobre a mulher, versões e músicas para todas as idades.

 

 

Além disso, o referido programa traz gravações pouco conhecidas de Antonio Almeida, como “Recruta biruta”, tirada da trilha sonora do filme "Aviso aos navegantes", com Eliana e Adelaide Chiozzo, e “Oh! Oh! Não!”, marchinha carnavalesca transformada em um dos primeiros jingles da publicidade brasileira, criado por Antonio Almeida para a Drogaria Sul-Americana.

 

 

Espero que, até o dia 26 de agosto de 2012, eclodam novas homenagens ao talentoso artista – Antônio Almeida - que muito contribuiu para a Música Brasileira.

 

 

 

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Fontes:
- A Música Brasileira deste Século por seus Autores e Intérpretes, Vol: 5 / J.C. Pelão Botezelli e Arley Pereira. - São Paulo: SESC, 2000.
- Dicionário Houaiss Ilustrado (da) Música Popular Brasileira. Supervisão geral; Ricardo Cravo Albin. - Rio de Laneiro: Paracatu, 2006.

- Portal Cultura Brasil da Fundação Padre Anchieta.

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Comentário de lucianohortencio em 10 dezembro 2012 às 3:47

Vim comemorar perguntando: FILOMENA CADÊ O MEU?

Pena que a janelinha acima não tá abrindo...

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