Carlos Galhardo


* 24/4/1913 - Buenos Aires (Argentina) ¹
+ 25/7/1985 - Rio de Janeiro (RJ)

 

 

 

Carlos Galhardo foi criado no Rio de Janeiro, desde a idade de 4 meses, mas nasceu em Buenos Aires durante curta estadia dos seus pais, imigrantes italianos radicados no Brasil.²

 

 

 

 

Aos 19 anos, abdicou da profissão de alfaiate que se dedicou na adolescência, cantou pela primeira vez incentivado pelo compositor Bororó (foto ao lado).

 

 

 

 

 

 

 

Em uma reunião social foi ouvido por Francisco Alves e Lamartine Babo que o aconselharam a tentar cantar no rádio. Ao conseguir uma chance na Rádio Educadora acabou chamando a atenção da gravadora Victor que o convidou para um teste. Aprovado passou, inicialmente, a fazer parte do coro que acompanhava as gravações até gravar seu primeiro disco, em 1933, com os frevos “Você não gosta de mim” e “Que é que há” (Nelson Ferreira). Vamos ouvir o primeiro.

Você não gosta de mim” (Irmãos Valença) # Carlos Galhardo e Grupo da Velha Guarda. Disco Victor (33.625-A) / Matriz (65658). Gravação (26/01/1933) / Lançamento (março/1933).

 

 

 

 

 

 

 

Ainda em 1933 emplacou seu primeiro sucesso com a marcha natalina “Boas festas”, de Assis Valente

 

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Galhardo faz um passeio por algumas das emissoras cariocas, como a Philips, Cajuti, Sociedade e Mayrink Veiga, na qual permaneceu por 11 anos encerrando a carreira radiofônica na Rádio Nacional.

 

 

 

 

 

Foi o locutor César Ladeira quem o batizou com o slogan acima.

 

 

 

 

 

Em 1935 o grande sucesso da valsa “Cortina de Veludo” (Paulo Barbosa/Osvaldo Santiago) revelou que o gênero ideal para a voz romântica de Carlos Galhardo era a “valsa”. Fato que se confirmou ao logo da sua vitoriosa carreira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outras Valsas entre as inúmeras gravadas por Carlos Galhardo.

 

 

 

Italiana” (José Maria de Abreu/Paulo Barbosa/Osvaldo Santiago) # Carlos Galhardo. Disco Victor (34.170A), 1937.

 

 

 

 

 

 

 

 

A você” (Aldo Cabral/Ataulfo Alves) # Carlos Galhardo (1961)

 

 

 

 

 

 

 

 

E o destino desfolhou” (Mário Rossi/Gastão Lamounier) # Carlos Galhardo. Álbum o Rei da Valsa, 1961.

 

 

 

 

 

 

 

 

Velho realejo” (Custódio Mesquita/Sadi Cabral) # Carlos Galhardo,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Será?” (Mário Lago) # Carlos Galhardo. Disco Victor (800257), 1945.

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais uma valsa, mais uma saudade” (Lamartine Babo/José Maria de Abreu), 1937.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Galhardo também brilhou interpretando outros ritmos, como Marchas, Fox e Sambas.

 

 

 

 

MARCHAS

 

Carolina” (Bonfiglio de Oliveira/Hervê Cordovil) # Carlos Galhardo. Disco Victor (33.729), 1933.

 

 

 

 

 

 

 

Alá-lá-ô” (Haroldo Lobo/Antônio Nássara) # Carlos Galhardo. Disco Victor (34.697-A) / Matriz (52055). Gravação (21/11/1940) / Lançamento (janeiro/1941).

 

 

 

 

 

 

 

 

FOX

 

 

 

Rosa de maio” (Custódio Mesquita/Evaldo Rui) # Carlos Galhardo. Disco Victor (800175), 1944.

 

 

 

 

 

 

 

SAMBAS

 

 

 

 

Outras Mulheres” (Wilson Batista/Jorge de Castro) # Carlos Galhardo, 1945.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gosto que me enrosco” (Sinhô) # Carlos Galhardo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Favela” (Roberto Martins/Valdemar Silva) # Carlos Galhardo, 1939.

 

 

 

 

 

 

 

 

Adoro samba” (Bucy Moreira/Arnô Carnegal) # Carlos Galhardo, 1941.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cenas do filme “Vereda Tropical” de Joaquim Pedro de Andrade, 1975. Carlos Galhardo interpreta “Luar em Paquetá”, de Freire Júnior/Hermes Fontes

 

 

 

 

 

 

 

Fascinação” foi um dos grandes sucessos de Carlos Galhardo. Valsa composta por volta de 1904 pelo italiano Fermo Dante Marchetti, ganhando um ano depois letra do francês Maurice de Féraudy. Em 1943, Carlos Galhardo imortalizou a letra brasileira do radialista Armando Louzada, com quem então trabalhava na Rádio Mayrink Veiga.

 

Fascinação” (F. Marchetti/Armando Louzada [letra]) # Carlos Galhardo. Disco RCA Victor (800069-A). Gravação (04/02/1943) / Lançamento (abril/1943)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Galhardo destacou-se como um dos cantores brasileiros de maior discografia e vendagem de discos no país, perdendo apenas para Francisco Alves. Teve uma importante participação na luta pelos direitos autorais e de interpretação no Brasil ao fundar e presidir a Sociedade Brasileira de Intérpretes e Produtores de Fonogramas. Marcou presença também no teatro e cinema, mas seu forte mesmo era cantar.

 

 

O auge da sua popularidade foi nas décadas de 1940/1950, transformando-se no maior intérprete da valsa romântica brasileira e, como vimos nesta homenagem, sem prejuízo aos outros ritmos.

 

 

No ano do seu Centenário de nascimento fica a lembrança de um artista que tinha a música na alma e transmitia isso ao público. “O romantismo vai existir sempre. Sempre enquanto houver dois corações". E, entremeando os versos aos comentários: "Gosto de saber que inspirei paixões”.

 

 

 

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¹ - Existem controvérsias quanto ao local de nascimento do cantor Carlos Galhardo. Jairo Severiano defende que foi em Buenos Aires e outras fontes que foi em São Paulo. Consultei o mestre Jairo, mas ainda aguardo resposta.

Atualização: (...) Por uma decisão que considero equivocada, ele [Carlos Galhardo] sempre afirmava em entrevistas ser paulista de nascimento, equívoco esse agora (felizmente) corrigido por sua família. A propósito, convidado por sua filha, minha amiga Carla, tive o prazer de colaborar com um texto e a escolha do repertório para dois CDs comemorativos de seu centenário, que deverão ser lançados nos próximos dias. Grande abraço. (Jairo Severiano).

² -  Em 1983, quando fiz um depoimento com o Galhardo para uma entidade cearense, ele declarou que morou no Rio desde "os 4 meses". Agora, num texto feito para a comemoração do seu centenário, o Sérgio Cabral, pai (naturalmente com a aprovação da Carla e de Dona Eulália) afirmou que Galhardo: "nascido em Buenos Aires, (...) aos três anos morou na rua 24 de Maio, n° 15, em São Paulo e somente aos oito passou a viver no bairro do Estácio de Sá, no Rio." Acho, assim, que esta deve ser A INFORMAÇÃO VERDADEIRA, considerando as demais (inclusive a do meu livro, infelizmente...) erradas. Grande abraço. (Jairo Severiano, em 25/4/2013).

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Fontes:

- A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1997.

- História do samba. Rio de Janeiro: Globo, 1997-1998. Quinzenal. 40 fasc. 40 CDs.

- Uma História da Música Popular Brasileira - Das Origens à Modernidade / Jairo Severiano. - São Paulo: Ed. 34, 2008.

- Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

- Site YouTube.

- Site IMS (Instituto Moreira Salles).

 

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Exibições: 1042

Comentário de Ariston Álvares Cardoso em 24 abril 2013 às 21:32

Quanta saudade dos anos 40 e seguintes quando eu ouvia durante todo o dia as imortais músicas do Carlos Galhardo, Francisco Alves, Francisco Petrônio, este bem a pouco tempo atrás e outros poucos, que hoje não mais nascem neste torrão brasileiro.

Comentário de Laura Macedo em 24 abril 2013 às 22:21

Ariston,

Grata por registrar sua opinião acerca deste grande ícone centenário da música brasileira que é Carlos Galhardo. Os outros citados por você também são importantíssimos para nossa MPB.

Abraços.

Comentário de Francisco Constantino Simão em 24 abril 2013 às 23:33

Maravilhosa homenagem a Carlos Galhardo....Um icone da bela musica, dos tempos que se fazia musica com arte, melodia e romantismo. Nos dias de hoje lamentavelmente ouvimos um lixo com absoluto desrespeito em todos os sentidos...

Comentário de Laura Macedo em 25 abril 2013 às 2:32

Francisco, fico feliz por você ter gostado :-)

Comentário de José Safrany Filho em 25 abril 2013 às 3:17
Uma das vozes orgulho do cancioneiro de altíssima qualidade e valor, do Brasil e do mundo!
Saudades desses bons momentos de fascinação, alegria e encantamento, cada dia mais raros!
E a mídia comprometida com tanta porcaria, nenhuma referência...
Comentário de Ariston Álvares Cardoso em 25 abril 2013 às 12:58
No Brasil de hoje, diante do apodrecimento moral que vive e impõe ao seu povo, muito se fala em restauração e para tal até armam palcos para encenação dessa intenção da qual o inferno está cheio, muito poderia ser feito se ao menos conseguisse restaurar um dos seus maiores valores que é a música popular brasileira extirpando essa prostituição que aí está, estimulando o surgimento de novos valores musicais que possa relembrar os velhos e saudosos tempos de Carlos Galhardo.
Comentário de Laura Macedo em 25 abril 2013 às 23:10

José Safrany,

Um dos meus objetivos, aqui no PLN, é justamente o resgate dos grandes artistas que estão fora da mídia para que não caiam no esquecimento total. Abraços.

Comentário de Gregório Macedo em 28 abril 2013 às 21:35

Parabéns, minha querida, por mais este belo trabalho.

Mas os parabéns mais especiais dizem respeito a mais uma primavera de minha lindinha querida. Felicidades plenas - e beijos.

Comentário de Laura Macedo em 28 abril 2013 às 22:48

Gregório,

Valeu por tudo: a curtição do post, os presentes, a festa e o amor infinito...

Beijos

Comentário de lucianohortencio em 7 outubro 2013 às 9:06

Amiga Laura,

Ainda não tinha visto teu excelente Post, porém sei que entendes perfeitamente... Por mais que drible o tempo, o danado se me escapa... Coisa demais... Parabéns!

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