Lúcio do Nascimento Rangel

* 17/05/1914 - Rio de Janeiro (RJ)
+ 13/12/1979 - Rio de Janeiro (RJ)

 

Jornalista / Crítico musical / Musicólogo

 

 

 

Lúcio Rangel, ao longo da sua trajetória, colaborou em inúmeras publicações, a exemplo do suplemento literário “d’O Jornal”, dirigido pelo amigo Vinicius de Moraes, onde manteve uma coluna musical (1945-1947) e em vários veículos jornalísticos, como Jornal do Brasil, A Manhã, Diário de São Paulo, Estado de Minas, Diário Carioca, Jornal do Comércio, O Comício. Também assinou seções especializadas em música em várias revista, como Manchete, A Cigarra, Senhor, entre outras.

 

 

 

 

 

 

 

Uma das suas publicações mais marcantes foi a Revista da Música Popular, lançada em parceria com Pérsio de Moraes, em 1954, com duração até 1956.

 

 

Ao estamparmos na capa do nosso primeiro número a foto de Pixinguinha, saudamos nele, como símbolo, ao autêntico músico brasileiro, o criador e verdadeiro que nunca se deixou influenciar pelas modas efêmeras ou pelos ritmos estranhos ao nosso populário” (Lúcio Rangel).

 

 

Lúcio Rangel colocou no mesmo caldo a nata dos analistas da Música Brasileira e os artistas/jornalistas/escritores, formando um baita time pra ninguém botar defeito:

 

 

Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, Evaldo Rui, Emmanuel Vão Gôgo (Millôr Fernandes), Nestor de Holanda, Fernando Lobo, Sérgio Porto, Almirante, Ary Barroso, Jota Efegê, Mariza Lira, Guerra Peixe, Vinicius de Moraes, Basílio Itiberê, Cruz Cordeiro... E os ilustradores: Di Cavalcanti, Caribé, Santa Rosa, Fernando Lemos, Millôr Fernandes... Impossível citar todos.

 

 

 

 

 

 

 

Felizmente, em 2006, a FUNARTE e a Editora Bem-Ti-Vi lançaram a Coleção Revista da Música Popular, em edição fac-símile.

 

 

 

Quando me aposentei da função docente na UFPI (Universidade Federal do Piauí) e decidi enveredar pelos caminhos da leitura na área musical, minhas primeiras aquisições foram o Dicionário Houaiss Ilustrado da MPB, a Coleção Revista da Música Popular e “Sambistas e Chorões - aspectos e figuras da Música Popular Brasileira”, do nosso homenageado.

 

 

 

 

 

 

O escritor, pesquisador e querido amigo Jairo Severiano definiu a Revista da Música Popular como “a bossa nova da imprensa musical”. E eu assino embaixo.

 

 

 

 

 

 

Casa Villarino (1956): Vinicius de Moraes e, à sua direita, Lúcio Rangel. De pé, Paulo Mendes Campos, atrás de Fernando Lobo.

 

 

 

Lúcio Rangel circulava nas melhores rodas da boemia e cultura da Cidade Maravilhosa. E foi na Casa Vilarino que ocorreu um episódio, hoje, lendário.

 

 

Trata-se da apresentação, por Lúcio Rangel, do jovem Tom Jobim, a Vinicius de Moraes que procurara um parceiro para a trilha da sua peça “Orfeu da Conceição”.

 

 

Tom que vivia com o salário contado logo perguntou ao Lúcio: “Tem um dinheirinho nisso?”. Ao que Lúcio Rangel, reagiu: “Como é que você me fala em dinheiro, diante de um convite desses? Tom, este é o poeta Vinicius de Moraes!

 

 

 

 

 

 

 

 

O livro acima, “Samba, Jazz & outras notas”, de Lúcio Rangel, foi organizado por seu genro, o jornalista/escritor Sérgio Augusto. A coletânea dá conta do percurso intelectual e crítico do autor, de sua devoção ao jazz de Louis Armstrong e da defesa da música brasileira encarnada em amigos como Pixinguinha, João da Baiana e Nelson Cavaquinho, entre outros notáveis.

 

 

O livro “passeia pelo Rio de Janeiro de Noel Rosa, Carmen Miranda, Ismael Silva e Cartola, dentre outros. Também percorre a Paris dos franceses hipnotizados pelo jazz, com tanta intimidade que Lúcio se permite não gostar, por exemplo, do bebop”.

 

 

 

 

 

Da direita para a esquerda: Lúcio Rangel, Haroldo Barbosa, Cartola e Fernando Lobo.

 

 

 

Lúcio Rangel, em 1965, por solicitação do então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, vendeu sua discoteca, especializada em Música Popular Brasileira, para o Museu da Imagem e do Som, que seria inaugurado ao fim daquele ano. No ano seguinte (1966), passou a integrar o Conselho Superior de MPB do MIS.

 

 

 

Nos anos 1980, a Funarte instituiu um prêmio de monografias com seu nome - Projeto Lúcio Rangel - através do qual foram publicados vários trabalhos de pesquisadores da Música Popular Brasileira.

 

 

 

Observando a foto acima viajo no meu imaginário e fico tentando adivinhar os altos papos que rolavam entre eles...

 

 

 

 

 

Lúcio Rangel tinha como ídolos Louis Armstrong e Pixinguinha.

 

 

 

Hello, Dolly! (Jerry Herman) # Louis Armstrong.

 

 

 

 

 

 

 

 

Carinhoso” (Pixinguinha) # Pixinguinha e a Velha Guarda.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para finalizar esta modesta homenagem trago palavras de agradecimento, via Hermínio Bello de Carvalho, para também dizer: Lúcio Rangel, que saudade!

 

 

 

 

 

 

Rio de Janeiro, 28 de março de 2005.

 

Lúcio Rangel, meu amigo,

Há tempos que te devo um obrigado:

Por ter me escancarado as portas

Do mundo, com tanto cuidado:

Manuel Bandeira sorrindo,

E eu, menino, me aturdindo

Diante daquela surpresa

Proporcionada por ti:

Depois foi Pixinguinha,

minha Araca, São Ismael

E tudo que ao meu encontro vinha

Tinha você por perto

E sempre fazendo um escarcéu:

Donga, Jota Efegê,

João da Bahiana, Cartola

Paulinho, Zé Kéti, Elton

Linda, Heleninha, Elizeth

Radamés e Tom Jobim,

E também Carminha Rica

Era, enfim, um céu aberto:

era Eneida, era o Walter

retrabalhando as sucatas

e a nossa Taberna da Glória

(você com Mário de Andrade!)

Eram histórias tão fartas

Que o Jacob do Bandolim

Corria para contá-las.

Sem falar de Clementina!

Nossa Stella matutina

E também nosso Drummond.

Lúcio Rangel, que saudade!

 

 

 

 

______

 

Post dedicado a Maria Lúcia Rangel (filha de Lúcio Rangel).

 

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Fontes:

 

- Coleção Revista da Música Popular. - Rio de Janeiro: Funarte / Bem-Te-Vi Produções Literárias, 2006.

- Dicionário Cravo Albin da MPB.

- Sambistas e Chorões, de Lúcio Rangel. São Paulo: Ed. Paulo de Azevedo Ltda, 1962.

- Timoneiro - Perfil biográfico de Hermínio Bello de Cravalho, de Alexandre Pavan. - Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2006.

- Site YouTube (vídeos).

- Site Digestivo Cultural.

- Foto montagem (Laura Macedo / Demais fotos do meu acervo e algumas da internet.

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Comentário de Laura Macedo em 4 julho 2014 às 1:42

O jornalista e escritor Sérgio Augusto fala sobre o Centenário de Lúcio Rangel no programa Globo News Literatura. Vale a pena conferir!

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