Orlando Silva


*3/10/1915 - Rio de Janeiro (RJ)
+7/8/1978 - Rio de Janeiro (RJ)

Orlando Silva imprimiu as canções que interpretou/gravou uma emoção a flor da pele entregando, de bandeja ao público, toda sua emoção. Sua fase áurea abrange, aproximadamente, o período de 1935 a 1942.

Seu repertório é composto de um vasto campo de canções bem orquestradas, na sua maioria, pelo grande maestro Radamés Gnattali. Segundo Zuza Homem de Mello “foi Orlando quem sugeriu ao maestro o uso de violinos no samba”.

Orlando Silva e Zezé Fonseca

Submisso às drogas atravessou uma fase negra. Quando ressurgiu das cinzas já não era mais o mesmo. Antes, entre 1940 e 1943, iniciou um namoro tumultuado com a bela atriz e cantora Zezé Fonseca, de forte personalidade, passional e possessiva, que segundo os estudiosos da vida e obra de Orlando Silva, exercia grande poder restritivo no tocante a vários aspectos, com destaque para o policiamento do convívio do cantor com as fãs. Orlando Silva, meio caminho desse romance, já tinha outra - a morfina -, que falou mais alto.

No seu Centenário de nascimento vamos homenageá-lo com interpretações da fase áurea, que marcaram gerações, inclusive dos meus pais e, por tabela a minha. Espero que curtam a seleção e sugiram outras composições da sua preferência.

Orlando Silva

ANO DE 1935

Chora cavaquinho” (Waldemar de Abreu [Dunga]) # Orlando Silva com Conjunto Regional RCA Victor. Disco Victor (33998-B). Gravação (27/8/1935) / Lançamento (dezembro/1935).

Última estrofe” (Cândido das Neves [Índio]) # Orlando Silva (voz) / Pereira Filho/Luiz Bittencourt (violões) / Luperce Miranda (bandolim). Disco Victor (33975-A) / Matriz (79931). Gravação (18/6/1935) / Lançamento (setembro/1935).

ANO DE 1936

Dama do cabaré” (Noel Rosa) # Orlando Silva e Conjunto RCA Victor (34085-A) / Matriz (80177) / Gravação (24/7/1936) / Lançamento (setembro/1936). [Do filme Cidade Mulher].

Cidade mulher” (Noel Rosa) # Orlando Silva e Conjunto RCA Victor (34085-B) / Matriz (80178) / Gravação (24/7/1936) / Lançamento (setembro/1936). [Do filme Cidade Mulher].

ANO DE 1937

Carinhoso” (Pixinguinha/João de Barro) # Orlando Silva e Conjunto RCA Victor. Disco Victor (34181-A) / Matriz (80423). Gravação (28/5/1947) / Lançamento (julho/1937).

Orlando Silva e sua mãe dona Balbina

Rosa” era a canção predileta de dona Balbina. Após sua morte, em 1968, Orlando não conseguia mais cantá-la sem chorar.

Rosa” (Pixinguinha/Otávio de Souza) # Orlando Silva e Conjunto Regional RCA Victor. Disco Victor (34181-B) / Matriz (80424). Gravação (28/5/1937) / Lançamento (julho/1937).

Orlando Silva e Radamés Gnattali

ANO DE 1938

Meu consolo é você” (Nássara/Roberto Martins) # Orlando Dias e Orquestra Victor Brasileira sob a regência de Radamés Gnattali. Disco Victor (34386-A) / Matriz (80916). Gravação (6/12/1938) / Lançamento (dezembro/1938).

Meu romance” (J. Cascata) # Orlando Silva e Orquestra Victor Brasileira sob a direção de Radamés Gnattali. Disco Victor (34308-A) / matriz (80701). Gravação (17/3/1938) / Lançamento (maio/1938).

ANO DE 1939

Encontrei minha amada” (Arlindo Marques Jr./Roberto Roberti) # Orlando Silva. Disco Victor (34536-B) / Matriz (33243). Gravação (24/10/1929) / Lançamento (dezembro/1939).

Sertaneja” (René Bittencourt) # Orlando Silva e Orquestra. Disco Victor (34455-B) / Matriz (33068). Gravação (28/4/1939) / Lançamento (junho/1939).

ANO DE 1940

Em pleno luar” (Joubert de Carvalho) # Orlando Silva e Orquestra. Disco Victor (34621-B) / Matriz (33329). Gravação (23/2/1940) / Lançamento (junho/1940).

Curare” (Alberto Simões [Bororó]) # Orlando Silva e Orquestra. Disco Victor (34667-A) / Matriz (33488). Gravação (14/8/1940) / Lançamento (outubro/1940).

ANO DE 1941

Perdão, amor” (Lamartine Babo) # Orlando Silva e Orquestra. Disco Victor (34759-B) / Matriz (52190). Gravação (30/4/1941) / Lançamento (julho/1941).

Preconceito” (Marino Pinto/Wilson Batista) # Orlando Silva e Regional. Disco Victor (34817-A) / Matriz (S-052282). Gravação (outubro/1941) / Lançamento (28/7/1941).

ANO DE 1942

Aos pés da cruz” (Marino Pinto/José Gonçalves [Zé da Zilda]) # Orlando Silva com Passos e sua Orquestra. Disco Victor (34880-A) / Matriz (S- 052454). Gravação (19/1/1942) / Lançamento (março/1942).

Volta” (Custódio Mesquita) # Orlando Silva com Passos e sua Orquestra. Disco Victor (34920-A) / Matriz (S-052455). Gravação (15/1/1942) / Lançamento (maio/1942).

Há algum tempo (2009) fiz um post com fragmentos daquela que seria última entrevista concedida por Orlando Silva à Simon Khoury, publicada no jornal “O Pasquim”, um mês depois de sua morte.

São casos pitorescos contados pelo próprio Orlando Silva que vou reproduzir aqui.

1º CASO: O Susto

A primeira vez que cantei em São Paulo foi à Rádio São Paulo, que ficava na Rua 7 de Abril, um pouco mais adiante e do lado oposto à Rádio Tupi. Cantava na Rádio à tarde e depois ia cantar num night club que ficava no último andar do Edifício Martinelli.

Nessa temporada não fiquei hospedado em hotel porque na temporada de Santos ficara amigo do Bacará, dono da estação de Santos, que me cedeu seu apartamento. Na Rádio São Paulo era um problema porque o pessoal, as moças, não deixavam que eu saísse impunemente da estação, eram autógrafos, gravatas, lenços que eu tinha que dar, beijos, etc. e tal; e eu precisava mudar de roupa e tomar banho antes de atacar no night club.

Um dia em que consegui chegar ao apartamento, depois de tomar banho fui ao armário pegar o Summer e tinha uma moça lá dentro. Quase morri de susto! Ela queria ir comigo ao nigth club, queria depois vir comigo para o Rio de Janeiro e me prometeu amor eterno.

Foi um negocio, a moça era menor de idade e eu podia entrar numa fria, tive que levar a coisa no papo, para conseguir convencê-la a voltar pra casa dos pais. Ela disse que não poderia porque os pais iam bater nela e tive que prometer que iria levá-la para casa e interceder por ela com seus pais. E assim se deu.

Muito bem, ela passou a me escrever sempre, primeiro contou que arranjou um namorado, depois que ficou noiva, depois que casou e teve alguns filhos. Alguns anos atrás eu estava fazendo uma temporada numa TV de São Paulo e uma tarde veio o contra-regra me dizendo que tinha um casal com dois filhos me esperando no corredor querendo falar comigo. Fui até eles e a mulher me perguntou: “Está me reconhecendo, Orlando”? Eu disse que não. “Sou a Olinda, a menina do armário!”Foi uma emoção tão grande, chorei, achei bonito aquilo e dei graças a Deus dela ter vindo falar comigo depois da minha apresentação porque se fosse antes eu não conseguiria cantar."

2º CASO: Efeito Milagroso

"Outra coisa da qual me recordo com satisfação aconteceu na cidade do Rio Grande do Sul. Eu estava me apresentando no cinema e uma noite, quando acabei de cantar, fui procurado por um casal que se apresentou dizendo que tinha uma filha de 19 anos que me admirava muito, gostava muito da minha voz, tinha todos os meus discos, mas não podia ter vindo me ver porque era paraplégica. Há anos não movia nem um dedo e seu maior sonho era que eu fosse visitá-la.

Claro que fui, conversamos muito e quando comecei a cantar pra ela, ela se levantou, se recostou no travesseiro e segurou as minhas mãos. Os pais ficaram atônitos porque ela não se movia há anos e é claro que eu caí na choradeira."

3º CASO: Repertório Terapêutico

"Esse aconteceu em Recife com uma senhora que se chama Francisca Teixeira. Tinha muitos filhos e adorava o marido que um dia sem mais nem menos a abandonou. Dona Francisca não se conformou virou uma mulher nervosa, apática, estóica e os filhos muito preocupados estavam esperando pelo pior, tentaram tudo pra ver se conseguiam fazer alguma coisa que interessasse à mãe, mas nada.

Um dia, um deles comprou um disco meu e ouvindo uma das músicas na sala percebeu que houvera uma reação positiva de Dona Francisca. Mais do que depressa comprou todos os meus discos que encontrou e naquela casa se iniciou um festival de Orlando Silva.

Resultado: Dona Francisca voltou à vida e eu cheguei à conclusão – (rindo bastante e em tom de blague) – que além de ter um repertório de bom gosto, tinha um repertório terapêutico!"

 


O filme - “Quero dizer-te Adeus” - será lançado dia 5 de outubro de 2015, no Cine Olido/São Paulo.  Tratar-se da história do cantor Orlando Silva, o Cantor das Multidões. Cercado por uma vida de muito sucesso, drogas, romances e um problema estético que levou ao fim de sua carreira.

Apresentando Willian Mello como Orlando Silva
Julia Costa como Zezé Fonseca

Direção de Dimas Oliveira Junior
Realização: Oficina de Artes Rosina Pagan

Trailer do Filme - Quero dizer-te Adeus

O cantor Zé Guilherme, nascido em Juazeiro do Norte (CE) e radicado em São Paulo (SP) presta homenagem ao centenário de Orlando Silva com o álbum “Abre a Janela”, dando voz a 18 músicas dos anos de 1930/1940, todas gravadas por Orlando Silva.

Um ídolo nunca morre! Orlando Silva - O Cantor das Multidões - foi um dos grandes interpretes da Música Popular Brasileira e isso ninguém lhe tira, apesar dos percalços que a vida lhe impôs. Não era bonito fisicamente, mas a sua voz era seu grande tesouro e foi através dela que se tornou um fenômeno de massa, um ídolo.

Com seu carisma conquistou a amizade de compositores, músicos e críticos em sua fase áurea e de gerações posteriores, a exemplo de João Gilberto, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Roberto Carlos, José Ramos Tinhorão, entre outros.

A melhor definição sobre Orlando Silva foi dada pelo próprio, meses antes de sua morte: “Sou um romântico, um seresteiro. Só cantei o amor e a beleza. Só gravei músicas ricas em melodia e versos. É o meu legado para a posteridade”.

 

Quero dizer-te adeus” (Ary Barroso) # Orlando Silva. Disco Victor (34947-B) / Matriz (S-052527). Gravação (19/5/1942) / Lançamento (agosto/1942).

 

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Fontes:

- Caixa Box Orlando Silva - O Cantor das Multidões / Gravações Originais: 1935-1942. Caprichos do Destino: Perfil Biográfico de Orlando Silva por Ruy Castro.

- Coleção Folha Grandes Vozes - Orlando Silva. São Paulo: Mediafashion, V.6, 2012.

- Fotomontagem: Laura Macedo.

- Jornal "O Pasquim" - nº. 479, 01 a 07 de setembro de 1978, pág. 12 a 15.

- Site YouTube/Canais: “SenhorDaVoz”, “luciano hotencio”, “Bruna Woolf”, “’1000amigovelho”, “Canal de amigovelho1000”, “Marcelo Maldonado”, “Oficina de Artes Rosina Pagan”, “Igor Tavile”, “Canal de Cinegran”.

- Uma história da música popular brasileira - Das origens à modernidade, de Jairo Severiano. - São Paulo: Ed. 34, 2008.

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Comentário de Laura Macedo em 5 outubro 2015 às 21:58

Este Post foi destaque no Blog GGN / Luis Nassif Online.

Confira os comentários AQUI.

Abraços a todos.

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