Centenário de Vinicius de Moraes (VIII)

 

Vinicius de Morais

*19/10/1913 - Rio de Janeiro (RJ)
+ 9/7/1980 - Rio de Janeiro (RJ)

 

Poeta / Compositor / Teatrólogo / Jornalista / Diplomata.

 

Celebrar o Centenário de Vinicius de Moraes é sinônimo de Poesia, Música e Paixão três vertentes que permearam sua vida e obra.

 

Poesia, Música e Paixão - Tudo Misturado.

 

 

GRANDES PARCEIROS, PARCEIRINHOS...

 

 

Toquinho

 

 

 

 

 

Toquinho já era compositor e violonista antes de formar a mais duradoura e popular parceria com o multifacetado Vinicius de Moraes. Foi Chico Buarque quem, durante o exílio na Itália, deu a dica do trabalho de Toquinho a Vinicius.

 

 

 

Toquinho conta como recebeu o primeiro chamado de Vinicius:

 

 

No começo da tarde, quando acordei, minha mãe tinha um recado, para eu ligar para o Vinicius de Moraes. Peguei aquela ponta de papel de pão com o número escrito por Dona Diva. Sonolento, não sabia se ainda dormia, e sonhava, ou se tudo aquilo era real. Por via das dúvidas, não custava conferir. Do outro lado da linha, a constatação, era a voz do poeta, sem rodeios, direta: ‘Toco? É Vinicius de Moraes. Gostei muito do seu trabalho naquele disco produzido pelo Bardotti, na Itália. Estou indo para uma temporada na Argentina com uma cantora nova, a Maria Creuza, e preciso de um violonista. ‘Que tal, Toco, topa’?

 

 

‘Evidente que não pensei duas vezes, tratei de arrumar as coisas e seguir com ele’, afirma Toquinho.

 

 

Era uma simples proposta de trabalho na qual prevaleciam o aguçado faro de um poeta consagrado de apenas 56 anos e a vigorosa autoconfiança de um jovem músico, já com 23 anos. Quase nem se conheciam, mas, no mínimo, desconfiavam que cada um carregava consigo o que o outro precisava: Vinicius levando a juventude da experiência, e Toquinho, a experiência da juventude.

 

Tudo começou a bordo do navio Eugênio C, em junho de 1970, rumo a Buenos Aires.

 

 

 

Era um tempo em que Vinicius ainda evitava viajar de avião, então fomos para a Argentina de navio. Eu sentia uma sensação estranha, não sabia direito o que é que eu ia fazer lá. De repente, estava a bordo de um navio junto com Vinicius de Moraes, um ser humano grandioso de quem até então eu conhecia quase nada, a não ser o que ele tinha escrito e cantado por aí. Sei que na primeira noite no navio eu passei muito mal, foi um horror.

 

 

 

Pegamos uma tempestade no Golfo de Santa Catarina, e eu no meu quarto, enjoado, com tudo a balançar por todos os lados. Até marinheiro vomitava. E Vinicius sentado a uma escrivaninha, segurando o copo para que ele não caísse, e conversando naturalmente, sem se alterar. Ficou lá ao meu lado, como um pai, ou melhor, como alguém com pretensões de se fazer amigo. Nossa relação começou assim, e logo de cara eu passei a vê-lo um pouco como irmão, porque ele não sabia ser velho, o que na realidade ele não era.

 

 

 

Chegamos a Buenos Aires uns dois dias antes do final da Copa de 70, e começamos a trabalhar. Assistimos juntos a decisão Brasil x Itália na casa da Silvina e Coco Perez, os donos da boate La Fusa. O Brasil ganhou a Copa, nosso show já fazia um grande sucesso e naquele domingo abrimos o espetáculo com aquela música: ‘A taça do mundo é nossa / com brasileiro, não há quem possa.....’. Então, minha relação de amizade e conhecimento com Vinicius já se iniciou em meio a esse clima positivo da seleção ganhando a Copa, nosso show em pleno sucesso, aqueles jantares invadindo a madrugada.

 

 

 

Houve uma adaptação perfeita entre a gente, porque tudo que Vinicius gostava de fazer eu também gostava: tocar violão, curtir os temas que iam saindo, comer bem, viver a noite ao lado de amigos e mulheres bonitas. Ficamos em Buenos Aires uns 12 dias e fizemos 10 shows, sempre com a boate lotada". Pode-se sentir o que foi esse show ouvindo-se o disco do selo Trova, ‘Vinicius de Moraes en La Fusa com Maria Creuza y Toquinho’, disco que prossegue em catálogo até hoje, em vários países, proporcionando a Toquinho e Maria Creuza sucessivos convites para shows”.

 

 

 

 

“Toda parceria é um casamento”, costumava dizer o Poetinha. “Onde há tudo, menos sexo”. Brigavam e fazia as pazes, numa relação temperada pelo ciúme, característica que Vinicius tinha com seus parceiros. Juntos compuseram clássicos, como "Tarde em Itapuã”, “Regra três”, “Testamento”, “Samba da volta” e “Sei lá”.

 

 

 “Tarde em Itapuã” (Vinicius de Moraes/Toquinho) # Vinicius/Toquinho/Tom Jobim/Miúcha. Músicos acompanhantes: Mutinho (bateria), Azeitona (baixo), Roberto Sion (flauta) e Georgiana de Moraes (ritmista).

 

 

 

 

 

 

 

 

Regra três” (Vinicius de Moraes/Toquinho) # Toquinho cantando e contando a historinha de bastidores desta música.

 

 

 

 

 

 

 

 

Testamento” (Vinicius de Moraes/Toquinho) # Vinicius e Toquinho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Samba da volta” (Vinicius de Moraes/Toquinho) # Vinicius e Toquinho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Sei lá” (Vinicius de Moraes/Toquinho) # Vinicius/Toquinho/Tom Jobim/Miúcha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao lado de Toquinho, Vinicius ficou mais leve no sentido de produzir letras mais populares. Permitiu-se, também, extravasar sua enrustida faceta de cantor apresentando-se em shows no Brasil e exterior.

 

A parceria de Vinicius de Moraes com Toquinho foi uma das últimas e maiores de todas as entregas mútuas.

 

 

 

 

Confira os outros posts da série:

Centenário de Vinicius de Mores (I).

Centenário de Vinicius de Moraes (II).

Centenário de Vinicius de Moraes (III).

 Centenário de Vinicius de Moraes (IV).

Centenário de Vinicius de Moraes (V).

Centenário de Vinicius de Moraes (VI).

Centenário de Vinicius de Moraes (VII).

 

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Fontes:

- MPB Compositores - Vinicius de Moraes. - Editora Globo, 1997.

- Site Oficial Toquinho.

 

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