Copinha era filho de italianos e tinha oito irmãos, todos eles músicos. Seu primeiro professor de flauta foi Vicente, irmão mais velho. E, nas serenatas e rodas de choro de São Paulo, iniciou-se no jeito de tocar em grupo, solar e acompanhar.


Antes dos 20 anos de idade, dominava também o clarinete e o saxofone, que aprendera no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Mas a preferência pela flauta dominou toda sua carreira.


“Eu comecei a estudar com 7 anos de idade, em 1917. Mas estudava direito, estudava música primeiro. Hoje a gurizada pega um instrumento e vai tocar de ouvido. Estudei música, solfejo, depois mais tarde harmonias, essa coisa toda. Com 9 anos é que eu peguei a flauta. Com nove anos eu já fazia serenata com o Canhoto [Américo Jacomino]. Toquei muitas vezes. Ele gostava e dizia: ‘Esse garoto é bom’.”


No áudio abaixo Copinha toca “Abismo de Rosas”, de Américo Jacomino – Canhoto -, e fala da sua admiração pelo violonista; da experiência de tocar no cinema mudo e outras coisitas mais.


 



Como ele mesmo disse começou a carreira profissional em 1924, como flautista, fazendo fundo para filmes mudos em cinemas de São Paulo e tocando em programas de rádio, quando teve a oportunidade de se apresentar com os violonistas Garoto e Armandinho.



O Garoto eu conheci muito menino. Ele morava perto da Ponte Pequena. Fui muitas vezes na casa dele. Tinha um irmão que tocava violão também. Mas o Garoto foi um gênio no violão. Ele tinha uma música antiga, do nosso tempo, que só veio a ser conhecida depois que o Vinicius botou a letra: 'Gente Humilde'”.

Copinha tem menos de 20 composições gravadas, a maioria nos seus próprios discos. São quase todas obras tradicionais, românticas, típicas das serestas.

O compositor Copinha viveu no segundo plano em relação ao músico, pelo menos no que se refere às gravações.

"Amando Sempre", de Copinha




 

"Reconciliação", de Copinha


 

A originalidade de arranjador de Copinha não deve ser procurada nos discos orquestrais e sim, principalmente, em três discos de Paulinho da Viola para os quais escreveu os arranjos: “Nervos de Aço”, “Memórias Cantando” e “Memórias Chorando” – dois discos de canções e um disco instrumental.

















Em entrevista concedida ao programa MPB Especial, da TV Cultura de São Paulo, aos 64 anos, fala de vários parceiros e amigos: Pixinguinha, Luis Americano, Adoniran Barbosa, Benedito Lacerda, Carmen Miranda, César Ladeira, Francisco Alves, Geraldo Pereira, Orlando Silva, Tom Jobim, João Gilberto...


“Eu trabalhava na rádio Cruzeiro do Sul, com o maestro Gaó, excelente pianista, eu gostava muito dele. E o Adoniran vivia lá ‘sapateando’. Eu o conheci em 31, 32, mas foi em 34 que ele disse: Copinha vamos fazer uma valsa juntos? Ele cantou um pedaço, eu cantei outro e escrevi, a valsa Adoniran”. (valsa Messias).




“O César Ladeira era um locutor fabuloso, era um excelente sujeito, eu adorava o César Ladeira, mesmo aqui em São Paulo e depois no Rio e Janeiro, nós fomos muito amigos.
Fiz um arranjo para tenor e orquestra e vim pra frente, e o César: ‘Agora vamos ouvi o Co...’ e ele olhou pra trás. Então disse: ‘Isso não é Cópia, é um Copinha’. Aí a turma riu e pegou Copinha”.




“Tem um long-play meu com arranjos do Pixinguinha, de 62. Fiz questão de ir na casa dele e ele fez os arranjos todos. Mas era um músico fabuloso, um flautista formidável e compositor. Cada choro lindo”.




É de Copinha a flauta que se ouve na famosíssima introdução de “Chega de Saudade”, primeiro LP homônimo de João Gilberto, com arranjos de Tom Jobim. Assim como é de Copinha a flauta que acompanha João Gilberto em outras faixas do mesmo LP.


“Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.



 



O disco “Canção do Amor Demais”, de Elizeth Cardoso, considerado um dos marcos iniciais da bossa nova, contou com o auxílio luxuoso da flauta de Copinha.

São dele os sopros em grande parte dos discos de carreira de Paulinho da Viola e de tantos outros como Moacir Santos, Eumir Deodato, Baden e Vinicius, Elton Medeiros, Cartola, João Donato, Abel Ferreira...


Pouco antes de falecer (1984), Copinha toca na faixa “Pivete”, de Francis Hime e Chico Buarque, no disco “Clareando”, que Francis lançou no seguinte.

Quatro anos antes de sua morte participou do programa “Paulinho da Viola – Série Grandes Nomes da TV Globo”.


Aqui vocês verão a parte em que Paulinho presta homenagem ao grande maestro Radamés Gnattali com seu “Sarau para Radamés”, acompanhado de Copinha na clarineta e flauta. Simplesmente MA–RA-VI-LHO-SO.





Hoje, 03 de março de 2010, data do seu Centenário de nascimento, fica a homenagem a esse genial músico que marcou presença na história da música brasileira, desde os tempos em que tocava sua flauta ágil e inventiva, acompanhando filme mudo e na maioria dos discos gravados a partir de 1930 até os anos 80. Alguém duvida? É só conferir a imensa discografia desse período.





Desvairada”, de Garoto.

Saudade (de Carolina)”, de Copinha.

 

Fontes:
- Um sopro de Brasil, de Myriam Taubkin (Org.). São Paulo, Projeto Memória Brasileira, 2005.
- A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes, de J.C. Botezelli – Pezão e Arley Pereira (Coordenação). São Paulo: Sesc, 2000.
- Site Músicos do Brasil
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Comentário de moacir oliveira em 4 março 2010 às 10:36
Grato por mais esta aula.Parabéns pro mestre Copinha.
Comentário de Laura Macedo em 5 março 2010 às 17:53
Moacir,
Quem nos dá a verdadeira aula é Copinha, que como você bem mencionou é um MESTRE. E como tal, com sua flauta mágica, fará bonito na chegada do Johnny Alf no andar de cima...
Beijos.
Comentário de lucianohortencio em 13 julho 2012 às 5:02

Amiga Laura Macêdo,

Confesso que, às duas da madrugada, estive aqui e "copiei" o Copinha...

Excelente POST. Abração do luciano.

Comentário de Laura Macedo em 13 julho 2012 às 20:55

Valeu, Luciano.

Abraços.

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