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*22/7/1910 Rio de Janeiro, RJ
+20/7/1965 Rio de Janeiro, RJ



Há exatos 100 anos nascia no Rio de Janeiro, em uma família de músicos – Haroldo Lobo -, cujo pai, Quirino Lobo, tocava flauta e violão, e seu irmão Osvaldo Lobo (Badu) era compositor e baterista.

Iniciou seus estudos musicais (teoria e solfejo) na escola da América Fabril. Desde os 13 anos de idade, compunha sambas para o Bloco do Urso. Trabalhou como guarda na polícia de vigilância, empregando-se posteriormente na América Fabril. Frequentador de cafés, era conhecido no meio pelo apelido de Clarineta por cantar em uma tessitura semelhante à do instrumento.

Considerado, ao lado de Braguinha e Lamartine Babo, um dos três mais expressivos autores do repertório carnavalesco no Brasil. (Fonte: ICCA).

Estabeleceu parcerias com Donga, Nássara, Wilson Batista, Benedito Lacerda, Luís Menezes, Marino Pinto, Nilton de Souza (Niltinho), David Nasser e, em destaque, com Milton de Oliveira, parceiro em 80% da sua vasta produção musical totalizando, no mínimo, segundo André Diniz, 300 composições.

Sua primeira composição gravada foi “Metralhadora”, em parceria com Donga e Luís Menezes, gravada por Aurora Miranda, Disco Odeon (11091), 1933.

Essa música fazia alusão a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo.

O primeiro sucesso veio em 1937, com a samba “Juro” em parceria com Milton de Oliveira, marcando a estreia de Haroldo Lobo como compositor de músicas carnavalescas.

Juro” (Haroldo Lobo/Milton de Oliveira) # J. B. de Carvalho [no coro a voz inconfundível de Aracy de Almeida]. Disco Victor (32.243-B) / Matriz (80569). Gravação (05/08/1937) / Lançamento (dezembro/1937).



Essa composição chegou ao carnaval de 1938 como uma das campeãs, sendo premiada pela prefeitura do então Distrito Federal. Vale ressaltar que do concurso participaram “Camisa Listrada” (Assis Valente), “Yes! Nós temos bananas” (João de Barro e Alberto Ribeiro), “Não tenho lágrimas” (Max Bulhões e Milton de Oliveira), “As Pastorinhas” (João de Barro e Noel Rosa) e outras atualmente consideradas clássicas.

A política, tão comum no dia a dia do brasileiro, não poderia ficar de fora das composições de Haroldo Lobo. Em 1950, ele fez em parceria com Marino Pinto a marcha:

Retrato do velho” (Haroldo Lobo/Marino Pinto) # Francisco Alves. Disco Odeon (13078-A) / Matriz (8826). Gravação (16/10/1950) / Lançamento (janeiro/1951).





É o escritor André Diniz que relata os bastidores dessa música.

Eles aproveitaram a volta de Getúlio Vargas ao poder para brincar com a prática, instituída no Estado Novo, de colocar o retrato presidente em repartições públicas e, claro, com a possibilidade de o “velhinho” ser novamente o mandatário do país.


A marchinha “Alá-lá-ô”, em parceria com Nássara, foi feita para ironizar a falta de água na cidade do Rio de Janeiro. Segundo André Diniz era a marchinha que ele mais gostava.

Alá-lá-ô” (Haroldo Lobo/Antônio Nássara) # Carlos Galhardo. Disco Odeon (34697-A) / Matriz (52055), 1941.





Essa gravação teve a participação especial de Pixinguinha, que fez às pressas um arranjo primoroso, a introdução e as partes instrumentais executadas ao longo da música.


Haroldo Lobo morreu três meses antes do seu derradeiro sucesso – “Tristeza” – ser gravado em 1965.


Tristeza” (Haroldo Lobo/Nilton de Souza) # Jair Rodrigues no Programa Ensaio (TV Cultura).




Seu parceiro Niltinho, tinha feito a letra com a intenção de destiná-la a um samba enredo, mas Haroldo fez cortes substanciais e a condensou em um samba que triunfou de maneira espetacular no carnaval de 1966.

“Tristeza” atraiu ainda a atenção de vários editores estrangeiros, recebendo inúmeras gravações no exterior e transformando-se em sua única música internacionalmente reconhecida. Hoje é considerada um dos sambas clássicos da MPB.



Tristeza” em uma bela interpretação instrumental de Baden Powell.

Sururu na Roda

No início de 2010, em comemoração aos 100 anos de seu nascimento foi homenageado com a série de espetáculos "Eu quero é rosetar - Cem anos de Haroldo Lobo" idealizado pelo pesquisador Carlos Monte.

Os shows foram apresentados pelo grupo Sururu na Roda no Centro Cultural Carioca, e contou com arranjos e direção musical do acordeonista e pianista Marcelo Caldi. Nesses espetáculos foram interpretadas 35 obras de sua autoria como os clássicos marchas carnavalescas "Alá-lá-ô", "Eu quero é rosetar", "Coitado do Edgar", "Índio quer apito", "O passarinho do relógio" e "Retrato do velho", entre outras, além de sambas como "Tristeza", com Niltinho, e "Emília", com Wilson Batista.

Sururu na Roda canta Haroldo Lobo




Haroldo Lobo foi sem dúvidas um dos grandes nomes do carnaval brasileiro. Que seus sucessos continuem atuando como combustível para alimentar/encantar a paixão, das velhas e novas gerações, por sua obra.


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Fontes:

- Haroldo Lobo. Nova História da Música Popular Brasileira. Abril Cultural, 1977.

- André Diniz. Almanaque do Carnaval. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2008.

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