Pedro Walde Caetano
1/2/1911 Bananal, SP
27/7/1992 Rio de Janeiro, RJ

Nascido em Bananal, interior paulista, filho do agricultor Durval Mendo Caetano e da professora Zelpha Schotts Caetano, aos três anos de idade mudou-se com a família para outra fazenda, agora no interior de Maricá, Estado do Rio, de onde, perto de completar doze anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, então Capital Federal.

 
A precária situação financeira da família motivou seu ingresso precoce no mundo do trabalho e da música; essa última, interiorizada no âmago do seu ser, teimava em aflorar e ele consentia com todo prazer. De dia vendia sapatos e a noite fazia sambas.

 
Foi um dos raros artistas que soube conciliar o alimento do corpo com o da alma. Findo o expediente na sapataria encontrava-se com amigos na ponte do Maracanã, na altura da rua Senador Furtado, onde morava, sempre levando um sambinha, uma marchinha.

 
Certo dia ele apareceu com uma música diferente, uma mistura de samba e choro e um primo do cantor Sílvio Caldas, entusiasmado, prontificou-se de intermediar o encontro. Resultado: Sílvio gostou e lançou numa quarta-feira de 1934, no Programa Casé da Rádio Phillips, prometendo gravar na quarta seguinte. Gravou realmente numa quarta, só que vinte anos depois.


A primeira gravação foi pela dupla Joel e Gaúcho. É uma delícia de música, confiram.

 

Foi uma pedra que rolou” (Pedro Caetano) # Joel e Gaucho. Disco Columbia (55211-B) / Matriz (266). Gravação (20/03/1940) / Lançamento (abril/1940).

 


Pedro Caetano tinha um carinho todo especial por essa música, por ter sido a primeira que o lançou como compositor colocando-o no caminho da música popular brasileira e por oportunizar o encontro com o grande músico e compositor Claudionor Cruz.

 
Pedro Caetano (E) ao lado do eterno e querido parceiro Claudionor Cruz (D)

Ele conta como ocorreu o primeiro encontro.

 
Ele era baterista e cantor de um pequeno conjunto de baile e estava numa festa cantando o meu samba, justamente na hora que eu cheguei. Um amigo que me acompanhava não se conteve e foi logo dizendo: - Esta música que você está cantando é do meu companheiro aqui, Pedro Caetano. No intervalo, veio a mim e, depois do clássico ‘muito prazer em conhecê-lo’, foi logo dizendo que também fazia música, convidando-me para fazer algumas letras.

 
E não demorou nada e estávamos fazendo o primeiro grande sucesso como parceiros, que foi a valsa 'Caprichos do destino', gravada por Orlando Silva, em 1937.

Caprichos do destino” (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) # Orlando Silva. Disco Victor (34.305-A) / Matriz (80563). Gravação (30/07/1937) / Lançamento (março/1938).

 

 

Depois desta música com letra dramática e melodia triste, Pedro Caetano fez uma série de chorinhos, entre eles “Botões de Laranjeira”, a primeira que fez de encomenda.

É o próprio Pedro Caetano que relata sobre a tal ‘encomenda’, em depoimento ao Programa MPB Especial (17/12/1973).

 

 

Disse me disse” (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) # Carlos Galhardo. Disco Victor (80.0226-B) / Matriz (S-078047). Gravação (30/08/1944) / Lançamento (novembro/1944).

 

 

 

Mais duas músicas em parceria com o amigo Claudionor Cruz.

 

Moreno faceiro” (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) # Aracy de Almeida. Disco Victor (34.379-A) / Matriz (80888). Gravação (05/09/1938) / Lançamento (novembro/1938).

 

 

Tormento” (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) # Lúcio Alves. Disco Continental (16.656-A) / Matriz (C-2922). Gravação (29/08/1952) / Lançamento (setembro).

 

 

 

 

 

 


Cyro Monteiro foi um dos grandes intérpretes de Pedro Caetano, tendo gravado mais de vinte músicas.

 

 

O que se leva dessa vida” (Pedro Caetano) # Cyro Monteiro. Disco Victor (80.0406-B) / Matriz (S-078449). Gravação (21/03/1946) / Lançamento (maio/1946).

 

 

 

 

Num traço marcadamente vivo, o caricaturista Adail apresenta Alcyr Pires Vermelho, ao piano; Manuel Banã (do Café Nice) por cima, e o nosso homenageado Pedro Caetano, regendo.

 

 
Alcyr Pires Vermelho, juntamente com Claudionor Cruz, foram os parceiros mais constantes de Pedro Caetano.

 

Com ele fiz um punhado de músicas e, entre as primeiras tem uma que fizemos com muita felicidade, que é ‘Dama de Vermelho’, valsa que gosto muito e tem uma história muito bonita”.

 

Dama de vermelho” (Pedro Caetano/Alcyr Pires Vermelho) # Francisco Alves. Disco Odeon (12.322-B) / Matriz (7285). Gravação (14/05/1943) / Lançamento (julho/1943).

 

 

Alcyr me ligou convidando para ir à sua casa ouvir uma música nova, que gostaria que eu fizesse a letra. (...). Achei linda! Seu estilo me fazia lembrar as semi-clássicas vienenses. (...). Agora faltava o motivo para uma letra digna da beleza da música. Mas confessei-lhe que não tinha havido, ainda, aquele estalo.

 
Saímos andando até a Praça Saenz Peña, que era pertinho, e lá encontramos o Lamartine Babo, um dos ‘melhores” papos da época. (...). Num dos tradicionais palacetes daquela via, estava se realizando uma grande festa. Como ainda estávamos em idade de gostar de ‘peruar’ um baile, paramos.

 
Não demorou nada e a orquestra estourou com uma valsa daquelas de fazer coração sair de banda, pra cupido não flechar, e os pares esvoaçaram no salão. Entre os pares um dava um show à parte. A dama era linda, porte maravilhoso, toda vestida de vermelho; fazia a própria imagem da inspiração que eu procurava.


Encantado, virei-me para o Alcyr e disse-lhe: - a letra da nossa valsa vai começar aqui e o título será ‘Dama de Vermelho’. Depois, imaginando-me o felizardo que com ela deliciava aquele momento e, ao mesmo tempo pensando que em breve poderia estar curtindo a tristeza de um fim de festa, fim de tudo, fiz a letra”.

Particularmente fico sempre imaginando como os compositores encontram inspiração para suas criações musicais. Talvez seja por isso mesmo que adoro as histórias por trás das canções.

Segundo Pedro Caetano, felizmente, tem músicas que nascem num piscar de olhos, a exemplo de “Onde estão os tamborins?”, começada num ponto de ônibus e concluída antes de chegar em casa.

 
Voltávamos de um teatro, eu e a patroa, e já era bem tarde da noite, quando saltamos ali, na São Francisco Xavier, bem nas vizinhanças da Mangueira. Como estávamos perto do carnaval, estranhei o silêncio e comentei: - Você não acha que já seria hora da Mangueira estar fervilhando nos ensaios? Dizendo isso fui fazendo minha crítica mentalmente e esta foi saindo em ritmo de carnaval. O negócio foi tão espontâneo que quando meti a chave na porta, já estava cantando”:

Onde estão os tamborins?” (Pedro Caetano) # Quatro Ases e Um Coringa. Disco Odeon  (12.735-A) / Matriz (8069). Gravação (09/07/1946) / Lançamento (novembro/1946).

 

 

 

 

 

“Com este samba prestei uma homenagem póstuma a um cidadão vivo! Meu amigo Cartola”.


Pedro Caetano está se referindo aquele período que o Cartola tomou realmente um “chá de sumiço”, e como ninguém conseguia localizá-lo muitos pensaram que ele tinha morrido. Daí a estrofe da música em sua homenagem:

 
... Antigamente havia grande Escola
lindos sambas de Cartola
um sucesso de Mangueira...”

 


Visando redimir-se do suposto pecado, Pedro Caetano, fez uma resposta ao seu próprio samba, que foi “Mangueira em Férias”, com a parceria musical do amigo Acyr Pires Vermelho, onde argumenta que a Mangueira estava devagar porque os sambistas estavam de férias.

Mangueira em férias” (Pedro Caetano/Alcyr Pires Vermelho) # Nuno Roland. Disco Continental (15.972-A) / Matriz (1999). Gravação (10/11/1948) / Lançamento (janeiro/1949).

 

 

 

Pedro Caetano também fez músicas de protesto a exemplo de Duas Polegadas e “Credi-Bife”.

 

Quando a Marta Rocha perdeu o título de Miss Universo por causa de duas polegadas a mais nos quadris, Pedro Caetano, Carlos Renato (colunista do jornal “Última Hora”) e Alcyr Pires Vermelho compuseram a marchinha “Duas Polegadas”, registrando, assim, o protesto do povo brasileiro.

Duas polegadas” (Pedro Caetano/Alcyr Pires Vemelho/Carlos Renato) # Marta Rocha. Disco Continental (17.143-B) / Matriz (C-3610). Lançamento (junho/1955).

 

 

 

Pedro Caetano relata, em seu livro, que raramente comia fora de casa, quando um belo dia encontrou um velho amigo, o Dr. Saint Clair Sena, e resolveram almoçar juntos para colocar o papo em dia. Entraram no primeiro restaurante que encontraram e pediram o tradicional filé com fritas. Ao término conferindo a conta disseram a uma só voz: que roubo!

Credi-Bife” (Pedro Caetano/Saint Clair Sena), com Pedro Caetano em depoimento ao programa MPB Especial (17/12/1973).


 

 

Perguntado a Pedro Caetano qual foi o seu maior sucesso como compositor ele respondeu assim:

“Tenho dois tipos de sucesso a considerar: o comercial e o sentimental”.

No primeiro caso, ele destaca “É com esse que eu vou”, por ter sido o mais gravado, executado e o que mais rendeu em termos de direitos autorais.

 

É com esse que eu vou” (Pedro Caetano) # Quatro Ases e Um Coringa. Disco Odeon (12.812-A) / Matriz (8268). Gravação (08/09/1947) / Lançamento (novembro/1947).


 

 

 

 

Ele reconhece e, também, credita à versátil e saudosa Elis Regina o sucesso comercial do samba. 


 

 

Lançado no ano passado, e ainda hoje em cartaz, o musical idealizado por Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo - “É com esse que eu vou” -, é sucesso de público e crítica. 

Na esfera sentimental Pedro Caetano não tem a menor dúvida e aponta a valsa intitulada “Guarapari”.

 
Muitos perguntavam a Pedro Caetano como um paulista e carioca adotivo fez várias músicas para o Espírito Santo. Segundo ele a resposta é simples.

 

Tudo nasceu da história de uma italiana, Rosa Provedel Caetano (Rosário), criada no Espírito Santo que ele conheceu em Minas e se amarraram no Rio.

 

A valsa “Guarapari” foi lançada pelo cantor Nuno Roland, na fase áurea da Rádio Nacional e contagiou o povo de Guarapari que se manifestou por cartas, telegramas e telefonemas todo seu sentimento de gratidão.

 


Guarapari” (Pedro Caetano) # Nuno Roland. Disco Todamerica (TA- 5053-B) / Matriz (TA-102). Gravação (08/03/1951) / Lançamento (abril/1951).

 

 

Pedro Caetano ainda fez várias músicas com a mesma temática e recebeu inúmeras homenagens do povo capixaba a exemplo do título de Cidadão Guarapariense e da inauguração de uma rua com seu nome.

 
Nuno Roland, cantor da valsa “Guarapari”, pregando a placa de inauguração da Rua Pedro Caetano, na cidade balneária de Guarapari, Espírito Santo.

Abaixo detalhe da capa do LP em homenagem ao Estado do Espírito Santo. Doze composições cantam cidades capixabas.

 

Inspirado no drama do operário que vê os sambistas do morro faturando alto com os sambas de Carnaval e resolve, também, dar uma de compositor, Pedro Caetano fez uma letra inspirada num trabalhador que tem que sair de madrugada para defender o leite das crianças e sai pela noite em busca de inspiração. Seu parceiro Luiz Reis gostou e musicou.

É o próprio Pedro Caetano quem conta essa história e canta sua obra “Olha o leite das crianças”. 

Olha o leite das crianças” (Pedro Caetano/Luiz Reis).

 

 

Marlene, o compositor-pianista Luiz Reis e Pedro Caetano (E), no palco do Maracanãzinho, apresentando o samba “Olha o leite das crianças”. Concurso de Carnaval 1969.

No início da década de 40 Pedro Caetano e o querido parceiro Claudionor Cruz fizeram um chorinho que acho belíssimo. Trata-se de “Nova Ilusão” que foi gravado na época por Renato Braga. Vale a pena conferir. 

 

Nova ilusão” (Pedro Caetano/Claudionor Cruz) # Renato Braga. Disco Columbia (55.285-B) / Matriz (420). Lançamento (julho/1941).

Como também vale a pela conferir na interpretação de Zélia Duncan acompanhada dos músicos Marco Pereira, Hamilton de Holanda, Gabriel Grossi e Márcio Bahia, comprovando a contemporaneidade da obra de Pedro Caetano.


 


Um dos momentos mais emocionantes de sua vida foi um show homenagem aos seus 50 anos de Música Popular Brasileira.

 

Pedro Caetano com Ricardo Cravo Albin, acertando show-homenagem aos 50 anos de MPB; fac-simile da reportagem de Ana Maria Bahiana, no jornal O Globo.

O melhor momento da minha vida de compositor foi vivido na sala Funarte, Sidney Miller com o show ‘É com esse que eu vou’. Duas semanas de casa lotada, gratificando-me com a maior consagração que já recebi do público e da imprensa.

 

Quem me ofereceu este maravilhoso presente foi Érico de Freitas, criador do ‘Projeto Carnavalesca’ (cartaz acima), entregando a responsabilidade de roteiro e direção ao expert da MPB, Ricardo Cravo Albin, que com sua notória experiência fez do meu repertório uma verdadeira ‘Revista Musical’. A extraordinária cantora Marlene e a meninada do ‘Céu da Boca’, cantando, dançando e representando, contribuíram para o show mais alegre que eu poderia desejar na comemoração dos meus 50 anos de música”.



Ainda em comemoração ao cinqüentenário lançou o livro “50 Anos de Música Popular Brasileira – O que fiz, o que vi”.

 

No prefácio José Ramos Tinhorão nos diz:


(...) Pedro Caetano mostra neste seu livro como um autor de música popular pode servir à crônica do seu tempo e dos fatos do qual é personagem. Através de Pedro Caetano, são os bastidores da criação da música popular de uma época que ficamos conhecendo agora. São pequenas histórias, mas são elas que compõem a História”.

 

 


Torço para que as alegrias que ele sentiu, em vida, nas comemorações dos 50 anos de carreira brotem também no seu Centenário, por todo país, em reconhecimento a este extraordinário e talentoso artista de alma seresteira e romântica que tanto contribuiu para a Música Popular Brasileira.

 

 

******************

Homenagens pelo Centenário de Pedro Caetano

 

Até agora, pesquisando na internet, pouca coisa encontrei relacionada às comemorações do Centenário de Pedro Caetano. Acredito e tenho fé que elas acontecerão por todo este ano de 2011.

Nas referidas pesquisas encontrei o blog de Cristina Caetano ,filha do nosso homenageado, no qual ela expõe seus planos para as merecidas comemorações. Como não houve atualizações no referido blog, ficamos sem saber se o que foi planejado aconteceu ou ainda acontecerá.

- Pesquisando no YouTube constatei que foi realizado pelo Clube do Choro de Santos – SP, em 30/07/2010, no Teatro Guarany,o espetáculo O Homem do Terno Preto – A vida e obra e Pedro Caetano.

Confiram alguns momentos do show que contou com a apresentação de Marcello Laranja, com os músicos: Arizinho, Júnior, Dodô, Carlinhos e Ezequias; nos vocais: Maurício Sandália, Rafaella Laranja, Nadja Soares e Jorge Maciel. E com a participação especial de Cristina Caetano, filha do compositor.

Foi uma Pedro que rolou” (Pedro Caetano)

 

 

Sandália de Prata” (Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho)

 

 

- Também na internet li que o escritor, jornalista e pesquisador musical Ricardo Cravo Albin estaria envolvido com o centenário de Pedro Caetano, mas a notinha não diz muito:

“Estou envolvido com os centenários dos grandes compositores brasileiros. Já começo o ano com uma homenagem a Pedro Caetano, autor de Onde estão os tamborins? Que faria aniversário dia 1° de fevereiro. Aliás, bem a propósito porque é antes do Carnaval”.

- O Instituto Cravo Albin decidiu ajudar e Osmar Frazão foi convidado para integrar o conselho que organiza as homenagens. Começam as iniciativas para que Pedro Caetano não seja esquecido. (Blog Notícia em Foco).

- O Centro Cultural do Banco do Brasil patrocina e realiza no Teatro II, a partir do dia 1º de fevereiro de 2011, 'Lapa de Todos os Sambas'. Foram programadas homenagens especiais a Ismael Silva e a Pedro Caetano (autor dos sucessos “É com esse que vou”, Botões de Laranjeira”, “Onde estão os tamborins?”) que estaria completando 100 anos este ano. (O Dia Online).

 

Afinal o ano de 2011 está apenas começando. E como é de praxe no Brasil a máxima de que “tudo começa depois do carnaval” espero que ela se aplique ao nosso querido homenageado – Pedro Caetano.

 

 

 
Pedro Caetano – traço bico-de-pena feito pelo discófilo e desenhista Miécio Café, de São Paulo.

 

 

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Fontes:

LIVROS

 
- BOTEZELLI, J. C. Pelão e PEREIRA, Arley. A Música Brasileira deste Século por seus Autores e Intérpretes / Vol. 3. SESC, 2000.
- CAETANO, Pedro. 54 Anos de Música Popular Brasileira – o que fiz, o que vi; Prefácio de José Ramos Tinhorão. – Rio de Janeiro: Ed. Palhas, 2ª edição ilustrada e ampliada, 1988.
- HISTÓRIA DO SAMBA. – Rio de Janeiro: Globo, 1997-1998 – Quinzenal. 40 fascículos e 40 CDs.
- SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A Canção no Tempo – 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 1: 1901-1957. – São Paulo: Ed. 34, 1997.

 

SITES
- Instituto Moreira Salles
-Instituto Cultural Cravo Albin
-Cifrantiga

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Exibições: 1793

Comentário de Laura Macedo em 29 janeiro 2011 às 14:07

Pesquisar sobre a obra de Pedro Caetano foi um prazer imenso, mas a montagem do post foi muito sofrível. Tentei por quatro vezes e ainda não ficou como eu desejava (em termos de formatação).

Para não perder novamente, publiquei faltando alguns links, fotos...

Fica o compromisso da realização dos acertos, tão logo eu me recupere do sufoco :))

 

 

Comentário de Cafu em 29 janeiro 2011 às 17:27

Laurinha,

Ficou ótimo. Ainda bem que temos você para não deixar a peteca cair e para render as devidas homenagens. Pedro Caetano deixou um legado da melhor qualidade que sua pesquisa faz jus.

 

 

Caprichos do destino (Pedro Caetano-Claudionor Cruz) # Jacob do Bandolim

 

 

Engomadinho (Pedro Caetano – Claudionor Cruz) # Olivia Byington

 

Parabéns e beijos.

Comentário de Gregório Macedo em 29 janeiro 2011 às 18:17

Sei que o sufoco foi terrível, querida, mas o que quero dizer é que a homenagem a Pedro Caetano está um primor. As palavras que você destacou do prefácio de Tinhorão definem e contextualizam a obra do homenageado; Pedro fez a História, sim, e o bacana é ver que suas letras continuam atuais. A crítica do credi-bife, a louvação a Guarapari e aos compositores da Mangueira (as férias do Cartola!), o que levamos dessa vida (Ciro Moneiro), a nova ilusão, o é com esse que eu vou, tudo é maravilhoso - mas o balanço de 'Foi uma pedra que rolou', com Joel e Gaúcho, de 1940, é que é supimpa (para usar um termo da época): eu estava enganado ao achar que o arranjo moderno, ou melhor, o suingue, havia sido criação da dupla Ruy Faria e Carlinhos Vergueiro no CD fantástico lançado há cerca de 3 anos, mas não, o balanço é de nascença, um barato. A louvar também a humildade e simplicidade de Pedro Caetano, que podemos inferir de seus depoimentos de 1973. Um senhor ser humano compositor!

A Cristina ccom certeza também vai gostar muito dessa matéria.

Parabéns, minha querida Maria Laura dos Anzóis Pereira!

Beijos. 

 

 

 

Comentário de Laura Macedo em 29 janeiro 2011 às 20:51

 

ALELUIA!! Consegui quase 100% nos ajustes "da obra", KKKKKKK

 

 

Retorno após o jantar...

 

Beijos.

Comentário de Laura Macedo em 30 janeiro 2011 às 0:59

Gregório,

De todos os seus comentários feitos nos meus posts esse bateu o recorde em tamanho. Sei que você leu e ouviu todas as músicas. Minhas antenas estavam 100% ligadas. Amei mesmo, amorzinho.

A última frase do seu comentário provocou uma cascata de gargalhadas... Quando a mamãe me chamava assim, ocorria justamente o contrário...

Beijos....

Comentário de Laura Macedo em 30 janeiro 2011 às 1:25

Cafu,

Que bom você trazer pra cá o chorinho "Engomadinho", do Pedro Caetano e Claudionor Cruz.

Esse chorinho foi censurado, sabe por quem? Pela intérprete Aracy de Almeida.

 

É o próprio Pedro Caetano quem conta esta história.

 

 

A bronca da Aracy estava justamente na última frase: "Rei dos seresteiros, Rei do meu amor". Essa Araca era demais, mesmo.

 

Beijos.

 

 

 

Comentário de Cafu em 30 janeiro 2011 às 18:14

Hahaha. Que história deliciosa! Araca não era fácil não. Bela garimpada.

 

Laurinha,

E o Alcyr Pires Vermelho, heim? Quando teremos um post dedicado a ele? Ninguém lembra mais, e foi um compositor importante de seu tempo, parceiro de grandes artistas.

Beijos e obrigada pela história.

 

 

 

Comentário de Gilberto Cruvinel em 30 janeiro 2011 às 18:58

Laura, querida,

 

  Sei exatamente o que você sentiu quando  teve trabalho para colocar o post na formatação desejada. Isso às vezes dá mais trabalho que a pesquisa original e sei o que é a gente querer que o conteúdo precioso e garimpado com esforço fique no formato bonito que merece. A formatação muitas vezes é um tormento até que encontramos o jeito certo. Você tem minha solidariedade. E o resultado ficou ótimo, Laura. Está um capricho só. Um Capricho da Laura Macedo, não do destino. :-))

 

   A  lembrança que tenho da primeira vez que ouvi falar de Pedro Caetano foi no extinto programa Som Brasil do Rolando Boldrin ainda na TV Globo, nas manhãs de domingo. E me lembro também que Pedro Caetano também era lembrado no extinto programa Sr Sucesso na tb extinta rádio Excelsior de São Paulo (no mesmo endereço onde hoje é a CBN São Paulo) onde o jornalista Maurício Kubrusly era diretor da rádio e só se tocava Musica de Qualidade e não se repetia música, veja isso Laura. Uma rádio que não aceitava jabá! Claro que durou pouco. Eu era tão fã do Kubrusly que cheguei a assistir o program dele ao vivo no estúdio da rádio.

 

O samba choro Foi uma pedra que rolou lembra os sambas de Noel, não lembra? Talvez pela proximidade no tempo (1940).

 

A valsa Caprichos do Destino na voz de Orlando Silva é uma delícia de ouvir. Que voz sedutora tinha o Cantor das Multidões! E como é delicioso ouvir o Orlando cantando essas canções chorosas, lamentando o destino, as derrotas da vida. Os compositores tinham uma imaginação para letras hein?

 

Adorei tb ouvir nossa maravilhosa Araca cantando “Moreno Faceiro”, cuja letra  também lembra muito as letras de  Noel.

 

Eu conhecia o refrão famoso de “O que se leva dessa vida”, mas não sabia que era de Pedro Caetano.

 

As Histórias de “Dama de Vermelho” e ”Onde estão os tamborins” comprovam, sem dúvida, o talento de compositor que o Pedro tinha e o fazia tirar inspiração de qualquer motivo. E o tema de  “Onde estão os tamborins” é outro exemplo de música que eu conhecia mas nem fazia idéia de quem era o compositor.

 

É com esse que eu vou – outra surpresa absoluta pra mim. Conhecia a versão famosa da Elis, mas nunca me liguei no autor do samba. E você, pesquisadora de primeira, conseguiu mesmo o manuscrito original do autor. Trabalho perfeito. Veja como é esse negócio de um samba de sucesso. A letra, absolutamente simples, sem complicações nem enredo complicado. Caiu no gosto do povo.

 

O sambaNova Ilusão” tem um versão mais famosa com outro cantor mas não estou me lembrando que cantor é, seria Orlando Silva?

 

A sua homenagem faz jus ao talento do grande Pedro Caetano, Laura. Abertura perfeita ao ano do centenário.

 

Beijos

Gilberto
Comentário de Laura Macedo em 30 janeiro 2011 às 20:07

Cafu,

O Alcyr Pires Vermelho é um "baita" artista. Foi gravado por grandes nomes da nossa MPB.

Por ocasião de seu centenário a Prefeitura de Muriaé (MG) preparou o video abaixo em sua homenagem. Descobri este video pesquisando sobre o Pedro Caetano.

Beijos.

 

 

Comentário de Laura Macedo em 30 janeiro 2011 às 21:16

Gilberto, 

Confesso que conhecia pouca coisa referente ao Pedro Caetano. Foi a partir da leitura do livro (capa no post) que fiquei totalmente fascinada pela obra e também pelo ser humano revelado em sua narrativa.

A convivência de Pedro Caetano com Noel Rosa foi muito pequena, mas mesmo assim ele diz não esquecer alguns episódios em que Noel foi figura de relevo.

 

“Não fixei bem a data, acredito que foi por volta de 1935. Certo dia fui a uma festa nos arredores de Vila Isabel e para minha surpresa lá estava Noel Rosa numa roda de muitos amigos e admiradores. Ele, ligeiramente afastado, conversava devagar a um canto com duas ou três pessoas. Logo depois tudo mudou (isto é, para mim). Noel despontava entre os companheiros brincando de tirar versos de improviso, seu divertimento preferido (...)

 
[Na sequência do texto Pedro Caetano relembra o episódio que Noel foi conduzido ao distrito policial. Quando o delegado viu de quem se tratava acabou mandando comprar algumas geladinhas e o samba correu solto].

Nesse momento, vendo o Noel no maior entusiasmo entre os parceiros, me lembrei do episódio e tasquei uma quadrinha pra cima dele:

Seu Noel você me diga
o que foi que você fez
pra ter que dá show de graça
lá na sala do xadrez

Noel não se perturbou, deu aquele sorriso pouco aberto, tão costumeiro, e não conversou, respondeu de pronto:

Seu Caetano me responda
o que é que você faz
pra andar descobrindo coisas
que não interessam mais”


Confesso que “Nova Ilusão” é a minha preferida. Domingo passado tive o prazer de ouvi-la, no programa “Feito em Casa” (emissora de TV local), na voz da piauiense Vanda Queiroz.

No IMS só existe o áudio com o Renato Braga. Quem gravou também foi o Paulinho da Viola.

 

Gilberto, meu amigo, grata pelo comentário. Adorei o "Capricho da Laura Macedo" :))

 

 

 

 

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