Certa saudade. Apenas certa. Pois ter tua presença sem poder te tocar é quase como

estar morta. Olho, mas não toco. Sinto, mas a carne falta.

 

Teus olhos penetram, tua voz discorre pelo meu corpo e sinto neste momento a

ausência desesperada do gosto da tua língua na minha língua.

 

Meu corpo é fantasma, sem peso. O plasma vibra percorrendo instâncias secretas. A

fala preenche o espaço dissimulando o silêncio transparente. Olho tua boca. Inspiro

como se respirasse teu cheiro em minha aura. Tento voltar, falo comedidamente.

 

Certa saudade, mas meu coração descansa da luta insana travada no aperto da

desesperança. Esta desesperança que busca algum fio de luz para não mais esperar,

qualquer coisa.

 

                                                                                         Erica. 18/11/2011

         

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