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Mais um complô promovido pela imprensa para que se acredite na morte de um grande ídolo! Assim como Gardel, Elvis Presley, Michael Jackson e muitos outros, Cesare Siepi está vivo, escondido em algum lugar (dizem que Saramago – outro que está vivinho da silva - lhe deu guarida em Lanzarote) para fugir dos paparazzi que infernizam a vida das estrelas. Quando menos se esperar, ele reaparecerá, mais jovem do que nunca, cantando um Don Giovanni como jamais se conseguiu antes ou depois.


Por ora, curtamos um pouco da biografia desse grande baixo – que só era baixo na tessitura vocal, porque no físico era alto, esbelto, apolíneo. As mulheres que o digam.


Vejamos o que se diz dele na Wikipedia.


Cesare Siepi (Milão, 10 de fevereiro de 1923 - Atlanta,6 de julho de 2010), considerado como um dos mais refinados baixos do período pós-guerra. Sua voz era caracterizada por um timbre profundo e caloroso e um registro-agudo sonoro e vibrante. No palco, seu físico, sua presença e sua elegância de fraseado fizeram dele um Don Giovanni natural, dentre seus muitos outros papéis.


Nascido em Milão, começou a cantar como membro de um grupo madrigal. Sempre afirmava ser um autodidata, tendo frequentado o conservatório de música em sua cidade-natal apenas por um curto período. Sua carreira operística foi interrompida pela II Guerra Mundial. Após seu début em 1941, (em Schio, perto de Veneza, como Sparafucile em Rigoletto), Siepi, sendo oponente do regime fascista, mudou-se para a Suíça.


Após o fim da Guerra, sua carreira, imediatamente, decolou. O sucesso como Zacarias, em Nabucco, no Teatro La Fenice de Veneza, teve como consequência o primeiro de muitos contratos no Scala de Milão. Suas primeiras atuações no Scala foram em papéis de baixo verdiano, a saber, o papel-título do Mefistófele de Boito, regido por Toscanini, como Colline em La bohème, e em La Gioconda, La favorita, e I puritani.


Sua reputação internacional foi estabelecida em 1950, quando Sir Rudolf Bing o contratou para o Metropolitan Opera de Nova York, para abrir a temporada de 1950 como Filipe II em Don Carlos. Ele permaneceu como baixo principal no Met até 1974, representando papéis como Boris Godunov (em inglês)) e Gurnemanz em Parsifal (em alemão), e cantando todos os papéis maiores do repertório de baixo.


Também debutou no Royal Opera House, Covent Garden, em 1950, e apresentou-se ali regularmente até meados de 1970.


Em 1953 Siepi debutou no Festival de Salzburgo com um legendário Don Giovanni regido por Wilhelm Furtwängler, encenado por Herbert Graf, com cenários de um arquiteto austríaco, chamado Clemens Holzmeister. Ele causou um impacto imediato no Festival de Salzburgo no papel-título de Don Giovanni, que se tornou, possivelmente, o seu mais famoso papel, como fora com o mais famoso baixo italiano da geração anterior, Ezio Pinza. Essa apresentação foi gravada em LP, e grande parte de sua produção foi filmada em cores e publicada em 1955.


Siepi era convidado, com frequência, a cantar no Vienna State Opera. Em 43 "performances", cantou Don Giovanni, mais vezes que qualquer outro cantor da atualidade, exceto Eberhard Waechter. Em 1967, Siepi fez Don Giovanni em uma controversa produção, dirigida por Otto Schenk com cenários
de Luciano Damiani, que mostrou a obra-prima de Mozart à luz da Commedia dell'arte e enfatizou os elementos cômicos e irônicos dessa ópera (o regente Josef Krips opôs-se veementemente a essa produção). Em Viena, cantou também Basilio Il barbiere di Siviglia), Colline (La bohème), Fiesco (Simon Boccanegra), Figaro (Le nozze di Figaro), Padre Guardian (La forza del destino 1974 em uma nova produção regida por Riccardo Muti), Gurnemanz (Parsifal), Mephisto (Faust), Filippo II (Don Carlos),and Ramphis (Aïda).
Siepi continuou a cantar no State Opera até o começo dos anos 1980.


Ele foi também um refinado recitalista, principalmente nos Community Concerts da Columbia Artist Management, e um sensível intérprete do "Lied" alemão. Casou-se com Luellen Sibley, bailarina do Metropolitan, e com ela teve dois filhos.


Siepi desfrutou de uma longa carreira e se apresentou regularmente até o começo dos anos 1980, incluindo papéis principais nos musicais da Broadway Bravo Giovanni e Carmelina. Além das suas inúmeras gravações em estúdio, existem também muitas gravações de "performances" ao vivo dos seus papéis principais. Um desentendimento com o Metropolitan parece ter tornado as gravações que incluem Siepi indisponíveis para posterior publicação, principalmente as da Flauta Mágica no papel de Sarastro e O rapto do Serralho no papel de Osmin.


(Wilipedia)




HENRIQUE MARQUES PORTO
dá o seguinte depoimento:

“Cesare Siepi é a mais bela voz de baixo da segunda metade do século passado. Nasceu em 1923.
Cantou o Mefistofele aqui no Rio em 1964 com Magda Olivero, Flaviano Labò e Rita Orlandi Malaspina, regidos por Francesco Molinari-Pradelli. Eu estava lá. Vi tudinho, de queixo caído, sentado na poltrona B 19 da platéia.
Coro tinindo de bom regido por Norberto Molla (do Scalla). A orquestra do TM era na época a melhor do Brasil (pra se ter uma idéia, o primeiro clarinetista era o Paulo Moura). Foi o primeiro espetáculo de primeiríssima qualidade que vi na vida. Não dá pra esquecer. Siepi era alto, bonitão e sarado. Deu-se o luxo de cantar o Mefisto de sunga. Lembro bem das mulheres aplaudindo e suspirando nos intervalos dos atos. Uma coroaça mais assanhada, sentada atrás de mim, não se segurou e comentou em voz alta quase desmontando a torre de
laquê que trazia no alto da cabeça: "-Nossa! Que diabo bonito, meu Deus!"
Siepi cantou apenas as duas récitas do Mefistofele e foi embora zangado. Cantaria ainda uns dois outros títulos, mas considerou o contrato rompido. Estava com a razão. Havia combinado verbalmente com o empresário -o maestro Ruberti- de cantar um Don Giovanni, seu maior papel. Não se sabe por que o TM não cumpriu o combinado. Ficamos sem o Don de Siepi.
Dia de ouvir um Requiem. Talvez o de Verdi, que ele cantou no Scalla de Milão em 1957, em montagem regida por Victor De Sabata nos funerais de Arturo Toscanini.”


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Agora vejamos um concerto com Cesare Siepi













































Exibições: 167

Comentário de Henrique Marques Porto em 11 julho 2010 às 4:35
Oscar,
Primeiro, obrigado por incluir meu comentário. Me considero um privilegiado por ter assistido ao vivo esse artista sensacional. Tinha só quatorze anos, mas lembro de quase tudo o que vi naquela longínqua tarde de domingo, em julho de 1964 -Prólogo, atos e Epílogo do Mesfistofele de Arrigo Boito. O Epílogo foi sensacional, levantou de vez a platéia. Siepi, na pele do demônio, desceu ao inferno -um fosso se abriu no palco, de onde saía fumaça e voavam morcegos e sujidades- soltando urros bestiais e assoviando alto com os dois indicadores na boca, zombando de Deus que o vencera na luta do bem contra o mal. O mesmo assovio que se ouve na gravação célebre regida por Tulio Serafin, com Renata Tebaldi e Mario Del Monaco. Baixo que sabe assoviar faz playback do flautim. Não era o caso de Siepi. Sem dúvida, o melhor registro em CD do Mefistofele, gravado em 1958. Por sinal, os três CDs podem ser baixados em:
http://sictransitoperamundi.blogspot.com/2009/06/boito-arrigo-mefis...


O título dessa matéria devia se tornar padrão. Grandes artistas não morrem. CDs, DVDs e as outras mídias que o futuro inventará continuarão a ser lançados com a voz magnífica de Cesare Siepi. Quer dizer, ele vai continuar trabalhando.
Vá cantar bonito assim em Passárgada!
abraço
Henrique Marques Porto
Comentário de Henrique Marques Porto em 12 julho 2010 às 19:56
Oscar,
Acabei de postar no YouTube um video para homenagear o Siepi. Escolhi o trecho final do Epílogo do Mefistofele de Boito. Até ontem de noite essa peça ainda não havia sido postada. Alguém teve a mesma idéia. Agora já tem duas. Mas eu editei e excluí o "Giunto sul passo estremo" para centrar mais no Siepi.
abraço
Henrique

Cesare Siepi- Mefistofele, de Arrigo Boito. Epílogo (trecho final)
Comentário de Oscar Peixoto em 12 julho 2010 às 20:44
Henrique, bela edição. As gravuras do Gustave Doré parecem ter sido feitas para ilustrar a ópera. Uma pena não se ter em vídeo essa montagem. Dois dos maiores ícones da ópera juntos numa apresentação. E a Tebaldi de quebra!!!
E o post fica melhor dia a dia. Vida longa ao Siepi, Del Monaco e Tebaldi!
Abraços

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