Chalmers Johnson: ex-agente da CIA e professor de História

Blog do Milênio: O encantador senhor da Retaliação

A CIA ainda é vista mundo afora como um bicho-papão que assusta e se mete em tudo. Um covil de espiões. Quando algum americano é descrito como “ex-CIA” a gente logo imagina uma figura que Clint Eastwood ou Harrison Ford encarnariam no cinema.

Chalmers Johnson não poderia estar mais longe desse estereótipo, embora tenha trabalhado para a CIA nos anos 60 e 70. Mas é verdade que ele nunca foi um espião: fazia análises sobre a China de Mao para a CIA.

Hoje preso a uma cadeira de rodas – por uma doença degenerativa – doce e brincalhão, Chalmers Johnson se tornou um dos mais ferozes críticos do establishment americano e o cronista do declínio do império ianque.

Professor da Universidade da California, ele foi um dos primeiros historiadores a tratar do imperialismo americano. E ficou célebre quando os ataques de Onze de Setembro aconteceram, pouco depois do lançamento de Blowback, seu livro que previa represálias à hegemonia de Washington (clique e leia a introdução do livro).

Para entrevistar Johnson, ao fim de uma maratona de Milênios na Califórnia, o cameraman Emmanuel Bastien e eu dirigimos de San Francisco a San Diego. (veja o vídeo abaixo)

Chegamos exaustos à agradável casa com vista para o Pacífico, sem saber exatamente que sujeito ex-CIA iríamos encontrar. E ficamos encantados com ele e a mulher, a antropóloga Sheila, que nos receberam com enorme carinho e alegria.

por Jorge Pontual

Próximo Milênio: Chalmers Johnson

seg, 21/06/10
por Equipe Milênio |
categoria Notas, Programas

foto: Emmanuel Bastien

foto: Emmanuel Bastien

O historiador Chalmers Johnson fala manso mas não tem meias palavras. Ex-integrante da CIA, a Agência de Inteligência dos EUA, critica acidamente o que ele chama de “postura claramente imperialista”, mantida pelos norte-americanos fora de suas fronteiras.

Johnson é autor de uma trilogia de livros em que discute os custos, tanto orçamentário quanto de desgaste de imagem, para a manutenção da hegemonia norte-americana no mundo e é categórico: “É insustentável!” Ficou célebre logo após lançar o primeiro “Blowback” (retaliação), lançado no Brasil com o mesmo título em inglês, onde de certa forma previu os ataques de 11 de setembro de 2001.

Professor de História – já aposentado – das Universidades de Berkeley e San Diego, Johnson recebeu o repórter Jorge Pontual em sua casa, no sul da Califórnia, e confessou que só recentemente leu (e gostou) o clássico “As Veias Abertas da América Latina”, por sugestão de Hugo Chávez.

Ele também foi categórico ao falar sobre o Irã e a Coréia do Norte: “o Irã vai desenvolver a bomba atômica, sim, porque vários países em volta dele já desenvolveram, como Israel, Paquistão e índia, o caso não é usar a bomba, mas mantê-la como uma garantia de integridade do seu território. A Coréia do Norte deve ser encarada não como uma ameaça nuclear ao ocidente, mas como um país que possui o nacionalismo mais extremado do mundo e ponto”.

por Alexandre dos Santos

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Comentário de Angelo Frizzo em 23 junho 2010 às 1:57
Já vi duas vezes a entrevista na globo news. Fiquei impressionado por ouvir um americano(e da cia) inteligente. Ele percebeu, pelo menos, que os eeuu estão se isolando do mundo e que, genocídios não levarão a nada. Gastar dinheiro (centenas de bilhões de dolares ano) com 800 bases militares em países estrangeiros, não levara a na senão a falência do império.
É até perigoso, eles tem gente que pensa.
Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 23 junho 2010 às 13:25
O debate no tio sam sove a privatização do estado (sic!)

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