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CHICO ANÍSIO ... FAMA FEITA DE PRECONCEITO ( Luiz César (*) )

CHICO ANÍSIO ... FAMA FEITA DE PRECONCEITO

- Por Luiz Cézar (*) -


Com a morte de Chico Anísio não morrerá a modalidade de humor por ele disseminada. Rafinha Bastos, Danilo Gentili e outros estarão aí para dar continuidade ao legado de deboches e de escárnio às diferenças que o humorista deixou estabelecido como padrão de riso na cultura televisiva brasileira.

Nunca será demais lembrar que Chico Anísio, um escroque a serviço das Organizações Globo fez fortuna marcando as diferenças sociais em seu País: de gênero, de raça, de nível econômico, de religião e de condições de saúde.

Quem não se lembra, tendo mais de 40 anos de idade, de suas imitações de gagos, fanhosos, velhos, mulheres, nordestinos, judeus, umbandistas e homossexuais? Gerações acostumaram-se ao riso fácil das caricaturas que fazia dos mais fracos, reproduzindo depois essa modalidade de humor nas escolas e ambientes de trabalho, de modo a perpetuar a discriminação que pesava sobre os que se encontravam em oposição ao ideário de normalidade da classe média.

Chico Anísio não era um comediante como foi no seu tempo Oscarito, Zelloni, Golias e Zezé de Macedo. Foi um déspota do riso que apontava no meio da multidão o que era destinado à chacota e à humilhação.

Acomodou-se ao regime militar e a ele serviu comandando sessões apelativas de riso que desviavam a atenção dos rumores sobre as atrocidades cometidas pelos algozes, que seus patrões diariamente ocultavam.

Contribuiu para que se criasse em torno do último ditador do ciclo de governantes da ditadura militar, João Figueiredo, uma aura de simpatia e tolerância por meio de um quadro em que mantinha conversas intimistas com o governante.

Afeiçoado a bajulações dos poderosos, ainda depois da ditadura Anísio chegou ao cúmulo de dar sustentação ao confisco da poupança praticado pelos sócios de seus patrões, os Collor de Mello, vindo até a casar-se, em troca disso, com uma das primas e ministra da economia do ex-presidente Fernando Collor, Zélia Cardoso de Mello.

Viciado em cocaína, como ele mesmo declarou um dia às TVs, Chico Anísio nunca se recuperou da dispensa de seus serviços pela Rede Globo depois que a emissora – para a qual muito contribuiu com o elevado faturamento de seus programas – decidiu renovar sua imagem nos anos de 1990 apelando a uma nova abordagem de humor, representada por grupos humorísticos egressos do teatro.

Antes que iniciasse a lenta agonia em direção ao destino igualitário da morte, a Globo cedeu à mágoa do humorista e deu-lhe a chance de um breve retorno à cena representando a idosa que fazia ligações telefônicas para o ditador Figueiredo. Só que nesse ato de despedida, quem estava do outro lado da linha era a mulher e ex-prisioneira política Dilma, a quem o preconceito do humorista jamais perdoaria por haver derrotado  o estigma machista e vergar, sem os favores da Globo, a faixa de presidente da República.

Um troco que, por felicidade, a vida dá aos homens sem caráter antes que caiam no esquecimento.

 

*Luiz César é Economista, Linguista, Mestre em Cultura, Mestre em Tecnologia (todos pela USP) e Master em Gestão Econômica de Projetos pela GV

Imagem tomada de: dignow.org


http://desacato.info/2012/03/chico-anisio-fama-feita-de-preconceito/#utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=chico-anisio-fama-feita-de-preconceito

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Comentário de Jose Mayo em 25 março 2012 às 13:04

É um modo de ver... mas de um ser do escuro, incomodado pela luz daqueles que brilham.

Chico, em que pese às gárgulas, teve a aprovação de todo um povo. Não só dos ricos, mas principalmente dos humildes que, não só repetiam os seus "bordões", como entendiam a crítica social, em seu favor, que os personagens do humorista embutiam. Mas...

Sempre aparece um "quase-nada", dono de "feitos nenhuns", que, mesmo numa hora de dor, para a família e para todos que do artista Chico Anísio gostavam, quer recolher, num forcejo, seus "dez segundinhos" de expressões torpes, tortas e malpensadas, pensando que isso é "fama"; é o mal de todo "bosta", com perdão à má palavra.

Comentário de Marco Antônio Nogueira em 25 março 2012 às 13:32

JOSÉ MAYO, 

Você falou bonito, mas

se esqueceu do principal:

é verdade ou mentira o

que disse o Professor

Luiz César.

Ou você, diante de pessoas

inteligentes, espirituosas,

como não podemos negar

tenha sido Chico Anísio,

você é insensível quanto

a preconceitos?

Se for pra exaltar pessoas

só por alguma genialidade que

têm, exaltemos: SARNEY,

JABOR, e tantos outros por aí.

Claro que ele foi um grande

do homorismo, mas nada 

impede que alguns façam

análise de seu caráter.

Ou não?!

Abraço,

Marco Nogueira

Comentário de Jose Mayo em 25 março 2012 às 14:32

Meu prezado, existe hora e lugar...

Talvez seja o que se chama "julgamento da História", mas certamente não é um dedo em riste sobre o corpo ainda quente de um falecido. Muito poucos homens são maiores que os seus fatos e circunstâncias e, certamente, TODOS, no seu particular (e alguns em público) já atravessaram alguma rua fora da faixa.

O preconceito fere, traz dor, traz sofrimento; alguns preferem expô-lo ao ridículo, o que não deixa de ser uma forma de combatê-lo e, às vezes, muito mais eficiente que a expressão carrancuda ou o "denuncismo", na função de erradicá-lo ou torná-lo impotente.

Chico Anísio, o "nordestino barrigudo de cabeça grande e perna fina, lá de Maranguape", fez sucesso no Sudeste "da zelite" fazendo isso; Quem ria de quem, com ele no palco? Em quantos, ali da platéia, ele não esfregava na cara, o seu "Justo Veríssimo"?

Não sei se na tua infância alguém tentou aplicar a você um "apelido"; No meu tempo, a voz corrente entre as crianças, era: "Não fica zangado, senão pega!"

Pra mim funcionou muitas vezes, então faz sentido...

Quem fica "exposto", realmente, com o preconceito: O portador, ou o atingido?

Quanto ao caráter (dos outros), o que era mesmo que dizia Cristo?

Saudações 

Comentário de Ivan Bulhões em 25 março 2012 às 22:57
Discordo deste texto. Mentiroso ao extremo, inclusive.
Exemplo: Chico não fez fortuna! Era conhecido pela sua generosidade!
Perfeito não o era. Afinal, era humano.
Chico foi, sim, um crítico sagaz e sútil do poder.
Este Luiz César mostra-se uma pessoa totalmente avessa à história de Chico Anísio.
Leiam sua biografia. Vale a pena!
Comentário de Marco Antônio Nogueira em 25 março 2012 às 23:16

Corrijo:

"HUMORISMO"

Comentário de Maria Danielle O. Silva em 26 março 2012 às 11:44

Não quero saber se é Chico, Tom, Zé...Ver um alcoolátra cambaleando dentro de casa não tem a menor graça!

Fica apenas a cicatriz dolorosa, dentro dela não ecuto o som das risadas só o eco dos soluços...

Comentário de Marco Antônio Nogueira em 29 março 2012 às 0:12

Abaixo, comentário do

ex-embaixador 

Arnaldo Carrilho.

         "Se  os maiores problemas do Brasil são a pobreza e a brutal disparidade entre dominadores - herdeiros dos ocupantes colonizadores - e dominados - descendentes dos ocupados escravizados ou marginalizados -, o maior obstáculo ao progresso social do País são as Organizações Globo. Se, um dia - ó quimera! -, o Poder Público (a sociedade) cortar a concessão do sinal da TV Globo, iniciaremos um processo normal de criação de pensamento autônomo e de mundividência crítica. Chico Anísio foi mero (e eficaz) instrumento da dominação exercida pelo grupo mediático, em nome de interesses nada brasileiros.Todos os estatutos que regem as concessões têm de ser revistos e criadas novas emissoras eoutras, verdadeiramente de caráter público, que ainda não temos."
 
Abraços do
Arnaldo Carrilho

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