"A primeira-dama, Nair de Teffé (1886-1981), executou ao violão "a mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba". "
Rui Barbosa, discurso na tribuna do Senado, 1914.

Crítica/"Chiquinha Gonzaga e Seu Tempo"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Bom panorama é pobre em informações
IRINEU FRANCO PERPETUO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

" No começo do século passado, o Senado também era agitado por escândalos -só que de ordem musical. Em 1914, Rui Barbosa (1849-1923) ocupou a tribuna da casa para atacar o presidente da República -Marechal Hermes da Fonseca (1855-1923)- porque, em uma recepção no Palácio do Catete, a primeira-dama, Nair de Teffé (1886-1981), havia executado ao violão "a mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba".
Referia-se ao corta-jaca. E não a um corta-jaca qualquer, mas àquele que havia sido editado com o título alternativo de "Gaúcho" e que constituía um dos números mais célebres da opereta burlesca de costumes "Zizinha Maxixe", que estreara em 1895, com texto de José Machado Pinheiro e Costa (1850-1920) e música da primeira maestrina do Brasil: Chiquinha Gonzaga (1847-1935).
Com a própria compositora -na época, com 65 anos- ao piano, o "Corta-Jaca" é um dos destaques da coletânea "Chiquinha Gonzaga e Seu Tempo", que inclui fonogramas registrados nas duas primeiras décadas do século 20, com os músicos que formavam o Grupo Chiquinha Gonzaga: Antônio Maria Passos (flauta), Nelson Alves (cavaquinho) e Tute (Arthur de Souza Nascimento, violão).
A maioria das 12 faixas já se fez presente em "O Passos no Choro", oitavo volume da coleção Memória Musical, lançada em 2002 (e hoje completamente ausente das lojas), que continha 15 CDs com fonogramas do monumental acervo do pesquisador Humberto Franceschi.
Para quem já tem a caixa, comprar o disco atual não compensa porque é paupérrimo em informações, credita errado a autoria da polca "O Figner Brincando" (que é de Passos, não de Chiquinha) e só traz uma novidade: a gravação pela Banda Escurinho da marcha-rancho "Ó Abre-Alas" (1899), escrita para o cordão Rosa de Ouro, que inaugurou o cancioneiro brasileiro de Carnaval.
Aos que não têm o lançamento anterior, contudo, o disco fornece um prazeroso panorama da produção de Chiquinha.
Ao piano, a maestrina comparece, de maneira sóbria, além de no "Corta-Jaca", em "Só Na Flauta". O verdadeiro astro do álbum é o flautista Passos, encarregado de conduzir as melodias das danças de salão de origem europeia -polcas e valsas- com "sotaque" carioca que estão na gênese daquilo que hoje reconhecemos como nossa música popular urbana. "

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CHIQUINHA GONZAGA E SEU TEMPO

Artista: Chiquinha Gonzaga
Gravadora: Biscoito Fino
Quanto: R$ 33,90 (em média)
Avaliação: bom
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Gaúcho (Corta-Jaca) de Chiquinha Gonzaga (Rio Antigo)



Clipe que encerrava cada capítulo da Minissérie Chiquinha Gonzaga, exibida em 1999, pela Rede Globo de Televisão. Em 2008, foi lançada em DVD, mas os clipes foram cortados.

Violino: Marcus Viana
Piano: Maria Teresa Madeira

Exibições: 39

Comentário de Helô em 27 agosto 2009 às 0:32
Gilberto
Rui Barbosa perdeu uma ótima chance de ficar calado, haha. E a oposição é assim até hoje, não é verdade? Chiquinha compôs cerca de 2000 músicas, sendo 77 exclusivamente para peças teatrais. Merece nosso carinho e nossa admiração.
E eu adorei meu presente! ;))
Beijos.

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