permanece o circo,
o zodíaco, o oráculo,
revestidas faces,
simulacro,lacre,
lascas de fases,
e marés e luas.

posta a posta, peixe,
crepúsculos e feixes,
de outros dias,
tua orelha fria,
firma o discurso:

não troquei a telha,
não cortei o pulso,
não voltei rasteira,
nem cresceu o buço,

rodei o moinho, roda passarinho,
circo,zodíaco,oráculo,
pois o "sapo" é cíclico,
o cansaço é místico,
o amor é físico...
como um grande arbusto!


Nina Araújo.

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Comentário de Ana Lucia Timotheo da Costa em 29 julho 2009 às 18:50
Muito bom. Discordo apenas de que o amor seja físico. Para mim 'também' o é, no rol de outros componentes. Bjo.
Comentário de Nina Araújo em 29 julho 2009 às 21:05
também concordo que ele seja espiritual...Aninha.
beijos daqui e obrigada pela leitura,
Comentário de Nina Araújo em 29 julho 2009 às 21:23
Lena, eu gosto que os versos virem espuma e depois vapor, mas que chovam também,rsrsrsrs.
Obrigada pela leitura, querida.
beijos de Nina,
Comentário de joao carlos pompeu em 30 julho 2009 às 18:17
Poeta Nina, tá se jogando de cabeça no mar de poesia das palavras... beleza!
A Lena fez um preciso comentário sobre poesia e o poder de condensação de significados/significantes poéticos da palavra.

Deste link: http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/05/06/uma-abordagem-hesitante-e-pessoal-ao-abecedario-de-pound/

"Durante a adolescência, apaixonei-me tão perdidamente pela literatura, que tinha certeza de que o único destino possível para mim era o de tornar-me escritor. Era capaz de ler livros diariamente por mais de 6 horas. Na época não confessaria isto nem sob tortura, mas minha dedicação era uma meticulosa preparação para o futuro. Queria abordar o maior número possível de obras e fazia-o de maneira sistemática, a fim de alargar pouco a pouco meus conhecimentos. Minha família preocupava-se discretamente com aquele filho maluco que só queria saber de livros, mas como eu era manso, minha situação não lhes assustava muito. Kafka dizia que, fora da literatura, pouca coisa o interessava; a mim também, naquele tempo. Depois, muita coisa mudou, mas fiquemos em Pound.

Nunca me interessei muito por poesia, dedico-lhe um tempo ínfimo se comparado àquele que dou a prosa. Fiquei feliz quando soube que Dostoiévski, Balzac, Bellow, Thomas Mann e outros eram assim também. Porém, no âmbito daquela minha preparação para o futuro, li um ensaísta-poeta que foi fundamental para meu entendimento de literatura. Ele havia caído em desgraça nos meios universitários dos anos 70. Vivíamos sob ditadura militar, todos os intelectuais respeitados eram de esquerda; mas, apesar disto tudo, eu precisava conhecer Ezra Pound, um dos escritores que deram apoio ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial.

Seu ABC da Literatura (Cultrix, 1973), traduzido por Augusto de Campos e José Paulo Paes, foi adquirido e lido por mim em agosto de 1976. É um pequeno livro, escrito quase em forma de panfleto, onde Pound prova, através de teoria simples e de muitos exemplos, que a poesia é tanto melhor quanto mais significados contiver. O ABC comprova que a melhor poesia é a mais saturada de significados e nos explica sobre a sabedoria da língua alemã, onde dichten (condensar) é o verbo alemão correspondente ao substantivo Dichtung, que significa “poesia”. “Grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível”, escreve Pound. Após curtas explicações teóricas, Pound nos demonstra suas teses com excertos. Estes tomam metade do livro e são a prova cabal de que sua teoria foi criada sobre fatos literários, não sobre fatos imaginados.

Ezra Pound (1885-1972)

Os prosadores também tiraram vantagem da condensação. Alguns, além de utilizarem uma linguagem limpa, quase livre de adjetivações - como Kafka e Borges, por exemplo - se utilizam de situações que falam. Isto é, os personagens são colocados em determinadas situações que auxiliam a narrativa ou a contradizem. Este é mais um elemento a condensar significados, pois acrescenta mais informação àquela que nos chega através dos meios tradicionais: texto e diálogos. Este seria o máximo de condensação em prosa, pois além da linguagem enxuta e multi-significante tomada da poesia, há todo um contexto apoiando a narrativa. Também o cinema, a partir da nouvelle vague, passou a “treinar” o público para este tipo de abordagem, na verdade tão antiga quanto Shakespeare.

Condensar não é tão fácil quanto parece. “A incompetência se revela no uso de palavras demasiadas”, diz Pound. Parece fácil eliminar as excrescências de nossos textos, mas como fazer para que os significados se multipliquem? Pound não nos deixa à deriva e também investiga os modos através dos quais as palavras podem ser carregadas de significado.

Porém, a teoria de Pound tem limites. Se alguém censurasse Dostoiévski, Bernhard ou Stendhal pela incrível profusão de repetições e detalhes que seus livros contêm, poderia ser chamado tranqüilamente de doido. Nestes casos, as minúcias criam o ambiente da ação ou servem para caracterizar o pensamento de alguns personagens. Dostoiévski escreveu no plano de Crime e Castigo: encher a narrativa de detalhes e repetições! O mesmo vale para o ultra-verboso e barroco Saramago. Nestes autores, o excesso trabalha a favor da trama. Que bom que seja assim! Se a boa literatura fosse apenas aquela que melhor adere a cânones pré-definidos, tornar-se-ia uma simples competição entre virtuoses e morreríamos de tédio. É excelente que os bons autores insistam em agir como aquelas cozinheiras talentosas e corajosas que mudam as receitas durante a preparação dos pratos. Agindo assim, acabam por cometer tanto erros lamentáveis como gloriosos acertos."
Milton Ribeiro, escritor e leitor gaúcho, no seu blog: http://miltonribeiro.opsblog.org/
Comentário de Nina Araújo em 30 julho 2009 às 21:53
Guará querido, o Mirante anda deserto, pois chove muito nesta cidade, né não?
beijos daqui,
Comentário de Nina Araújo em 30 julho 2009 às 21:55
Ô João Carlos, obrigada pelas palavras e também pelo texto muito elucidativo, vou guardá-lo como algo precioso, viu?
beijos poéticos,
Comentário de Sérgio Troncoso em 1 agosto 2009 às 14:01
O amor é a condensação do espiritualmente físico com a fisicalidade do espírito. Tá bom assim? Não explica nada,mas pode te levar ao tudo. Bela poesia Nina! Bjs.

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