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Como é gostoso ficar "De papo pro á"

Quem nos proporcionam essa deliciosa "De papo pro á" são os compositores Joubert de Carvalho e Olegário Mariano e o grande intérprete Gastão Formenti.


Joubert  de Carvalho (1900-1977) soube conciliar as vocações de médico e compositor. Das suas inúmeras composições, aproximadamente, 700 obras foram editadas. Foi parceiro de grandes nomes da MBP, a exemplo de Olegário Mariano, Catulo da Paixão Cearense, Mário Rossi, David Nasser, Luiz Gonzaga, Pascoal Carlos Magno, Sadi Fonseca.

O Poeta, Compositor e Revistógrafo Olegário Marino foi muito popular na primeira metade do século XX no Brasil. Da conhecida família pernambucana, transferiu-se para o Rio de Janeiro aos oito anos. Dedicou-se à literatura, tendo publicado seu primeiro livro - "Visões de moço" -, aos 15 anos. Foi membro da Academia de Ciências de Lisboa e eleito para a Academia Brasileira de Letras, entre outras nomeações.

Sua veia inspirada de compositor nos deixou inúmeras músicas solos e em parceria com Joubert de Carvalho, Pedro de Sá Pereira, Hekel Tavares, Jaime Ovalle, Gastão Lamounier, Marcello Tupynambá, entre outros.

 

Gastão Formenti (1894-1974) atuou como pintor, desenhista, vitralista e, também, cantor e intérprete, tornando-se cantor popular em 1916, gravando centenas de músicas, permanecendo no primeiro patamar da admiração e do respeito do público. Talvez seja o intérprete de mais técnica da época não deixando de escanteio a emoção da interpretação. Seu ofício de pintor foi exercido até sua morte.

 

De papo pro á” (Joubert de Carvalho/Olegário Mariano) # Gastão Formenti [Quem faz o contracanto com Formenti na gravação, sem crédito, é Castro Barbosa]. Disco Victor (33.469-A) / Matriz (65226). Gravação (28/08/1931) / Lançamento (outubro/1931).

 

Observações dos excelentes pesquisadores Jairo Severiano e Zuza Homen de Mello acerca da composição: “De papo pro á”.

Em 1931, os românticos Joubert de Carvalho e Olegário Mariano realizaram uma incursão na área sertaneja com o cateretê ‘De papo pro á’. A composição expõe com muita graça a ‘filosofia’ de um caipira esperto que leva a vida pescando e ‘tocando viola de papo pro á’.

Curiosamente, este cateretê vem pelos anos afora sendo cantado com um erro na letra. O fato foi descoberto nos anos cinquenta pelo pesquisador Paulo Tapajós, que estranhava os versos: ‘Se compro na feira feijão, rapadura / pra que trabalhar?’. Quem compra geralmente trabalha... Foi o próprio Olegário quem lhe esclareceu: o verso correto é ‘se ganho na feira feijão, rapadura’.

Acontece que, na primeira gravação, Gastão Formenti cantou ‘se compro’, cristalizando-se o erro a partir desse disco”.

 

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Fontes:

- A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1997.

- Dicionário Cravo Albin da MPB / Verbetes: Joubert de Carvalho (AQUI) / Olegário Mariano (AQUI) e Gastão Fornenti (AQUI).

- Fotomontagem: Laura Macedo.

- Foto capa Partitura: Instituto Piano Brasileiro (AQUI).

- Site YouTube / Canal: “luciano hortencio”.

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