Computador no lixo - poema de A.M. Pires Cabral


Eis um computador
no lixo. E todavia
o crânio de lata teve memória dentro
– gigabytes dela! –,
fez as quatro operações,
aceitou versos
no seu imaculado
vazio virtual.

Agora já não soma
nem subtrai,
nem geme poemas, nem sublinha
erros de ortografia.
Os pingos de solda, precários
neurónios de metal,
perderam a memória.

Já que te antecipaste,
companheiro,
diz-me como é não funcionar.

E se a ferrugem dói.

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Comentário de Marçal, T. em 22 novembro 2010 às 2:07
Outro poema do poeta português A.M. Pires Cabral

Dolo ou delírio

Dolo ou delírio:
escolhe um, vive com ele.

Sustenta-o, usando de
manha ou martírio.

Escolhas o que escolheres,
foi para casos como o teu
que a solidão se fez.

Ao primeiro desencanto,
bebe dela a tragos longos
como quem bebe um licor
doloso, doloroso, delirante.

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