A Casa Mathias, para vender artigos carnavalescos, publicou esse ‘reclame’ em 7 de fevereiro de 1931. A música ‘Com que roupa?’ havia se tornado mania no Rio de Janeiro.


OUTRAS MELODIAS


- “O disco ‘Com que roupa?’ vendeu quinze mil exemplares, o que é uma tiragem bem considerável e rara vezes atingida. Do outro lado do mesmo disco o público encontrou outra produção minha: ‘Malandro medroso’.

‘Malandro Medroso’ (samba) com Noel e bando regional. PARLOPHON (13.245B) – 30/setembro/1930.


Tive, ainda, algumas melodias que se difundiram bastante, tais como: ‘Mulata fuzarqueira’, ‘Cordiais saudações’, ‘Quem dá mais’, Para esquecer’, ‘Três apitos’, ‘Até amanhã’, ‘Dona Aracy’.


‘Mulata Fuzarqueira’ (samba) com Noel Rosa e Bando de Tangarás. PARLOPHON (13.327B) – julho/1931.



‘Cordiais Saudações’ (samba epistolar) com Noel Rosa e Bando de Tangarás. PARLOPHON (13.327A) – matriz 131.184-1 – julho/1931.



‘Quem dá mais?’ (Leilão do Brasil) (samba humorístico) com Noel Rosa e Orquestra Copacabana. ODEON (10.931A) – julho/1932.



‘Para Esquecer’ (samba-canção) com Francisco Alves e Turma da Vila. ODEON (11.017B) – março/1933.




‘Três Apitos’ (samba) com Aracy de Almeida e Radamés Gnattali e sua Orquestra de Cordas. CONTINENTAL (16.392) – março/1951.



‘Até Amanhã’ (samba) com João Petra de Barros e Gente Boa. ODEON (10.950B) – outubro/1932.




‘Dona Aracy’ (marcha) com Almirante e Bando de Tangarás PARLOPHON (13.271B) – janeiro/1931.



De parceria, reuni as seguintes composições: ‘Você, por exemplo’, com Francisco Alves, ‘Dona Emília’, com Galuco Vianna, ‘Gosto mas não é muito’ com Francisco Alves e Ismael Silva, ‘Vai haver barulho no Chateaux’ com Walfrido Silva, ‘Para me livrar do mal’ com Ismael Silva, ‘Fui louco’ com Alcebíades Barcelos (Bide), ‘Triste cuíca’ com Hervé Cordovil, ‘Não, faz amor’ com Angenor de Oliveira (Cartola)”.


‘Você por Exemplo’ (marcha), de Noel e Francisco Alves com Almirante e os Diabos do Céu. VICTOR (33.734ª) – novembro/1933.



‘Dona Emília’ (marcha), de Noel e Galuco Vianna com Almirante e Bando de Tangarás. PARLOPHON (13.290B) – janeiro/1931.



‘Gosto Mas Não é Muito’ (marcha), de Noel, Ismael Silva e Francisco Alves com Francisco Alves e Bambas do Estácio. PARLOPHON (13.375A) – dezembro/1931.
(OBS: O nome de Noel não consta do selo do disco. Almirante no livro “No Tempo de Noel Rosa” atribui tal co-autoria).



‘Vai Haver Barulho no Chateuax’ (samba), de Noel e Walfrido Silva com Mário Reis e Orquestra Oedon. ODEON (10.977A) – janeiro/1933.






‘Para Me Livrar do Mal’ (samba), de Noel e Ismael Silva com Francisco Alves e Gente Boa, ODEON (10.922B) – junho/1932.



‘Fui Louco’ (samba), de Noel e Alcebíades Barcelos (Bidê) com Mário reis e Grupo da Guarda Velha. VICTOR (33.645B) – dezembro/1932.
(Obs: no selo do disco da primeira gravação não consta o nome de Noel Rosa. Co-autoria atribuída por Almirante em “No tempo de Noel Rosa” e por José Maria Arantes em depoimento a João Máximo e Carlos Didier).



‘Triste Cuíca’ (samba), de Noel e Hervê Cordovil com Aracy de Almeida e Conjunto Regional de Benedito Lacerda. VICTOR (33.927A) – dezembro/1935.



‘Não Faz, Amor’ (samba), de Noel e Angenor de Oliveira (Cartola) com Francisco Alves e Orquestra Copacabana. ODEON (10.927A) – julho/1932.
(OBS: O nome de Noel Rosa não consta no disco original. A co-autoria por atribuída por Cartola em depoimento a João Máximo e Carlos Didier).




MEU SAMBA FAVORITO


– “É o samba ‘Pela décima vez’, que compus este ano. É a melodia que fala mais a minha alma, que me sugestiona mais poderosamente a imaginação, que acorda em mim o desejo de sonhar.

Fiz ‘Pela décima vez’ com verdadeiro carinho artístico, procurando fixar, malgrado a aparente leveza do tema, um verdadeiro drama do coração”.


‘Pela Décima Vez’ (samba), de Noel Rosa com Aracy de Almeida, Geraldo Medeiros, seu Conjunto e Bolinha (piano). ODEON (12.804) – abril/1947.



DO SAMBA RASGADO


- “Para falar francamente, sou do samba rasgado. Porque é destino que perfuma os meus instantes de poesia, que constitui uma verdadeira fonte de beleza”.

UM IRMÃO

 

 



- “É Hélio Rosa. A sua vocação não mais admite dúvidas. Especializou-se em violão. Faz verdadeiros prodígios com os dedos e conhece os efeitos mais sutis do instrumento.

Quem o ouça terá de experimentar uma sensação de legítimo encantamento. Porque ele sabe arrancar do violão os efeitos mais belos, as nuances mais ligeiras, as gradações mais perfeitas. Pretendo lançá-lo ainda este ano”.

(Obs: O irmão Hélio se mostraria um excelente violonista, mas acabaria preferindo a medicina).


FIM


Confissões de Noel Rosa (I), (II), (III).


************
Fonte: Sambistas e Chorões: aspectos e figuras da música popular brasileira, de Lúcio Rangel. São Paulo: Francisco Alves, 1962. (Contrastes e Confrontos, 6).

************



Faltando sete meses para a data exata do Centenário de nascimento de Noel Rosa (11 de dezembro de 2010), as homenagens, desde o início do ano, pipocam por todo o país.

Além dessa série, “Confissões de Noel Rosa”, pretendo publicar textos escritos por quem conviveu com ele e/ou pesquisou sua obra, como Almirante, Jota Efegê, Rubem Braga, José Ramos Tinhorão...


“Conversa de Botequim”, de Noel Rosa e Vadico # Mônica Salmaso acompanhada da Banda Mantiquiera.




É INQUESTIONÁVEL A IMPORTÂNCIA DA LÍRICA DE NOEL ROSA PARA A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, BEM COMO A PERENIDADE DE SUA OBRA.

 

 

 

Exibições: 1119

Comentário de Gregório Macedo em 9 maio 2010 às 4:49
Que venham todas as homenagens e mais algumas! Viva Noel, e parabéns, querida, por mais esse feito.
Beijos.
P.s: Fico pensando: o humor de Noel em 'Cordiais Saudações' seria objeto de reparos nestes tempos do politicamente correto... e hipocrisia à pampa.
Comentário de Gilberto Cruvinel em 9 maio 2010 às 23:11
Três Apitos com a Aracy de Almeida é uma pequena jóia, ainda mais com a Orquestra de Cordas
do Radamés.
Obrigado Laura, por todo este painel de canções maravilhosas.
Que o ano seja pródigo em homenagens e reedições.

Beijo Gilberto
Comentário de Laura Macedo em 10 maio 2010 às 1:46
Gregório, gracias pelo "tour" feito na série :))
Realmente o nosso poeta da Vila merece todas as homenagens.

O seu "fico pensando" foi motivo de análise por João Máximo, no texto da coleção "Folha Raízes da Música Popular Brasileira", vol. 1 - Noel Rosa.

No tópico "Onde está a unanimidade?" ele afirma que "a expressão 'politicamente correto' estava longe de ser inventada na década de 30, e Noel Rosa certamente não a mereceria hoje". Ele se reporta a música ‘Cordiais Saudações’, "...A vida cá em casa está horrível/Ando empenhado nas mãos de um judeu...”. Neste caso João Máximo acha que pouco importa que “Noel chamasse de ‘judeu’ quem quer que emprestasse dinheiro a juros, turcos, libanês, alemão, português e até judeu, os agiotas que afogavam os remediados da Zona Norte”

Recentemente Caetano Veloso provocou uma polêmica ao cantar “Feitiço da Vila” comentando cada verso em “que reconhecia em Noel o branco, arrogante, preconceituoso, da classe média de Vila Isabel, depreciando com versos racistas os negros sambistas do morro”.

Polêmicas sempre existirão em todas as áreas do conhecimento humano. Mas como mencionei na última frase deste post (detacada na cor azul) não existe polêmica que subtraia a importância de Noel Rosa para a Música Popular Brasileira.

Beijos infinitos.
Comentário de Laura Macedo em 10 maio 2010 às 1:49
Gilberto,
Eu que agradeço sua assídua participação na série.
Valeu mesmo, meu amigo.
Beijos.
Comentário de Gilberto Cruvinel em 14 maio 2010 às 22:48
Oi Laura,

Você conhece? tese "Noel Rosa: A Modernidade, A Crônica e a Indústria Cultural"
escrita por Marcos Antonio de Azevedo Monteiro
da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Esta Dissertação apresenta um estudo situando a obra do compositor Noel de Medeiros Rosa, no panorama da moderna música popular brasileira, considera também os aspectos de crônica que o trabalho contém; além de situar o seu lugar de paradigma lítero-musical na cultura brasileira no século XX.
O trabalho visa compreender a obra de Noel de Medeiros Rosa e suas variadas repercussões na indústria do disco, nas gerações musicais, nos diversos discursos da mídia e como paradigma da
modernidade. Além de destacar a questão da crônica em suas composições e o papel determinante do samba, envolvendo o autor e o processo da Indústria Cultural, promovendo um verdadeiro corte epistemológico na música popular brasileira.

http://www.riototal.com.br/coojornal/marcos_azevedo_tese_noelrosa.pdf

Achei muito interessante a análise que ele faz de cada uma das letras dos mais variados sucessos de Noel, procurando identificar os temas predominantes.
Comentário de Laura Macedo em 15 maio 2010 às 2:45
Gilberto,
Não conheço a tese citada por você. Mas já está na fila (leitura) dos meus favoritos. Haja tempo! Grata pelo envio do link.

E por falar em tese sobre a temática Noel Rosa, estou quase terminando de ler a do Wander Nunes Frota, que foi publicada em livro (2003) com o título "Auxílio Luxuoso: Samba Símbolo Nacional, Geração Noel Rosa e Indústria Cultural".

Primeiramente o que me atraiu nesse livro foi um capítulo que aborda o Teatro de Revista (temática que pesquiso com Helô, Cafu e Henrique), mas o livro como um todo é muito interessante. Detalhe: consta na orelha que o autor é professor aqui em Teresina (UFPI). Pensei em procurá-lo após a conclusão da leitura. Quem sabe ele ainda esteja lotado na UFPI? Não custa tentar, não é mesmo?

Fico pensando no tanto de material interessante (tipo teses e/ou outros) que estão, digamos, escondidos do grande público, nas bibliotecas de várias universidades, já que só a minoria das teses são publicadas em livros. Por isso mesmo acho fantástica a ferramenta internet, nesse sentido.
Repito: Haja tempo pra tanta pesquisa :))))

Beijos.
Comentário de Gilberto Cruvinel em 7 novembro 2010 às 16:00
Oi Laura, como vai? quanto tempo!

Voltei aqui à este cantinho especial que você criou para o nosso querido Noel, pois ainda estamos no ano do centenário e nos aproximando rapidamente do aniversário, 10 de dezembro.

Estou com uma dúvida sobre Noel e então vim falar com a pesquisadora Laura Macedo, uma expert. A música "Fita Amarela", Laura. Abaixo o vídeo com A Orquestra Imperial que homenageia Noel Rosa cantando "Fita Amarela" no Especial Som Brasil da Rede Globo.

No início da letra da música existe mesmo este verso?

Quero que o sol não invada meu caixão
para a minha pobre alma não morrer de insolação.

Quando eu morrer não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Se existe alma, se há outra encarnação
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão
Não quero flores, nem coroa de espinho
Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho
Estou contente consolado por saber
Que as morenas tão formosas a terra um dia vai comer
Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos mas não paguei nada a ninguém
Meus inimigos que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim

Comentário de Laura Macedo em 7 novembro 2010 às 20:53
Quanto tempo mesmo, Gilberto!

Estou correndo contra o tempo na preparação de um post sobre um dos amigos de Noel Rosa, o compositor e caricaturista Nássara, também centenário (11/11/2010).

Gilberto, em "Noel Pela Primeira Vez - Discografia Completa", editada pela FUNARTE (2000) não consta na música "Fita Amarela" os versos, inicial e final, cantados pela Orquestra Imperial (confira abaixo).
Não sei o autor desses versos adicionais. Caso descubra lhe aviso, ok?



Não me considero "expert". Tenho pouco tempo de pesquisa na área musical, mas um dia chego lá :)) Valeu a gentileza.
Beijos
Comentário de Gilberto Cruvinel em 8 novembro 2010 às 21:06
Oi Laura

Uma delícia essa versão que você colocou do Fita Amarela.
Sabe que esses versos "a mais" estão me intrigando. Se Noel os escreveu
deveriam ter sido cantados nesta versão, não é mesmo?
Sabe que cheguei a procurar o verso completo no google, mas resulta em
poucas respostas e todas fazendo menção a esse vídeo da Orquestra Imperial
que postei. Vou continuar procurando. Quem de nós encontrar primeiro avisa o outro, ok?

Beijos
Gilberto
Comentário de Luiz Carlos Almeida de Araujo em 27 novembro 2010 às 8:40
Segundo seus biógrafos e amigos, Noel tinha a mania de acrescentar versos (e até mesmo estrofes inteiras) às suas composições, chegando mesmo a colocar dois títulos em alguns de seus trabalhos. Eu, realmente, nunca soube dessa estrofe "extra", em nenhum livro a respeito dele ou sobre música popular. Como em Noel tudo é possível, quem sabe?...

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