O dia 24 de maio de 2011 deve ficar marcado na história do Brasil como o dia do crime em dois tempos; explico: é que ao mesmo tempo em que o Congresso Nacional votava o novo código florestal também foram assassinados numa emboscada dois líderes ambientalistas – José Carlos Ribeiro Batista e sua esposa, Maria do Espírito Santo. O fato se deu próximo ao município de Ipixuna – Pará. Parafraseando um título de um belo romance da literatura brasileira, podemos dizer que foi a morte e a morte de um personagem em dois tempos. O personagem a vida (ambiental e humana) em constante luta contra os absurdos provocados pela ganância do grande capital representado pelos grileiros, latifundiários, madeireiros e grandes empresas rurais.
Por ironia, quis o destino que no mesmo dia em que se votava o novo código florestal à favor dos grandes detentores do capital, que fossem mortos dois líderes da luta ambientalista. Trata-se de uma grande tristeza para os mais sensíveis, pois, para aqueles que ignoram a vida e um planeta saudável, nada disso tem valor. A prova concreta é que quando foi anunciada no congresso a morte dos ambientalistas pôde-se ouvir varias vaias, enquanto os deputados se preparavam para votar as mudanças no código florestal as quais beneficiam o desmatadores, diminui as áreas de proteção ambiental- APPs, além de outros malefícios.
O pior de tudo é a certeza da impunidade e a conivência das autoridades, as quais fazem vistas grossas para o problema. Desrespeita-se assim a vida em dois tempos: a vida do planeta e a vida humana como um todo. Tais absurdos acontecem onde a instituição Estado se mostra inoperante, ineficiente ou conivente com a situação de exploração e de humilhação em que se encontra a maioria dos trabalhadores. Não por acaso que em razão do grande número de assassinatos no campo e de pessoas marcadas para morrer que foi produzido um filme intitulado: Este homem vai morrer: um faroeste caboclo, dirigido pelo jornalista e cineasta Emiliano Gallo. O filme trata exatamente dos assassinatos no campo e da impunidade dos principais responsáveis pelas mortes no campo no estado do Pará. Isto não deve ser visto como um fenômeno natural ou um problema individual, mas sim histórico e cultural. Coisas desse tipo merecem a indignação da sociedade como um todo e não o silêncio. Quanto ao Estado, este precisa fazer valer o direito à vida, a proteção e a segurança.

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