Crise de oferta no mercado do etanol: conjuntural ou estrutural?

Por Edmar de Almeida e Thales Viegas, do Blog Infopetro


Após queda nos preços do etanol, com o início da safra, a questão que fica para o governo e para os consumidores é se a crise de oferta do etanol é uma questão conjuntural ou estrutural. Ou seja, este foi um problema pontual referente apenas à última entressafra ou algo que tende a se repetir nos próximos anos.

Para responder a esta pergunta é necessário uma análise mais cuidadosa dos fatores que estão detrás do problema. A razão básica do recente pico de preços foi o desequilíbrio entre oferta e demanda. Algumas causas deste desequilíbrio são conjunturais. Entretanto, nos parece que existem outras cujos efeitos podem durar por um período mais longo de tempo.

Depois da crise de 2008, a demanda potencial de etanol cresceu muito à frente da oferta de etanol. Em março de 2011, o setor automotivo alcançou a marca de 13,19 milhões de veículos flex-fuel licenciados desde 2003 e a participação destes veículos na frota total de veículos leves alcançou 43%. Somente em 2010 foram vendidos cerca de 3 milhões de veículos flex-fuel.

Por outro lado, a oferta de etanol foi tremendamente afetada pela crise econômica. Os projetos greenfield tiveram problemas de financiamento e os investimentos das empresas focaram a fusão e aquisição externa (F&A) em detrimento da expansão da capacidade produtiva da indústria. A participação das empresas estrangeiras no setor de etanol aumentou de 7% em 2007 para 22% em 2010.

O Gráfico 1 abaixo mostra claramente que houve uma desaceleração na taxa de crescimento da produção de cana de açúcar a partir da safra 2008/2009. Adicionalmente, a queda na rentabilidade da produção de etanol e as dificuldades financeiras entre 2008 e 2010 resultaram numa redução da taxa de renovação de áreas já plantadas. A consequência foi uma queda na produtividade agrícola. (...) continua no Blog Infopetro.

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Comentário de Jorge Cortás Sader Filho em 30 maio 2011 às 15:23

Muito interessante discussão, feita por quem entende. 

Aos consumidores, resta a famosa pergunta: qual o o motivo da gasolina proveniente de países vizinhos, que não produzem aquela derivada do petróleo, mas compram no Brasil, ser tão mais barato do que a vendida a nós, brasileiros?

Um fato estranho.  São os nossos impostos que oneram o produto?  Ninguém explica!

Forte abraço, Ronaldo Bicalho.

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