Estácio de Natal Em Possível Movimento Paredista

 

Por Ivenio Hermes

A Situação

Atualmente a Universidade Estácio de Sá é muito procurada para quem busca o acesso facilitado ao curso superior, contudo, isso não pode ser confundido com facilidades para a aquisição de um diploma, pois para manter a qualidade de ensino, a instituição possui severos critérios de aprovação e estudo direcionado para manter o estudante em constante atenção ao seu desempenho acadêmico.

Esse pelo menos é o pensamento de muitos alunos que estudaram na Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro, com seu mais de 10 campi espalhados naquele Estado.

O que ocorre em alguns estados é que o crescimento da Instituição de Ensino não tem garantido um controle de qualidade nas suas novas filiais e quem teve a oportunidade de estudar num dos campi do Rio de Janeiro e busca a mesma coisa nos outros estados pode se decepcionar.

Esse é um problema atual enfrentado pela Faculdade Estácio de Natal, a conhecida Câmara Cascudo, cujas dimensões vêm adquirindo proporções quase sem controle.

A Migração

Desde algum tempo problemas básicos como a migração da plataforma de interação online dos alunos vem sendo a grande vilã a quem é atribuído diversos problemas.

Alunos transferidos da Universidade Estácio do Rio de Janeiro e devidamente matriculados e cursando a mesma graduação em Natal, sofrem com a geração de boletos pelas duas instituições (ou seria uma gerando dois boletos), e não importa quais documentos sejam enviados como comprovante para matriz, a cobrança dupla continua acontecendo.

Outros problemas gerados pela plataforma de serviços online oferecidos:

  1. Dificuldade de acessibilidade ao conteúdo das disciplinas devido a um sistema de navegação complicado, o que acarreta custos adicionais para os alunos que precisam fazer cópias de material daqueles que conseguiram acessar;
  2. O pacote de estudos chamado Aula+, de vez em quando trava e já houve casos de alunos terem pagado pelo serviço, pois ele está fora dos serviços gratuitos que vem junto com a mensalidade, e inexplicavelmente foi retirado o acesso dos alunos, não havendo solução para o caso, nem pela Estácio local e nem pela “suposta” matriz no Rio de Janeiro;
  3. Apesar de haver regulamentos para aplicação de montagem de uma avaliação que estão no portal da Estácio, os professores têm problemas com a ferramenta e não possuem assistência para melhor se adaptarem ao método;
  4. Além disso, há problemas de acesso ao banco de dados para construção da segunda prova semestral, a AV2 (imposta por um sistema nacional de avaliações fundamentado em um banco de questões claramente defasado), causando problemas em aplicar a segunda prova do semestre;
  5. Há ainda a presença de professores que transportam seus problemas individuais para o ambiente acadêmico, e sem critérios de ação imediata contra suas ações, aproveitam essa situação para dificultar o progresso dos alunos e, outros, sabendo das condições de saúde apresentadas por alguns, reprovam seus alunos fazendo-os retornar para mais um semestre cursando a mesma disciplina por simples capricho.

A sorte reside no fato de que a grande maioria dos professores está atenta aos problemas próprios e de seus alunos, buscando soluções individuais que amenizam o ambiente áspero que essas situações causam.

A Estrutura

Os gestores da entidade principal e a de Natal parecem não se entenderem, e questões técnicas e de logística que seriam resolvidas com um simples estudo prévio, abarrotam as pautas de reclamações oriundas de discentes e de docentes.

Em meio a essa situação, grandes nomes passam pela instituição em Natal e não conseguem levar a cabo bons planos de fundamentação acadêmica, como o projeto de oficina semanal de leitura do Professor Djamiro Acipreste, endossado pelo então coordenador do Curso de Direito Professor Evandro Minchoni, que se perderam quando ambos foram reposicionados na estrutura da faculdade.

O belo prédio que abriga os alunos na Rua Alexandrino de Alencar, no bairro do Alecrim, há pouco tempo também encerrava entre suas paredes um projeto de extensão que priorizava os moradores do bairro num plano de ramificações dignas de um local de busca e modificação de conhecimento.

Somado a esses insucessos que muitos alunos nem percebem, a atual Diretora Patrícia Vasconcelos vive em peregrinação pelos corredores da Faculdade Câmara Cascudo buscando prevenir que outros problemas venham a surgir, contudo, tendo que lidar com problemas herdados como o estacionamento cuja promessa de reforma e iluminação se arrasta desde de 2011 e a renovação dos alunos do FIES (problema citado em outro artigo) que ainda não possui solução definitiva.

E o problema parece ter chegado a um ponto abismal.

A Crise

Há algum tempo diversos professores têm manifestado descontentamento com a Universidade Estácio de Sá pelo desrespeito aos seus direitos na Faculdade Câmara Cascudo.

Os rumores de desmandos têm se comprovado pela situação prática atual e são generalizados, prejudicando sobremaneira o desempenho docente dentro de sala de aula e refletindo no resultado final da formação dos discentes.

Além das situações menos pontuais já elencadas anteriormente, outros mais direcionados e visíveis estão sendo comentados nas salas de aula, corredores, áreas de convívio e outros ambientes, e que embora alusivas aos professores, elas impactam diretamente nos alunos:

  1. Não pagamento, de maneira repetida, do salário de alguns professores do curso;
  2. Ausência de respeito às garantias legais das professoras em estado de gestação;
  3. Péssimo gerenciamento do sistema de ponto imposto aos professores;
  4. Redução do valor da hora aula dos professores da FCC para equiparação com os salários das adquiridas FAL e FATERN;
  5. Não implantação de uma política de progressão salarial séria;
  6. Extinção, ainda no semestre em curso, das ditas turmas “nanicas”, prejudicando os alunos matriculados nessas turmas e os professores que ministram aulas nesse tipo de turma;
  7. Péssimo gerenciamento do estacionamento dos professores da FCC;
  8. Ausência de material para aulas multimídia, como projetores e computadores;
  9. Falta constante de material básico para aulas, como apagadores e pincéis.

Situações simples geram paradoxo com outras complexas. A insatisfação de alunos e de professores promovendo situações previsíveis e evitáveis, novamente causando uma verdadeira insatisfação no local de aprendizado, modificando o aperfeiçoamento do conhecimento.

A Parede

Não adianta deixar para resolver depois problemas acadêmicos de natureza urgente. Essa postergação em solucionar quesitos aparentemente tranquilos no início está sendo determinante para o que talvez seja um movimento paredista na Faculdade Câmara Cascudo.

A paralização (que ninguém deseja) está sendo desencadeada pelos motivos apresentados nesse texto, e dará por tempo ainda a ser determinado em uma assembleia a ser realizada pelos professores do curso de Direito e não tem como objetivo prejudicar os alunos da instituição, mas sim preservar direitos dos seus professores, o que indiretamente diz respeito também aos seus alunos.

Esses professores querem evitar a continuação de problemas e combater as irregularidades legais que vem ocorrendo, por isso estão deliberando sobre a possibilidade de parar o curso de Direito da FCC (atual Estácio Natal), conclamado o apoio de seus alunos para que medidas antidemocráticas não permaneçam prevalecendo no ambiente acadêmico da Estácio Natal.

Publicado Originalmente em 05 de março de 2013 nas páginas www.iveniohermes.ccom e www.cartapotiguar.com.br

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