"Primeiro eram os sambas e marchinhas que faziam a trilha sonora do carnaval. Com os sambas, se rebolava, e com as marchinhas, se pulava, quase sem sair do lugar, com um braço no ombro do seu par, que o enlaçava pela cintura. Ninguém dançava no carnaval, todo mundo pulava, mesmo os que sambavam.
Até os anos 60, quando começou o domínio absoluto das escolas de samba, eram as marchinhas que incendiavam as ruas e os salões no carnaval carioca. A ditadura também não era um ambiente muito propício às sátiras políticas e aos duplo sentidos e sacanagens das marchinhas, mas muito favorável aos enredos ufanistas das escolas de samba. É parte da tradição e do estilo.
A partir dos anos 70 começa a hegemonia total do samba-enredo, primeiro impulsionada pelos grandes mestres, e depois se diluindo em sambas-condomínio de inúmeros autores, escolhidos por critérios duvidosos, e tocados em andamentos cada vez mais rápidos, que estão aproximando os sambas... da marcha batida.
Durante décadas, o carnaval carioca foi se resumindo e se confinando ao sambódromo e à televisão, quase desapareceu das ruas do Rio. Mas nos últimos anos, com a explosão dos blocos populares, está voltando a tomar conta de toda a cidade. Só faltava a volta das marchinhas.
Então não falta mais nada: a quarta edição do concurso de marchinhas da Fundição Progresso foi um sucesso, as músicas de Edu Krieger e Eduardo Dusek não ficam nada a dever a mestres como Braguinha e João Roberto Kelly, os blocos estão fazendo seus próprios sambas e marchinhas, a cidade está voltando a pular carnaval. O musical 'Sassaricando', que conta a história das marchinhas, é um dos maiores sucessos teatrais dos últimos anos.
E, por incrível que pareça, a marchinha é tão, tão... rock and roll. Calma, digo no espírito, na irreverência, no duplo-sentido, no humor, nos poucos acordes: tudo é dito em dois blocos de quatro versos cada um. É o que aproxima o formato de uma 'Mulata bossa nova' de um 'Blue Suede Shoes'. E de muitos outros rocks e marchinhas. É ou não é parecido? Mas ninguém vai brigar por isso, afinal, é só carnaval".
Fonte: Site Sintonia Fina com Nelson Motta.
"Bendita Baderna", marchinha vencedora do 4º Concurso de Marchinhas Carnavalescas da Fundição Progresso/2009. Autoria: Edu Krieger.
"A Mãe do Paulo" de Jorge Poeta, ficou com o 2º lugar.
A Marchinha "Todo Mundo Nú" de Eduardo Dusek, ficou em 3º lugar.
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