CULTURA NA REDE, SESCSP

A internet permitiu que bilhões de pessoas conectadas compartilhassem conhecimento e informação em escala ímpar. Essa colaboração revolucionou as formas de produção, distribuição e consumo de bens culturais. A chamada Crowd Economy, ou economia da multidão, inovou as formas de produção. 

Os exemplos vão desde as diversas distribuições dos sistemas operacionais para computadores GNU/Linux e a enciclopédia on-line Wikipédia, feitos por milhares de colaboradores de diversas partes do mundo, até os sites de financiamento coletivo, em que projetos são viabilizados por um conjunto de pessoas interessadas na ideia. Já a distribuição cultural foi facilitada pelas licenças flexíveis do Creative Commons, que permitem que o autor licencie o acesso à obra para fins não-comerciais, por exemplo, e pelos streaming e download remunerados para o artista. 

Um dos principais impulsos para a expansão dos sites de financiamento coletivo, ou crowdfunding, no mundo foi o sucesso do Kickstarter, site norte-americano, criado em 2009. No Brasil, o Ativaai, Queremos e Showzasso, voltados para shows, o Minimecenas e o Incentivador, focados em projetos culturais, e o Catarse, em iniciativas culturais, sociais e tecnológicas, são os mais conhecidos. 

O funcionamento é simples. Depois do projeto cadastrado e aceito, o site cria uma página com a descrição da ideia, o valor que se pretende arrecadar e em quanto tempo. Há cotas de financiamento variáveis e recompensas para cada uma delas, como menção nos créditos, no caso de um filme, e cópia autografada, se for um livro. Caso o projeto não receba a quantia no tempo estipulado, os financiadores recebem o dinheiro de volta ou podem usá-lo como crédito para incentivar outro projeto. Nos sites exclusivos de shows, a dinâmica é um pouco diferente. Se o espetáculo for confirmado e a venda de ingressos chegar a um número determinado pelo projeto, quem contribuiu é reembolsado e pode assistir ao show de graça.

Novo modelo
Esses sites funcionam como nova possibilidade de captação de verba em relação aos tradicionais, como bancos, leis de incentivo culturais, empresas e dinheiro próprio. “Você sai dos guetos tradicionais de produção, que já são controlados por alguns grupos, para propostas como o crowdfunding em que o fã ganha, pois traz quem ele quer assistir, muitas vezes por um preço bem melhor, e o artista também ganha porque o dinheiro vai direto para ele”, afirma a mestre em comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e pesquisadora de música digital Patricia Rocha Junqueira. 

De acordo com o diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Creative Commons no Brasil, Ronaldo Lemos, os sites de financiamento coletivo levam a lógica de cooperação da internet para o campo econômico. “As pessoas participam não apenas porque esperam um benefício, mas também para participar de uma comunidade e com isso fortalecer interesses específicos”, diz. “O crowdfunding é um bom exemplo do potencial de reorganização trazido pela internet, que conjuga incentivos não apenas financeiros mas também sociais.”

Criado em 2011 pelo estudante da FGV Diego Reeberg, em parceria com o então colega de faculdade, o administrador de empresas Luis Otávio Ribeiro, entre outros sócios, o Catarse já viabilizou mais de 170 ideias. Apesar de projetos de mais de 100 mil reais terem sido financiados pelo site, a maioria deles varia entre 10 mil e 20 mil reais. 

“O Catarse é uma grande oportunidade para esta gama de projetos, já que as opções de financiamento nesta faixa são muito difíceis e reduzidas”, afirma Reeberg. Segundo ele, três pilares são fundamentais para que um projeto seja financiado: a paixão dos realizadores, o planejamento, que engloba o vídeo e a descrição, mas, principalmente, a comunicação do projeto quando ele tiver no ar e a rede de contatos da pessoa. “Um projeto, por mais que seja bem planejado e que a pessoa esteja empolgada, não vai para a frente se não houver uma mínima rede de contatos construída”. 

Recém-formados em cinema pela PUC do Rio Grande do Sul, os amigos e parceiros profissionais Abel Roland, Emiliano Cunha, Iuli Gerbase e Lucas Cassales captaram recursos pelo Catarse para o projeto Ajuntamento Criativo, composto pelos curtas O Lobo, Abismo e Só Isso. A ideia era fazer filmes de baixíssimo orçamento e arrecadar verba suficiente para cobrir apenas os custos de produção, distribuição, de equipamentos de captação e materiais de arte. 

“Esse tipo de financiamento é o caminho natural de uma juventude que foi criada na internet, com esse boom de informação que a tecnologia permite”, diz Cassales. “Essa aproximação torna possível que pessoas com os mesmos interesses, de qualquer parte do mundo, possam se organizar, e, claro, isso serve também para a arte.” O grupo já havia participado de editais com outros projetos, mas, dessa vez, resolveram apostar no crowdfunding pela urgência na realização dos filmes. 

“Como tudo que envolve quantidades consideráveis de dinheiro, as leis de incentivo e os editais têm uma burocratização óbvia. Alguns editais já começaram a aceitar documentação on-line, o que é um passo interessante”, comenta Cassales. “Mas parece não haver ainda uma abertura por parte de quem escolhe os projetos, nos órgãos encarregados pela cultura, para vários jovens que estão fazendo cinema há alguns anos. Vejo muita gente indo fazer seus filmes por conta própria, mas não são todos que se enquadram neste modelo de produção de baixo orçamento.”

Segundo o professor de Tecnologia da Inteligência e Design Digital da PUC de São Paulo e curador do Vivo arte.mov –  Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis, Marcus Bastos, o crowdfunding não é mais uma ferramenta exclusiva dos realizadores que não têm acesso ao circuito. “Ele está sendo usado por pessoas que já estavam no circuito e vislumbram uma alternativa para financiar trabalhos”, afirma. 

Como é o caso do cineasta Daniel Lisboa, que tenta financiamento para seu novo curta-metragem Tesourada; a peça As Três Velhas, dirigida pela consagrada atriz Maria Alice Vergueiro, viabilizada pelo Catarse; e a re-encenação do espetáculo A Menina e o Vento, em comemoração aos 60 anos do Tablado, grupo teatral criado pela dramaturga Maria Clara Machado, em fase de captação. 

De acordo com Reeberg, essa prática deve se popularizar no Brasil à medida que o número de pessoas que fazem pagamentos pela internet aumente. “Os produtores culturais e os artistas estão passando a conhecer o modelo. Não teve um boom no Brasil, mas o crescimento tem sido muito orgânico. Acredito que a tendência, assim como aconteceu nos Estados Unidos, é que o mercado aumente”.

Compartilhar é preciso
Apesar da importância das novas formas de financiamento culturais, a verdadeira revolução que a internet propiciou está na produção e distribuição de áudio, vídeo e texto. Segundo Patricia, a rede permitiu que os artistas entrassem em contato uns com os outros, facilitando trocas de informações técnicas a respeito de softwares musicais, o compartilhamento de músicas e a abertura de espaços de mercado. 

“Neste contexto, os fóruns, redes P2P [arquitetura de sistema caracterizada pela descentralização das funções da rede, onde cada usuário pode tanto fornecer quanto receber conteúdo] e as redes sociais de música, como o MySpace e o SoundCloud, por exemplo, foram fundamentais para a autonomia criativa e produtiva dos músicos”, afirma. 

De acordo com Bastos, a distribuição de vídeo e áudio por meio do streaming – tecnologia em que o arquivo é reproduzido, mas não armazenado pelo usuário, similar à lógica de transmissão do rádio – ou da web 2.0 – reconfiguraram radicalmente modelos até então baseados em circuitos de difusão de festivais e shows. 

“A internet gerou novos circuitos”, diz. “Foi uma democratização, uma possibilidade de as pessoas fazerem os trabalhos circularem de forma muito mais diversificada e internacionalizada, permitindo, por exemplo, que artistas independentes atingissem um público que eles tradicionalmente não conseguiriam.” 

O compartilhamento de arquivos on-line teve impacto direto na indústria fonográfica e cinematográfica. O Napster, programa de compartilhamento de arquivos em rede P2P, foi um dos casos emblemáticos do embate entre os novos modelos de circulação de música, via downloads de MP3 gratuitos, e a tradicional venda de CDs. O serviço foi fechado após gravadoras e bandas processarem os criadores por promover pirataria e possibilitar a troca de arquivos de áudio protegidos por direito autoral. 

“Dizer que a troca de arquivos funciona como pirataria é uma forma de a indústria fonográfica tradicional desmotivar este modelo de prática cultural próprio da internet, que desfavorece o modelo que ela tinha, muito fechado em seus gargalos”, afirma Patrícia. Atualmente, o download e streaming gratuitos de músicas licenciadas pelo Creative Commons ou pagos são os novos paradigmas de compartilhamento que não infringem os direitos autorais. 

Apesar da iTunes Store, maior loja on-line de áudio e vídeo do mundo, usar o download para a venda de produtos, há um interesse das gravadoras e uma tendência no mundo digital que favorecem o streaming. Esta forma de distribuição de informação faz parte do conceito cloud computing em que o acesso a dados, arquivos e programas é feito via internet, de qualquer computador, sem a necessidade da instalação de programas ou armazenamento de informações. 

“Existe uma tendência a reduzir o tamanho da máquina, das memórias e um interesse comercial de transferir para cloud, porque desta forma as empresas têm mais controle do tráfego de conteúdo e fica a critério delas como e quando o consumidor vai acessá-lo. Isso muda a prática do usuário de consumir na rede, porque ele é obrigado a assinar algum serviço”, afirma Patrícia. 

“Ao mesmo tempo, existe uma adesão social muito grande e uma necessidade por parte do consumidor pela posse material do arquivo, mesmo que ele seja digital, além da autonomia de consumo da qual o usuário não vai querer abrir mão. Então, o futuro depende da aceitação e prática social com relação às tecnologias que estão sendo lançadas e das leis que forem aprovadas.” 

O produtor da banda Móveis Coloniais de Acaju e pesquisador das relações entre música e internet, Fabrício Ofuji, aposta que os diferentes formatos de distribuição de música devem coexistir no futuro próximo. “Há quem prefira pagar pela música, existe a facilidade do acesso no smartphone e a pessoa pode obter a música vinculada a outro produto, como comprar um aplicativo e ganhar a música”, comenta. 

“Oferecemos o álbum C_mpl_te em cinco formatos, em CD especial em caixa de papelão, na caixa normal acrílica, em um envelope mais barato, gratuito para download e streaming na internet e temos procura por todos eles. É uma questão de diferentes públicos.” Esse disco faz parte do projeto Álbum Virtual, uma iniciativa da gravadora Trama, em que o público pode ouvir e baixar o álbum de maneira legal e gratuita e o artista é remunerado por patrocinadores. 

O C_mpl_te é um dos projetos com mais downloads no site da gravadora, com mais de 1 milhão de músicas baixadas. “É interessante porque conseguimos o apoio financeiro das marcas, mas sem a interferência delas, o que nos dá independência artística”, diz Ofuji. 

O professor Marcus Bastos acredita que a internet nunca vai se padronizar e que os formatos híbridos sempre existirão. “Por outro lado, as tentativas mais recentes de ?regulamentação, como SOPA e PIPA [Stop Online Piracy Act e Protect Intellectual Property Act], vieram com uma contundência muito maior em relação às ofensivas do Napster, por exemplo, de maneira a segurar a tendência da rede a certa anarquia de formatos e distribuição”, esclarece. 

“De qualquer forma, a internet é o espaço da heterogeneidade e dá a impressão de que as próprias empresas de tecnologia vão resolvendo de alguma maneira os problemas, muitas vezes se antecipando às legislações.” De acordo com ele, quando todas as gravadoras pensavam formas de distribuir música online, a Apple fez o Itunes e a Apple Store e resolveu o impasse. “Um monte de gente continuou fazendo download de MP3, mas muitas outras pessoas passaram a consumir por meio da loja, pois era barato e fácil. Deve acontecer algo similar com filmes”, diz. 

Autonomia tecnológica

Conheça algumas iniciativas do programa de Cultura Digital do Sesc

O Sesc oferece diversas atividades que abordam o caráter sociopolítico da tecnologia, arte digital e eletrônica. Nos projetos Hacklab Pompeia e Hacklab Leste, realizados nas unidades Pompeia e Belenzinho, a ideia é estimular criações coletivas, experimentações e reflexões sobre arte e tecnologia. 

Há oficinas de desenvolvimento de circuitos eletrônicos com o microcontrolador Arduíno e de criação de objetos de iluminação e peças decorativas a partir de materiais reciclados, utilizando, por exemplo, LEDs e baterias. “Trabalhamos o hacking, o hackear, no sentido do desvio da função da tecnologia, da adaptação da tecnologia a diferentes fins, o objetivo é estimular o senso crítico do indivíduo em relação ao uso de equipamentos digitais e eletrônicos”, afirma a assistente da Gerência de Ação Cultural para a área de Cultura Digital, Melina Marson. 

Também no Belenzinho, o bate-papo Da Música Eletroacústica ao Concerto com Laptop, em 19 de maio, abordará os festivais que misturam música, arte e tecnologia e as galerias que expõem arte sonora para discutir como a estética eletroacústica se relaciona com o digital e a internet na criação e fruição culturais.

Até junho, no Ipiranga, acontece o Ruas e Redes, em que é explorada a relação dos gadgets com os espaços públicos. Uma das atividades é o jogo Campo Minado, do artista Cláudio Bueno, em que o participante tem que percorrer um trajeto estipulado na cidade desviando das minas com o auxílio de um GPS. 

Já na unidade Pinheiros, em abril e maio, o Empreendedorismo Digital tem como foco o uso da internet para a capacitação de pessoas e geração de renda, com atividades de construção e monetização de blogs e desenvolvimento de startups virtuais. “A ideia que norteia a programação é trabalhar com uma perspectiva crítica sobre o uso ou consumo das tecnologias que estão disponíveis no cotidiano”, diz Melina.

Já no canal de vídeos do Portal Sesc SP, estão disponíveis, sob licença Creative Commons, mais de 4.500 vídeos. Reunidos no endereço youtube.com/portalsescsp, o material conta com mais de 4 milhões de visualizações.



Saiba mais em:
www.ativaai.com.br
www.catarse.me
www.creativecommons.org.br
www.incentivador.com.br
www.minimecenas.com.br
www.queremos.com.br
www.showzasso.com

As “novas tecnologias” e as nossas tecnologias

por Cássio Quitério

Entender o termo “tecnologia” como ele é vendido é quase automático. Tem a ver com usar resultados de métodos científicos para facilitar a vida prática. Quem assim o compra espera nada mais que a pura reprodução eficaz, sempre garantindo o que foi planejado, sem desvios, sem erros, sem surpresas. 

Já na reflexão sobre cultura, as certezas são relativizadas e o mesmo termo é sucessivamente ressignificado. A própria proposta de associar a ciência (movida a controvérsias e rupturas de paradigmas) às circunstâncias do dia-a-dia condena a tecnologia à imperfeição, à errância, à humanidade.

Daí, a proposta de pensar práticas em tecnologias em um universo menos definido e mais experimental, à qual se dispõem há séculos filósofos, artistas, hackers e outros interessados. Um desafio, neste contexto, é buscar coerência para ações classificadas como Cultura Digital nas unidades do Sesc, perpassando a obrigatoriedade pretensiosa de teorizar sobre a nossa relação com as máquinas.

Na última década, acompanhei práticas pontuais ou cotidianas de muitos que frequentaram os espaços do Programa Internet Livre do Sesc. Vivenciei mobilizações de grupos para diferentes causas. Participei de encontros de pesquisadores e artistas que declaram focar seus processos criativos em experimentações tecnológicas. Pude identificar a movimentação recente de instituições culturais e educativas públicas e privadas relativas à incorporação e gestão das tecnologias de informação e comunicação em suas programações, currículos ou no atendimento ao público.

Também, as práticas de conhecidos, parentes e colegas demonstraram que, para além do discurso homogêneo do marketing das inovações, são infinitas as questões, maneiras e abordagens práticas e reflexivas envolvendo a tal tecnologia. 

Conheci um engenheiro de softwares que se recusa a fazer compras pela internet, um psicólogo que faz questão de transformar seus teclados avariados em brinquedos infantis, um ativista indígena que prega a filosofia do código aberto à população ribeirinha do Amazonas, uma cantora a gravar um single com seu músico preferido após dois anos de campanha em um site de financiamento colaborativo, e um senhor de 70 anos premiado ao transformar seus diários de poemas à mão em um blog.

Vi um grupo de amigos se tornar produtora de vídeo após o download de um programa de edição não linear; um núcleo de pesquisa relacionar imagens de softwares específicos com visões dos xamãs yanomami, um coletivo de técnicos manter um galpão de reciclagem de lixo eletrônico em um shopping de São Paulo, e pessoas que se declaram artistas por exporem relógios que não marcam as horas, calculadoras que erram as contas, rádios que não sintonizam, TVs usadas como telefones...

Ao mesmo tempo, institucionalizamos debates amplos sobre linguagem eletrônica e artemídia, apropriação tecnológica versus “inclusão digital”, lan houses, compartilhamento e autoria, educação e games eletrônicos, urbanização e mídias locativas...

São exemplos recortados arbitrariamente da complexidade cultural atual (por pessoas, coletivos e instituições) que podemos ou não reunir em um campo fértil para o trabalho educativo. Reuni-los é praticar uma escolha por um olhar específico sobre um aspecto importante da cultura contemporânea. Não fazê-lo é correr o risco de ignorar e desconsiderar a relevância de um possível debate social, cultural e político sobre as nossas tecnologias, aquilo que produzimos para nós mesmos.

Opor-se a essa escolha não é negá-la ou questioná-la, mas seguir reproduzindo padrões de comportamento e consumo baseados no deslumbre constante sobre o que se passou a chamar de “novas tecnologias”. Generalizá-las como “novas” e relacionar a tecnologia (e a internet) ao futuro “virtualiza” e esvazia a discussão política como se ela supostamente não estivesse acontecendo, sugerindo que ela ainda está por vir: enquanto isso, em nossos instantes de deslumbramento, as regras do jogo são definidas para nós... Em instâncias alheias.


Cássio Quitério, formado em ciências sociais, com especialização em divulgação científica, é assistente técnico para a área de Cultura Digital da Gerência de Ação Cultural do Sesc

Exibições: 51

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço