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Bioenergia

Custo da biomassa deverá cair a 2/3 em 20 anos

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV



As oscilações nos preços dos combustíveis fósseis e os incentivos financeiros gerados pelo mercado de carbono estão tornando algumas formas de geração de energia, a partir da biomassa, como o bagaço da cana de açúcar e o gás de aterros sanitários, opções atraentes de investimento. O custo do aproveitamento energético da biomassa deverá ser reduzido em até dois terços dentro de duas décadas.

O dado é de estudo do professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, José Goldemberg, intitulado Biomassa e Energia. No documento, Goldemberg analisa as oportunidades e possibilidades de se ampliar a geração energética por meio da biomassa, o que atualmente, no Brasil, tem mais espaço para a cogeração por meio do bagaço de cana.

A ampliação da geração de energia, a partir da biomassa no Brasil, pode reduzir a pressão sobre os combustíveis fósseis e reduzir os custos com a mitigação das emissões de carbono. Em países onde a expansão dos biocombustíveis pode afetar a produção de alimentos, a modalidade também contribuiria para reduzir essa dicotomia. Mas o aumento da participação da biomassa na matriz energética necessita de pesquisas para superar alguns obstáculos tecnológicos e melhorar sua eficiência.

Pesquisa e Tecnologia

A evolução da geração desta modalidade envolve avanços nas ciências biológicas e químicas, inclusive o desenvolvimento de plantios designados para produção de energia e a simulação artificial de processos biológicos naturais, tais como a fotossíntese, de acordo com o estudo. Embora muitas descobertas nesse sentido tenham sido realizadas e diversos países estejam se esforçando nas pesquisas com esses produtos orgânicos, alguns avanços tecnológicos poderiam ter impacto significativo no futuro do uso da energia por meio da biomassa.

De acordo com o documento, assim como outras opções para o uso de recursos renováveis, a magnitude da contribuição da biomassa dependerá de quanto progresso poderá ser alcançado em áreas-chave como: redução de custos; mitigação de impactos ambientais, uso da água, uso de pesticidas ou fertilizantes, perdas na biodiversidade; e minimização da pressão em recursos escassos do solo em termos de requisitos competitivos para produção de alimentos e fibras e preservação do habitat.

No artigo, são salientados os principais objetivos e obstáculos em relação à biomassa, e atual estágio de pesquisa ou produção. Os propósitos são:

- Desenvolver a produtividade, baixo custo, safras energéticas sustentáveis.
- Produzir produtos modificados para facilitar a quebra da lignocelulose em açúcares simples.
- Desenvolver métodos de pré-tratamento de matéria prima de alta eficiência.
- Disponibilizar enzimas mais eficientes para despolimerização.
- Desenvolver comunidades microbióticas para degradação de lignocelulose
- Melhorar a produção de etanol
- Desenvolver microorganismos para produzir melhores combustíveis para uso em transportes.

Uso atual

A biomassa inclui uma infinidade de subprodutos orgânicos, que podem ser aplicados na geração de energia de diferentes formas. Elas incluem gaseificação, métodos de produção de calor e eletricidade, por meio da cogeração; recuperação de energia de resíduos sólidos urbanos e gás de aterros sanitários, além dos biocombustíveis para o setor de transportes; o etanol e biodiesel.
Pesquisas com demais materiais celulósicos, como arroz e palha de trigo, sabugo de milho e outras safras e resíduos florestais podem servir de fontes de matéria-prima celulósica e incrementar o uso energético da biomassa.

Previsão

A indústria de biocombutível é, hoje, focada no etanol de cana de açúcar e óleos vegetais. No entanto, Goldemberg ressalta que o uso de biomassa de lignocelulose tem maior potencial para maximização da eficiência de conversão de luz solar, água e nutrientes em biocombustíveis.
Outras espécies perenes, a maioria em fase de pesquisas, como gramíneas e árvores de crescimento rápido, são atraentes para a produção em larga escala de biocombustíveis. Conta em favor dessas plantas o fato de não carecerem de lavra, em um período de 10 a 15 anos, apresentarem raízes que podem ser desenvolvidas para fixar nitrogênio e nutrientes minerais, o que resulta em menor perda de nitratos e erosão do solo.

Veja aqui a íntegra do estudo

Tags: biocombustível, bioenergia, biomassa, carbono, crédito, de, etanol

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