Custos de extração e preços de petróleo

Por Thales Viegas, do Blog Infopetro

Nos últimos anos os preços internacionais do petróleo e os custos de extração de petróleo e gás aumentaram significativamente. É possível destacar uma forte correlação entre a evolução dessas duas variáveis. Nesse contexto, o objetivo desta postagem é analisar a relação entre os custos de extração e os preços do petróleo. Primeiro são apresentados os principais fundamentos da mesma. Em segundo lugar se discute as suas consequências mais importantes. Por fim, articulamos a influência de preços e custos na política de preços de combustíveis da Petrobras, bem como nas perspectivas de crescimento dos investimentos e da oferta de petróleo no Brasil que a ela estão associadas.

Durante a última década a trajetória ascendente dos preços do petróleo foi consistente e constituiu novos patamares como referência de valor do produto. O gráfico 1 mostra a correspondência tendencial entre os índices de inflação do upstream, dos preços do petróleo e dos preços do aço. Os preços das commodities têm maior conexão com o mercado financeiro e, portanto, apresentam maior volatilidade, enquanto o índice de variação dos custos possui maior rigidez por estarem associados a projetos de longa maturação e contratos de mais largo prazo. Entre meados do ano de 2004 e meados de 2008, tanto o preço do petróleo quanto o índice de custos dobraram de magnitude. O preço do aço quase se duplicou também.

Figura 1: Índices de Custo de Capital, de Preço do Aço e de Preço do Petróleo WTI, mero índice, de 2000 a 2012

Fonte: CRUspi, EIA, IHS (Elaboração Própria) 

Importa salientar que a correlação entre essas variáveis se justifica em função da cadeia do petróleo ser intensiva em derivados do próprio produto e em aço. Ademais o aumento dos preços do petróleo potencializou as atividades de exploração de recursos e de desenvolvimento de reservas. A demanda por equipamentos e serviços do segmento deupstream do petróleo aumentou bastante, mas a capacidade instalada mundial da indústria fornecedora não evolui no mesmo ritmo.

Essa escassez relativa favoreceu o aumento dos preços desses insumos que são oferecidos por um setor que possui grande capacidade remarcar preços. Ele é capaz de reajustá-los diante de aumentos do valor do petróleo, assim como sustentar esses níveis mais elevados por algum tempo mesmo quando os preços da commodity caem. A tendência de aumento dos custos com remuneração de trabalhadores também é relevante, especialmente em períodos de surtos de demanda que promovem escassez relativa da força de trabalho qualificada.

Os efeitos das variações de preço do petróleo cru são verificados nos custos operacionais e de capital da atividade petrolífera. Novos projetos de desenvolvimento de reservas e produção em campos mais onerosos, como em águas ultraprofundas, são muito sensíveis a essas variáveis. Não raro empresas adiam ou até abandonam projetos por perderem economicidade em cenários desfavoráveis de preços e custos. Aumentos dos preços também podem representam maiores pagamentos de royalties a depender da variação no preço de referência adotado para o seu cálculo. Além disso, no Brasil, a configuração fiscal do país também onera mais os bens e serviços produzidos localmente. Todos esses adicionais de custo podem em algum momento representar riscos para os planos de expansão da oferta de petróleo do país.

Neste contexto, existem importantes desafios para se lograr a redução dos custos por meio de mecanismos de aprendizado tecnológico e organizacional capazes de promover ganhos de eficiência produtiva. Desta maneira, o ajuste pelo lado da receita, quando possível, é aquele com o qual se obtém resultados mais imediatos. Como no Brasil a precificação dos derivados do petróleo não segue as flutuações do mercado internacional, a Petrobras recorrentemente reivindica junto ao governo federal reajustes dos preços dos combustíveis, como vinha ocorrendo no primeiro semestre deste ano.

Vale dizer que a política de preços de combustíveis nas refinarias no Brasil está pautada na lógica de estabilidade. Ela é utilizada como uma ferramenta de controle da inflação, uma vez que os derivados do petróleo são insumos essenciais na economia. Afetam direta ou indiretamente as demais estruturas de custos da economia. No entanto, aumentos nos níveis dos preços internacionais do petróleo fizeram com que a direção da Petrobras recorrentemente solicitasse ao governo federal reajustes dos preços dos combustíveis. O fito é aproximá-los dos padrões internacionais e melhorar a geração de caixa da companhia. (...) O texto continua no Blog Infopetro.

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