Amigo, mesmo que você não queira ser chamado de poliglota, é aconselhável falar alguns idiomas.

Sei que a nossa língua portuguesa é dose pra elefante e, embora seja falada por milhões de pessoas, não adianta muito caso você queira ser um bambambam no mercado, pois esse prefere louros de olhos azuis e os portugueses e seus descendentes e colonizados não o são.

Portanto, resigne-se a aprender inglês ou alemão se quer vencer na vida. O sotaque de Eton ou Harvard é desejável. Não vá você falar com o arrastado sotaque sulista, que soa bem somente nos westerns dos anos sessenta.

Elegância é tudo!

Aprovo o aprendizado de línguas estrangeiras pelos brasileiros desde criancinhas, para que as nossas possam chegar ao nível cultural das americanas e inglesas, que falam um inglês fluente desde pequenininhas, o que lhes permite sair na frente no ranking mundial.

Nosso povo, que já tem um grande fascínio pelo idioma inglês, aliado ao desprezo que sempre sentiu pela língua dos nossos pais, quer agora transformá-la em risota mundial sob as bênçãos do MEC, que ainda não pegou “os peixe”.

Em condomínio de gente rica não dá outra; os nomes dos prédios são em inglês, para desespero dos carteiros tupiniquins e das domésticas, que procuram emprego nesses sítios tão chiques.

--- Tá trabalhando onde?

--- “Britíche  manxion”, eu acho!

--- Pois eu tô no “grin manxion” seja lá o que isso signifique...

 

Ah... mas os pobres brasileiros são muito inteligentes! Já aprenderam que, pra subir na vida e passar de porteiro a vereador, em vez de se chamar João, nome prosaico, de pobre, melhor chamar-se “Jon” ou “Maicon”, como aquele jogador de futebol. Viu como se deu bem? Esperteza é tudo, mano.  Expertise...

Mas, não pense que é só por isso que você deve aprender inglês; nem para entrar na Academia de Letras, que você não é global, deixa de ser besta.

É para negócios, amigo, negócios. Ou, negociatas, se preferir...

Quanto mais você capricha na língua de Shakespeare, mais límpidos os negócios ficam e mais rapidamente eles ocorrem.

Alguns aconselham até a tropeçar um pouco na língua, como fazem os americanos, para mostrar o desprezo que têm pela nossa, trocando o masculino pelo feminino e vice-versa com frequência, sem trema, nem tremer.

O velho Eça já ensinava que devemos falar muito bem a nossa língua e estropiar a dos outros, sem dó nem piedade.

No fundo, no fundo, o que queremos mesmo é o que todo mundo quer: get money.

Ou não é?

 

 

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